15 julho 2008

Renato Russo - A Peça

De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei!
Que faço isso prá esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...
Vento no Litoral - Renato Russo
- Você ouvia muita Legião Urbana?
- Bem, na casa da minha tia eu tinha duas opções: Legião Urbana ou Vando. Escolhi a primeira.
E esta escolha de muitos anos (não tinha como ser diferente) levou-me até o Teatro Fernanda Montenegro no último domingo. Casa lotada dos mais diferentes tipos, levados até ali por qual motivo? Fãs da Legião, fãs do Renato ou fãs das letras tão marcantes? Não importa. Para quem esperava um amontoado de tietes até que esses foram discretos. A única manifestação mais acalorada foi de uma fã que, assim que Bruce Gomlevsky (que interpreta o músico) pisou no palco, soltou um sonoro "Renatooooooo", já confundindo criador e criatura. E como não confundir? Como não deixar-se levar pela músicas e principalmente pelas letras que tanto fizeram-se presentes no passado da maioria de nós?
No palco somente ele com suas roupas, seus óculos e sua dança inconfundíveis. No fundo a banda Arte Profana, separada de Renato por uma espécie de vitrine que mais do que a função de distanciar a banda e colocar o ator em primeiro plano serviu de tela para a projeção de imagens relacionadas a cada uma das passagens da vida do líder da Legião. Desde dos quinze anos de idade do futuro músico, época em que ele amargou dois anos preso a uma cadeira de rodas, passando pela sua primeira banda, o Aborto Elétrico até o sucesso com a Legião Urbana a descoberta da sua sexualidade, o nascimento do seu filho e sua morte prematura, todas as falas, choro e euforia do artista eram intercaladas pela apresentação de suas canções.
As músicas, que na sua maioria traziam-me de volta lembranças diversas, ali, naquele momento, costuradas uma a uma nas fases da vida de Renato, passaram a ter outro significado. Talvez até o verdadeiro ou o mais verdadeiro possível. Percebi então que uma mesma música toca diferentes pessoas de diferentes maneiras, mas não deixa nunca de transmitir algo, fosse esse algo a vontade inicial do artista ou não.
Infelizmente não fui a nenhum show da banda. Quando comecei a ouvi-la a maioria dos álbuns já havia sido lançada. Não vi Renato pessoalmente mas domingo, durante aquelas duas horas de peça, posso dizer que fiquei a menos de dois passos de Renato Russo.

02 julho 2008

Preciso de pilhas novas

Sabe aqueles brinquedos eletrônicos “importados” que antigamente dizíamos que eram made in Paraguay mas que hoje são todos (sem exceção) made in China? Cheios de luzinhas piscando, sons de diversos timbres e alturas e que corriam para lá e para cá? Eram tão requisitados pelas crianças que um dia iam ficando fraquinhos, fraquinhos (pilhas também made in China) com os movimentos cada vez mais lentos, o som cada vez mais slooooooooow até que um dia paravam de vez. Eu estou neste estágio. Está na hora de trocar as pilhas, recarregar a bateria. Preciso de férias urgente. Estou quase (esse quase é graças a uma professora que me deixou de final) livre da faculdade, já encerrei mais um semestre de aulas do curso de inglês mas continuo acordando todos os dias às 6 da manhã para ir trabalhar. Tenho um calendário em cima da mesa e nem dava tanta importância à ele mas, nas últimas semanas a vontade de que o dia 11/07/2008 às 16:59 horas chegue logo é tão grande que tenho, religiosamente, riscado do calendário os dia que já se foram. Mas não adianta, por mais que eu os elimine ainda falta uma boa quantidade de dias a serem enfrentados. Até que pela manhã consigo sobreviver com o pouco de energia que me resta. O pior é quando chega lá pelas quatro da tarde, meu dedos simplesmente se recusam a continuar digitando e muitas vezes minhas pálpebras resistem bravamente a permanecerem abertas. Um só pensamento vem à minha mente: dormir, dormir, dormir...

Não tem jeito. Levanto, estico braços e pernas, dou uma volta pela sala, bebo um gole d’água.
Volto para minha mesa e olho para o calendário louca para riscar mais um dia.

Personal Friend

Tempos atrás eu andei reclamando de falta de atenção, falta de companhia. Se eu tivesse conhecido o site desse sujeito antes, não teria perdido tempo reclamando da minha solidão.
Seus amigos não te procuram mais? Tem uma festa para ir mas está sem companhia? Está louca para dançar mas ninguém topa? Já existe a solução: contrate um Personal Friend e divirta-se. Falta de companhia, nunca mais!

01 julho 2008

WALL·E

este é para o Wally

Não existem mais habitantes na Terra. Seus moradores não conseguiram conviver com seu próprio lixo, embarcaram em um cruzeiro galáctico de luxo na estação espacial Axiom e agora viajam através do espaço. Entregaram-se a uma vida ociosa e passam dias e noites sentados em suas poltronas à beira da piscina.

Na Terra a paisagem é marrom. Os prédios das grandes cidades ainda resistem mas são facilmente alcançados pelas montanhas de lixo. Não existe mais água, não existem mais plantas. Só a areia cerca tudo.

No meio desta paisagem agreste está WALL·E (Waste Allocation Load Lifters - Earth Class – algo do tipo “Empilhadeira de Lixo de Uso Terrestre”), um robô programado para juntar todo o lixo abandonado pelos humanos. Diariamente ele segue sua diretriz: juntar, compactar e empilhar blocos e mais blocos de lixo.

Nada mais de humano restou, mas só aparentemente. Por uma ironia, as atitudes mais humanas vêm exatamente de uma máquina. WALL·E, após ficar trabalhando sozinho na Terra durante 700 anos, desenvolveu consciência e personalidade. É doce e inocente e sua única companhia naquele lugar é uma barata, simpática até, considerando que estamos falando de uma barata. Ao chegar em sua “casa”, o robô se distrai assistindo filmes antigos, colecionando quinquilharias e ouvindo música. Sua rotina é alterada no dia em que chega à Terra EVE, uma sonda que tem como missão rastrear o local à procura de uma forma vegetal, um sinal que indicaria aos humanos que a Terra se regenerou e já é hora de regressar.

WALL·E apaixona-se por EVE e tenta de tudo para chamar sua atenção. Ele até consegue arrancar uns minutos da atenção da sonda mas, ao encontrar uma planta, EVE “reseta” e fica à espera da nave que virá buscá-la. WALL·E não sabe o que está acontecendo e é a partir daí que vemos quanto humano o robô é. Ele faz de tudo para acordá-la. Desesperado não sabe o que está acontecendo com sua amada mas não a abandona, mesmo embaixo de chuva e raios até o dia em que a nave retorna e WALL·E deixa tudo para trás para acompanhá-la.


WALL·E é a nova animação da Disney/Pixar. Tem cenas engraçadas e situações divertidas mas por trás de toda a comédia existe um pano de fundo que nos leva à reflexão. Sentimentos como solidão, amor e doação estão lá para serem lidos nas entrelinhas. Não é mais um alerta sobre “o que acontecerá se não cuidarmos bem do nosso planeta”. Todos nós já sabemos disso e só não tomamos uma atitude porque talvez nos falte a sensibilidade que sobra em WALL·E. Em 2.700, ano em que se passa a história, o que havia sido previsto já aconteceu. Fomos expulsos da nossa própria casa pelo lixo que nós mesmos produzimos. Incapazes de fugir aos comandos de BEBA, COMA, COMPRE, CONSUMA fizemos de nosso lar um imenso aterro sanitário. Acostumados ao mundo dos descartáveis simplesmente jogamos fora um planeta inteiro.

Ao contrário das últimas animações que assisti, recheadas de personagens cômicos, falas engraçadas e piadas, na maioria das vezes, bem construídas, WALL·E quase não tem diálogos e as vozes dos personagens foram criadas eletronicamente, dispensando o trabalho dos dubladores. A evolução do enredo se dá quase totalmente através das situações vivenciadas pelo protagonista onde gestos, expressões e comportamentos valem mais que palavras. Talvez aí esteja o grande sucesso do robô empilhador de lixo. Através de seu comportamento consegue ser transmitir sentimentos que vão da felicidade à solidão.


Entre as muitas boas cenas de WALL·E a mais bonita é aquela em que, auxiliado por um extintor conta incêndio, ele dança com EVE pelo espaço. Um verdadeiro balé nas estrelas.

Site oficial: http://www.disney.com.br/cinema/walle/

27 junho 2008

Quero ser

Descobri o que eu quero ser quando eu crescer: quero ser palestrante.

Hoje, na empresa em que trabalho, assisti a uma palestra. O palestrante, uma mistura de professor de cursinho pré-vestibular com animador gordinho de festas de família, até que se esforçou, mas não me convenceu. Fiquei animada no começo, na hora em que o primeiro slide anunciou: vamos estudar nosso assunto sobre a ótica da filosofia. Pensei “opa! finalmente uma apresentação diferente.” Mas minhas expectativas estavam muito além da realidade, porém minha opinião sincera e racional não vem ao caso. A verdade é que o cara teve a manha de viajar e ficar em hotel de graça (tudo pago pela empresa) e ganhar um bom trocado à custa de: slides com desenhos fofuxos + videozinhos do You Tube (super manjados) + citações de efeito de alguns filósofos famosos + um bando de funcionários que preferiu (é claro) assistir a palestra a ficar sentado em frente ao computador esperando o fim do expediente.
Será que não tem uma vaga para mim na equipe dele?

17 junho 2008

Curitiba abaixo de zero

Foto by Wally

Curitiba hoje pela manhã, -1°C. Até dentro da minha geladeira é mais quente.

16 junho 2008

Quentinho e macio

A minha melhor aquisição da última semana foi um edredon. Você aí na Bahia talvez me pergunte como um edredon pode ser a minha melhor aquisição. É, talvez não faça muito sentido em um lugar em que a temperatura máxima prevista para hoje é de, deixa eu ver no boletim do tempo, 29°C. Ah! Mas e a mínima? Hum...20°C. É, se eu estivesse aí na Bahia talvez nem lembrasse de que existem edredons.

O fato é que eu estou em Curitiba.

Levantei, olhei para fora: sem chuva, sem tempo nublado, promessa de um bonito dia de sol. Mas ao olhar mais atentamente para o gramado, ei! o que é aquele troço branco cobrindo toda a grama? Geada meu caros, gelo. A temperatura às seis da manhã? Um (eu disse UM) grau. Mas logo depois piorou um pouquinho e chegamos à marca de 0°C. Mas calma, vai esquentar durante o dia quando chegaremos à máxima de 13°C!
Foi aí que eu vi a importância do meu edredon, quentinho, macio, aconchegante. Mas como tudo o que é bom dura pouco tive que deixá-lo em casa e enfrentar sozinha o ar gelado de mais uma manhã curitibana.
Agora olho pela janela do escritório e vejo o céu cian, nem um nuvenzinha e o sol, ah o sol que nos aquece o corpo e a alma. Invento de de ir lá fora e brrrrrrrrr. Frio. Com certeza ainda não alcançamos a máxima (eu já falei que serão incríveis treze graus?).
No final da tarde terei que sair daqui e enfrentar o frio novamente. Irei para casa, rezarei um pai-nosso e entrarei, corajosamente, embaixo do chuveiro. Tentarei me recuperar do trauma do banho vestindo 5 meias, 3 calças e 5 moletons. Mas o esforço valerá a pena pois me esperando na cama estará ele, meu edredon.

12 junho 2008

Dia dos Namorados?

Flickr - galeria de annfrau


Eu estava com quinze anos e não tinha namorado. Nem eu nem três das minhas melhores amigas. Resolvemos então fazer algo diferente no Dia dos Namorados: nós fomos para a aula vestidas de preto. Não era por desespero, não era por estarmos sozinhas e não nos sentíamos encalhadas (alguém em sã consciência pode sentir-se encalhada aos quinze anos?). Era um protesto divertido contra um dia em que tudo parece ter adquirido a forma de coração. Achávamos a data um tanto quanto apelativa como se fosse o pior crime do mundo não ter um namorado no Dia dos Namorados. Se já naquela época considerava um exagero a apologia feita a esse dia, imaginem hoje. E pensar que existem pessoas que dão tanta importância à data que são capazes de começar um namoro na véspera do dia doze só para não ficar sozinha e ainda descolar um presente. Acho legal celebrar a data se essa celebração for realmente sincera, se você e a pessoa que está ao seu lado tiverem as mesmas vontades e compartilharem dos mesmos sentimentos. Comprar presentes caros só para concorrer a um carro ou a um par de ingressos não faz seu amor ser maior. E nem vasculhar as lojas desesperado atrás de um presente para sua esposa pois “se você chegar em casa de mãos vazias vai dormir no sofá!”

O Wally sabe que não sou muito sentimental e que meu romantismo é como minha TPM, aparece uma vez por mês, mas isso não quer dizer que odeio demonstrações de afeto. Carinho se demonstra com presente no dia dos namorados mas também em todos os outros dias, naquela ligação ao final da tarde só para dizer oi, naquele único e solitário botão de rosa comprado na floricultura da esquina, na bronca que você leva por não ter atendido o telefone porque afinal de contas “eu fiquei preocupado com você!”

Lembre-se que quando você era garoto ganhou um beijo da menina mais bonita da sala só porque deu a ela uma flor roubada do jardim da vizinha. Você cresceu e ficou complicado mas o amor continua simples como naquele dia...

...mas se chegar em casa de mãos vazias...


Aos solteiros que não agüentam mais ver propagandas do dia dos namorados e nem casais suspirando apaixonados, coragem. Existe vida após o dia 12.

11 junho 2008

Santo Casamenteiro


Não agüenta mais ficar sozinha, ver suas amigas casando e você ficando para titia? O dia dos namorados chegou mas o namorado não? Está entrando em desespero? Calma, Santo Antônio está ai para te dar uma mãozinha. Durante toda esta semana está sendo vendido o famoso bolo de Santo Antônio. Dentro do bolo são escondidas pequenas imagens do santo e conta a lenda que a moça que encontrar uma das imagens casará na certa.

Mas se você já passou por todas as igrejas, comeu umas 20 fatias de bolo e tudo o que ganhou foram três quilos a mais, não desanime, você ainda pode recorrer às simpatias.

Simpatias para quem está só:

Abrir a porta da frente da casa para que Santo Antônio permita a entrada de alguém especial em sua vida, dizendo: “Santo Antônio, protetor dos enamorados, faça chegar até mim aquele que anda sozinho e que em minha companhia será feliz”.

Muito cuidado com esta aqui pois ao invés de arranjar um namorado você pode ser assaltada.

Colocar um quartzo rosa dentro de um copo transparente, com água filtrada, e deixar no sereno, na véspera do dia de Santo Antônio, pedindo tudo que almeja para a realização afetiva - felicidade, respeito, harmonia, companheirismo, cumplicidade, afeto, dedicação, carinho, amor, compreensão, etc.No dia seguinte, passar água nos pulsos, para se articular sempre com equilíbrio; nos joelhos, para ter flexibilidade e respeitar o outro; no coração, para amar com sinceridade e que o amor seja pleno e digno.

Só tome cuidado para que o copo não vire um berçário de mosquitos da dengue.

No dia de Santo Antônio, olhe para o céu e escolha uma estrela . Fixe nela seu olhar e faça seu desejo com fervor.Abra os braços e agradeça ao Universo a chegada do amor.

Aparentemente inofensiva. O único senão é que aquele seu vizinho gato pode te achar louca e não querer mais falar com você.

Logo na manhã do Dia dos Namorados, véspera de Santo Antônio, compre um metro de fita azul de qualquer largura e escreva nela o nome completo da pessoa amada. À noite, conte 7 estrelas no céu, sem apontar, e faça um pedido ao santo para que ele ajude você a conquistar o coração dessa pessoa. No dia seguinte, amarre a fita nos pés da imagem de Santo Antônio e deixe lá, até conseguir arranjar uma pessoa para namorar.

Torça para que a noite não esteja nublada.

Agora, se você tem um “rolo” mas parece que ele não quer nada com nada pode fazer a Simpatia para quem somente "fica" e quer formalizar o relacionamento:

Retire 3 espinhos de uma rosa vermelha e coloque dentro do perfume que você usa e que a pessoa gosta. Peça para Santo Antônio remover os obstáculos “se for para a felicidade de ambos”. Use o perfume sempre que estiver com a pessoa.

Mas e se você já tinha um namorado e vocês brigaram? Oras, é só fazer a simpatia Para que o seu amor volte:

Compre um pedaço de papel vermelho, escreva nele o nome da pessoa que você ama e quer que volte. Pegue uma foto dela e cole-a no papel. Num vaso transparente, coloque meio litro de água benta e sete botões de rosa vermelha. Vá até uma igreja que tenha a imagem de Santo Antônio, coloque o vaso no altar. Em sua casa, acenda sete velas brancas, juntamente com a fita vermelha de papel com a foto, ofertando-as ao santo e pedindo pela volta do seu amor.

Riscos:

A não ser que você seja muito amiga do padre será difícil conseguir meio litro de água benta.

7 velas brancas + 1 fita vermelha de papel + 1 foto = incêndio. Tenha um extintor por perto.

05 junho 2008

Sete Maravilhas da Natureza

“Em um ponto do hemisfério Sul, mais exatamente no coração da América do Sul, quatro elementos da natureza manifestam-se em sua plenitude. Patrimônio natural da humanidade tombado pela Unesco, este lugar é envolto por terra, fogo, ar e água, para encanto de milhares de turistas que o contemplam todos os dias. Ao redor, a terra é incrivelmente fértil. Do solo avermelhado levanta-se um floresta imponente e densa, a maior reserva de mata pluvial subtropical do mundo com 252 mil hectares espalhados por dois países. O ar que paira absolutamente puro, carregado de umidade, limpa os pulmões de quem vive nas grandes metrópoles. (...)”


Visitei as Cataratas do Iguaçu duas vezes. Na primeira tinha oito anos e devo confessar que lembro mais da piscina do hotel do que das quedas. Talvez isso tenha ocorrido porque era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo na vida de uma criança: viagem de avião, almoço na beira da piscina, visita ao Paraguai com direito a joguinhos eletrônicos. Também porque a escala anterior da viagem havia sido o Rio de Janeiro (Pão de Açúcar, Cristo Redentor, hotel e avião novamente). Por um motivo ou outro o fato é que sempre que alguém falava da beleza magnífica das Cataratas eu duvidava, achava exagero e me perguntava como podiam tantos turistas vir de tão longe (entre outras nacionalidades, muitos japoneses visitam o lugar) para ver algumas quedas d’água.


A dúvida desapareceu há 3 anos quando eu tive a oportunidade de voltar a Foz do Iguaçu em uma excursão do IBAMA. Posso dizer sem dúvida que, até agora, esta foi a melhor viagem que fiz. Ela durou apenas um final de semana mas cada minuto valeu a pena. Nem as 10 horas da ida dentro de um ônibus convencional e nem as quase 13 horas da volta dentro do mesmo ônibus diminuíram a beleza que tive diante de meus olhos. Agora eu entendo porque tantas pessoas vêm de tão longe para conhecer as Cataratas do Iguaçu.

Já dentro do Parque Nacional do Iguaçu você é levado de ônibus até o início da trilha que desembocará nas quedas. Serpenteando o estreito cânion do Rio Iguaçu a trilha proporciona aos visitantes um contato único com a natureza. Cercado por um lado pelas águas do rio e do outro pela mata, o turista vai aos poucos tendo a visão das 275 quedas que compõe o conjunto. A cada passo, maior é o barulho das águas batendo contra as pedras e quando menos se espera, na próxima curva da trilha, você tem diante de seus olhos um magnífico espetáculo da natureza. Tudo é um misto de sensações e visões: a garoa refrescante salpicando seu corpo, os arco-íris que parecem formar-se onde quer que você olhe, a espuma branca borbulhando sobre as rochas e o grande cinturão verde que envolve tudo. O único desejo que se tem neste momento é de olhar; olhar até a vista cansar para ter certeza que se lembrará de tudo o que viu.

O texto do início deste post foi retirado do site Vote Cataratas do Iguaçu e tenta transmitir em palavras um pouco da emoção que é presenciar este espetáculo. As Cataratas do Iguaçu estão concorrendo ao título de Uma das Novas 7 Maravilhas da Natureza e esse site foi criado para divulgar a campanha e arrecadar votos.

"A escolha das Sete Novas Maravilhas da Natureza é promovida pela Fundação Sete Novas Maravilhas. A eleição está dividida em duas etapas. Na primeira com duração até 31 de Dezembro de 2008, serão selecionadas 21 candidaturas. Na segunda fase a partir de Janeiro de 2009, as finalistas serão novamente submetidas ao voto popular para a escolha decisiva. As candidaturas vencedoras serão conhecidas em 2010."

Quem já visitou sabe que as Cataratas do Iguaçu têm que estar entre as 7 Maravilhas da Natureza.


Abaixo uma foto da minha viagem. Este “passeio” é chamado de Macuco Safari. Na primeira parte os turistas são conduzidos por uma trilha no meio da mata confortavelmente acomodados em um carro elétrico. O guia trilingüe faz paradas estratégicas durante o trajeto para explicar sobre as espécies vegetais ali presentes. Alguns metros adiante existe uma bifurcação e os passageiros são convidados a descer do carrinho e terminar a trilha a pé. Quem preferir ou não tiver condições de caminhar pode descer até o leito do rio Iguaçu com o próprio carrinho. É claro que eu escolhi terminar a pé e como recompensa, no meio do caminho, existe uma bela cachoeira onde é praticado rapel. Chegando ao cais somos devidamente equipados com coletes salva-vidas e embarcamos nas lanchas. Se você é cardíaco aconselho a não responder SIM quando o piloto da lancha perguntar se você quer um passeio com emoção. Após muitas manobras radicais executadas em alta velocidade a lancha vai chegando cada vez mais perto de uma das quedas até que de repente o piloto simplesmente entra embaixo da queda d’água (vocês não queriam emoção?). Enquanto eu lutava bravamente tentando não engolir água e segurar minha *capinha de chuva (impossível, a força da água é tremenda) não sabia se sentia medo ou felicidade. Ao final do passeio sentei exausta, completamente molhada mas imensamente realizada nas pedras da margem do rio e fiquei contemplando a paisagem.


* a capinha é inútil, economize o dinheiro para comprar uma aspirinas.

02 junho 2008

8 coisas que eu gostaria de fazer antes de morrer

Este foi um convite da Luma.

(isso me lembra um filme)

Vamos às regras:

1- A pessoa selecionada deve fazer uma lista, com oito coisas que gostaria de fazer antes de morrer.
2- É necessário que se faça uma postagem relacionando estas oito coisas, não importando o que seja, é necessário que a pessoa explique as regras do jogo.
3- Ao finalizar, devemos convidar oito parceiros de blogs, amigos.
4- E, finalmente, deixar, se possível, um comentário para quem nos convidou, e informar os convidados.

Tem tantas coisas que eu quero fazer mas tentei pensar em desejos mesmo, daqueles que podem não se realizar mas que eu gostaria muito que acontecessem.

E os escolhidos são...

- Escrever um livro
- Andar de balão
- Conhecer a Irlanda
- Ter um sonho lúcido
- Aprender Kung Fu
- Adotar uma criança
- Aprender dança do ventre
- Ter uma casa no campo

Amigos que convido a participarem:

A Anita do Anita Bacana lá da Martinica

A Camila do Se ninguem falar de coisas interessantes...

A Flucka do Soliloquium

O Bruno do Lembrança eterna de uma mente sem brilho

E quem mais tiver vontade. Só me avisem depois para eu poder conhecer também suas listas.

01 junho 2008

Ioiô

Foto Flickr - Galeria de riquedp


Enumere rapidamente o nome de 10 modalidades esportivas. Futebol, tênis,volei, basquete, natação, judô, corrida, handball, lançamento de dardo, levantamento de peso. Algumas dessas modalidades que citei são bem conhecidas (uma delas até recebeu o título de paixão nacional), outras só vemos mesmo em tempos de olimpíada e jogos panamericanos. Existem ainda algumas que a maioria das pessoas considera só uma diversão como é o caso do boliche, mas que também dá medalhas, sim senhor. O que não falta é esporte para ser praticado, mas o que dizer do ioiô? É um esporte ou brincadeira de criança? Até ontem eu achava que essa modalidade fazia parte apenas do meu passado infantil. Ainda lembro quando o ioiô virou febre no Brasil devido a uma promoção da Coca-Cola. Você juntava um número X de tampinhas e trocava por um ioiô vermelho. Todos queriam um, dois, três... O ruim é que entre conseguir o tal brinquedo e fazê-lo funcionar tinha uma grande distância, ao menos para mim. Existe algo mais fácil do que fazer dois discos vermelhos de acrílico grudados um ao outro deslizarem por uma cordinha da sua mão até o chão e depois voltarem? Não, mas quem disse que o troço me obedecia? Ele ia para baixo e lá ficava, imóvel, com ar de desafio como se olhasse para cima e dissesse desista, você não tem talento para isso. Após algumas tentativas frustadas e pouquíssimos acertos eu cedia, deixava o ioiô de lado e ia brincar com outra coisa. Ficava com ódio de ver aquelas pessoas fazendo mil e um malabarismos com o ioiô e eu nem conseguia fazê-lo subir e descer. Tudo bem, eu devia ter tentado mais um pouco afinal é treinando que se aprende mas quem disse que eu tinha paciência? Mas mesmo com esta “decepção” eu simpatizava com o brinquedo. Hoje descobri que o que para mim não passava de brincadeira é um esporte com competições internacionais e campeões mundiais, brasileiros e regionais e que existe até um órgão que regulamenta as competições aqui no Brasil.
A Associação Brasileira de IÔIÔ (ABI) foi criada em 2002 com o objetivo de organizar eventos e difundir o esporte no Brasil. A ABI, responsável pela organização dos campeonatos oficiais no Brasil, também é a representante do país perante os órgãos internacionais de ioiô. Nos próximos dias 7 e 8 de junho acontecerá em São Paulo o Campeonato Brasileiro Ioiô Freestyle 2008. No site da Associação existem alguns videos que mostram as diferentes modalidades usadas na competição. Sinceramente? É de ficar de queixo caído. Após assistir aos videos desisti de vez desse esporte.


História do Ioiô*

O ioiô é o segundo brinquedo mais antigo do mundo, perdendo apenas para a boneca. E a história desse simples objeto é tão fascinante quanto seu funcionamento. A origem do ioiô é um mistério. Grécia, China, Filipinas. Diversos lugares do mundo podem ter sido o berço do ioiô. "Ioiôs" rústicos de barro e de metal já foram encontrados em ruínas gregas de cerca de 2500 anos. Brinquedos similares eram usados pelos chineses antes disso. No fim da idade média o ioiô chegou à Europa, onde a nobreza da França e Inglaterra usava o ioiô para relaxar e se afastar um pouco das suas tarefas. Há relatos que afirmam que as tropas de Napoleão se divertiam com ioiôs antes das batalhas. Nessa época, ele era conhecido como l'emigrette ou bandalore. O ioiô, na sua forma atual, nasceu nas Filipinas, onde é até hoje um brinquedo muito popular. Foi só em 1928, no entanto, que o ioiô começou a se popularizar no resto do mundo, quando um filipino, Pedro Flores, levou o ioiô para os Estados Unidos e começou a comercializá-los. Pouco tempo depois, o empresário Donald F. Duncan Sr., impressionado com a popularidade desse simples objeto, comprou a empresa de Pedro Flores, e a transformou na Duncan Company, que passaria a ser a responsável pela imensa popularização do ioiô nas décadas seguinte. Em 1962, só a Duncan chegou a vender 45 milhões de ioiôs nos Estados Unidos, onde a população de crianças era de apenas 40 milhões. Nos últimos 20 anos, a tecnologia vem mudando a cara dos ioiôs. Nos anos 80, os ioiôs "inteligentes" que retornavam para a mão do dono automaticamente foram criados e nos anos 90 o uso de rolamentos nos ioiôs resultou em uma evolução inédita nas manobras realizadas. Os ioiôs atuais empregam tecnologia de ponta, a madeira e plástico usados há decadas foram substituídos por novos materiais, como aço, alumínio e policarbonato. Os truques e manobras acompanharam essa evolução e o ioiô agora é praticado com seriedade em muitos países. A destreza e habilidade dos melhores jogadores chegam a ser equiparadas àquelas dos grandes malabaristas.



O Ioiô no Brasil

O ioiô no Brasil, assim como em inúmeros outros países, teve períodos de "febre", onde o brinquedo se tornou mania entre jovens e crianças. As maiores dessas promoções, impulsionadas pelos ioiôs Coca-Cola/Russell, ocorreram em 1982 e 1995. Até então, não havia uma organização independente para o esporte no país. Em 2002 foi fundada a Associação Brasileira de Ioiô, que passou a ser responsável pela organização de campeonatos no Brasil. Nesse mesmo ano o Brasil teve seu primeiro representante no Campeonato Mundial. Em 2003, o primeiro brasileiro da história, Rafael Matsunaga, sagrou-se Campeão Mundial na modalidade Counterweight. Ele também é o único brasileiro a ser agraciado com o título de National Yo-yo Master, título que apenas 11 outros jogadores no mundo possuem e que é dado a jogadores que promovem ativamente o desenvolvimento do esporte em seu país. O Brasil tem se destacado no cenário internacional pelos seus resultados em campeonatos internacionais e qualidade dos jogadores, sendo considerado por muitos como a terceira potência mundial do esporte, atrás apenas de Japão e Estados Unidos.




* texto extraído do site da Associação Brasileira de Ioiô - ABI

26 maio 2008

The Number 23

Perturbador. Esta é a primeira palavra que me vem à cabeça ao lembrar do filme. As perguntas que o personagem principal faz são as mesmas que fazemos. Pode um livro comprado ao acaso em uma loja de usados ter como personagem principal a própria pessoa que o lê? As semelhanças existem mesmo ou são apenas fruto de uma mente sugestionável? Walter Sparrow (Jim Carey) ganha de presente de sua esposa um livro intitulado The number 23. De autoria desconhecida, a princípio o livro parece não ser mais do que um romance policial onde o personagem principal e narrador é o detetive Fingerling. À medida que Sparrow avança na leitura começa a perceber que existem muitas semelhanças entre a história contada no livro e sua própria vida. Essas semelhanças parecem ser óbvias somente para ele pois sua esposa Agatha não compartilha da mesma opinião. Para ela estas semelhanças não são mais do que simples coincidências.

O detetive Fingerling é um personagem obscuro e solitário com uma queda por mulheres tão belas quanto perturbadas. A obscuridade aumenta quando o detetive encontra a loira suicida que se diz perseguida pelo número 23. Tal número estaria em todos os lugares. Qualquer simples soma de datas, qualquer medida de tempo ou espaço, qualquer cálculo resultaria no número 23. Após este encontro, Fingerling começa também a ficar obcecado pelo número como se fosse uma espécie de maldição passada de uma pessoa a outra. Para qualquer lugar que olhe, para onde quer que vá o número 23 se faz presente. Sparrow acompanha avidamente a narrativa e, capitulo após capitulo fica mais envolvido com a história tendo a certeza de que o livro foi escrito especialmente para ele. O número maldito então começa a persegui-lo : ele está no número da sua casa, na idade da sua esposa, na data do seu casamento e em qualquer outra situação em que se consiga fazer uma simples conta de adição. Não bastasse a onipresença do número, o livro faz brotar em Sparrow tendências homicidas. Porém, está faltando o capítulo mais importante de todos: o capítulo 23. Sparrow se vê em total desespero quando descobre que o livro está incompleto e decide ir atrás de seu autor. Nessa busca por aquele que parece conhecer seu passado melhor do que ninguém ele se depara com um assassino que jura inocência e um corpo que nunca foi encontrado. Nada parece fazer sentido mas tudo converge para um final que mostra que a realidade e a ficção estão mais próximas do que ele poderia imaginar.

11 maio 2008

Mãe

Como uma filha que se preza é claro que eu dei trabalho para minha mãe. É verdade que bem menos que outras filhas e filhos que conheço, mas dei. Mas o que seriam das mães sem filhos para cuidar, brigar e socorrer? Pensar na minha mãe é lembrar que ela...

...encapava com um capricho invejável meus cadernos e livros.

...passou dias e dias fazendo dezenas de mini-pompons brancos de lã só para compor os gorrinhos de Papai Noel que toda minha turma usou para dançar na escola.

...comprava, cortava e costurava pessoalmente o tecido para todos os meus vestidos de caipira.

...nas minhas festas de aniversário sempre fazia praticamente sozinha o bolo, o brigadeiro, o beijinho, o pastelzinho, a coxinha e tudo o mais que lhe desse na telha. E olha que era comida para um batalhão.

...às vezes reclamava mas sempre acabava cedendo e fazia os bolinhos de chuva que eu tanto gostava.

...passava dias e dias ao meu lado sempre que eu tinha uma crise de bronquite, me dando remédio, medindo minha febre e tentando me alimentar. Numa das piores crises, quando o médico disse que eu teria que ser internada ela foi categórica: Minha filha não vai ficar aqui. Eu cuidarei dela em casa. E nenhum médico ou enfermeira teria feito um trabalho melhor.

...sempre foi a primeira a acordar e a última a dormir porque afinal de contas, alguém tinha que tomar conta de tudo.

...ficou furiosa quando fiquei grávida, fúria essa que durou exatos 30 segundos. Após isso amou e ama meu filho a cada dia como seu próprio.

...me acompanhou na maioria das consultas e exames durante o pré natal e só não entrou na sala de parto porque não deixaram.

...continuou e continua fazendo tudo isso para todos os filhos e até para aqueles que não são.

...merece que todos os seus dias sejam um Feliz Dia das Mães.

10 maio 2008

Lá vem o Chaves

Quando eu tinha uns 7 ou 8 anos minha professora um dia disse: Minhas filhas assistem aquele tal de Chaves todos os dias. Não sei como não se cansam pois é tão repetitivo. Adivinha o que está passando na TV neste exato momento? Pois é. Duas décadas depois ele continua no ar. O primeiro episódio do Chaves foi exibido no dia 20 de junho de 1971, no México. Nesta época, o Chaves era um quadro do programa “Chespirito”. Chaves estreou no Brasil no programa do Bozo, (exibido no SBT) em 1984 com apenas 13 episódios comprados. Devido ao sucesso, compraram mais lotes de programas em 1986, 1988 e 1991. Conta a lenda que Silvio Santos, ao comprar alguns programas da rede de TV mexicana também teve que incluir no pacote o programa do Chaves. Silvio a contragosto tentou encaixá-lo na grade de programação em um horário menos evidente mas logo o seriado foi descoberto e virou mania entre os telespectadores e já chegou até a ser exibido no horário nobre. Também há relatos de que a Globo tentou comprar o programa. É claro que não era para exibí-lo e sim diminuir a concorrência. Ainda bem que não conseguiu. Apesar de levar o nome da atração, o personagem Chaves não está entre meus preferidos. Primeiro vem o Seu Madruga – considerado por alguns o primeiro grande punk – e depois vêm o Kiko e a Chiquinha. Os episódios que eu mais gosto são aqueles ambientados em Acapulco quando a vila toda tira férias e vai para um hotel. Infelizmente esses não passam tanto quanto alguns outros. Mas como eu até hoje continuo assistindo os mesmos episódios com as mesmas histórias e as tão conhecidas falas Ninguém tem paciência comigo ou Cale-se, cale-se, cale-se, você me deixa louco ? Simplesmente não sei a resposta. Talvez os personagens bem marcados e estereotipados ou piadas prontas de riso fácil que sempre funcionam. Não discutirei aqui se é ou não um bom programa. Se acrescenta algo àqueles que assistem também não importa. O fato é que Chaves possui uma legião de fãs (alguns até bem fiéis) e comigo funciona e cumpre seu papel que é o de me fazer rir. Funciona bem mais que certos programas de certas loiras que deveriam estar aposentadas mas não abrem mão de aparecer na telinha.

08 maio 2008

Paredes frias

Ontem no final da tarde estava indo em direção à Universidade. Leram bem? U-ni-ver-si-da-de, lugar que agrega estudiosos, doutores, mestres, pesquisadores e até um Magnífico Reitor. Melhor ainda, a Universidade não é só Universidade, ela é também Federal. Como soa bem, Universidade Federal do Paraná. Aquela, com seu prédio histórico e pomposo de colunas sólidas e imponentes. Meca do conhecimento, sonho de milhares e realidade para poucos. Estava direcionando meus passos para aquele local quando, como num passe de mágica tudo perdeu o sentido, tudo ficou pequeno, insignificante. Ali na esquina, a poucos metros do centro do saber e vejam só, ao lado do Teatro Guaíra – palco da cultura refinada e de espetáculos tão bons quanto dispendiosos e elitistas – estava uma família de catadores de papel. Esses com os quais esbarramos a todo momento pelas ruas da cidade. Eram pai, mãe e filho. O menino, com no máximo quatro anos, estava sentado em uma espécie de cestinha que seu pai instalara na frente do carrinho. Ele estava feliz, sorria e conversava, provavelmente com um amigo imaginário tão pobre e carente quanto ele. Com certeza nem ele nem seus pais se davam conta de que estavam entre dois dos maiores símbolos da cidade, duas instituições tradicionais onde filhos de boas famílias têm o privilégio de adentrar. Quero estar errada mas este privilégio talvez nunca se estenda àquele menino. Ele nunca irá acompanhar uma palestra com um importante mestre nem ocupará uma confortável poltrona para prestigiar uma apresentação da Orquestra Sinfônica. Mas ele ainda voltará muitas vezes à mesma esquina, tantas que um dia aprenderá o caminho e não precisará do pai para acompanhá-lo. Poderá juntar suas próprias caixas de papelão. Diante desta quase constatação, toda a arte e conhecimento protegidos por aquelas edificações perdeu o sentido e a universidade e o teatro não eram mais do que um amontoado de paredes frias. Paredes que ao mesmo tempo em que preservam a sabedoria também mantém distante dela aqueles que a deveriam possuir.

Flickr Fábio Ferreira

07 maio 2008

Faça um pedido

Noite gelada, céu limpo, azul escuro, sem nuvens. Infelizmente sem muitas estrelas. As luzes das ruas, das casas e dos prédios ofuscam a beleza do céu noturno. Caminhava para casa despreocupadamente quando, ao voltar meus olhos para o horizonte, vi uma estrela cadente. Sim, vi uma estrela cadente e minha noite ficou menos gelada. A última vez que avistei uma não tinha mais que sete anos e contemplava o céu a partir de outro lugar. A emoção no entanto foi a mesma, até duvidei do que vira, tão rápida foi a estrela. Foi como fogos de artifício em dia de São João. A estrela estava lá e de repente, correu o céu e desapareceu no horizonte. Foi tudo tão inesperado que levei uns bons segundos para fazer meu pedido. Mas fiz. Espero que ela me atenda.



Flickr Galeria Mr Geoff

Crianças

Outro dia eu estava na aula de inglês em um daqueles famosos exercícios de conversação quando a seguinte questão foi levantada: qual sua facilidade em interagir com crianças? A minha, se não for zero está bem próxima disso. Foi com certo alívio que percebi que não era a única da turma a não ter muita facilidade no trato com esses pequenos seres. Não vale incluir aí crianças com as quais você já convive, como por exemplo seu filho, um irmão mais novo ou o pentelho do filho da vizinha que mora mais na sua casa do que na dele. Têm que ser crianças com as quais você raramente tem contato ou até aquelas que você encontra por acaso, numa fila de supermercado. Eu gosto de crianças, mais precisamente eu gosto de ver crianças (desde que não estejam chorando) brincando, pulando, falando, rindo ou até mesmo dormindo. Acho que são fofas, inocentes e sinceras. Quem não se derrete ao menos um pouquinho quando vê um bebê sorrindo? Mas o grande problema está em passar da observação à ação. Existem pessoas que já nascem com um dom para lidar com os baixinhos. Um exemplo: se eu chegar para uma garotinha de uns quatro anos e disser oi ela certamente ficará muda, isso se não sair correndo*. Já as tais pessoas com dom, falam exatamente a mesma coisa e depois de alguns minutos já são convidadas a brincar de esconde-esconde. A verdade é que nós, que não temos o dom da comunicação infantil, não temos a mínima idéia de como lidar com as crianças. Se são bebês e você tenta fazê-los rir eles choram. Se são um pouco maiores e você tenta conversar parece que perderam a língua. Mas que tipo de conversa pode ser travada com um garoto de 4 anos? Você faz as perguntas básicas: nome, idade, se estuda, se tem irmãos; depois disso a conversa morre. Já as pessoas com aquele jeitinho especial podem ficar horas e horas jogando conversa fora que não se tornam chatas aos olhos dos pequeninos. Um depoimento curioso foi o de um colega da turma. Ele declarou em alto e bom som que não pretende se casar (pois a conversa também girava em torno do casamento) e de crianças ele simplesmente queria distância. Cada um com suas preferências. Existem aqueles que levam o maior jeito com crianças, outros que preferem cachorros e até mesmo uns doidos que conversam com samambaias. Fazer o quê.


* eu certamente devo ter sido o trauma de muitos adultos que, como eu, não tinham muita facilidade em manter comunicação com crianças. As pessoas vinham falar comigo e era sempre a mesma sequência: desconfiança, emudecimento, proteção atrás da saia da mãe e finalmente fuga desesperada.

06 maio 2008

Dia de descanso?


Feriado, entre outras coisas, foi feito para descansar certo?

Meu namorado está de férias do trabalho e para não ficar somente com tempo ocioso tem se dedicado a decorar todos os horários de todas as séries do Warner Channel e da Sony, além de acompanhá-las, é claro. Também tem investido grande parte do seu tempo em acompanhar e cuidar da sua aldeia em um jogo on-line chamado Tribal Wars porque afinal, quer coisa pior do que ter sua aldeia atacada?

Eu por minha vez continuo trabalhando das 8:00 às 17:00 e estudando das 18:30 às 22:00, nos intervalos que me restam eu aproveito para dormir e me alimentar.

Pois bem, quarta-feira à noite, véspera de feriado, na casa do namorado:

Ele: Você pretende ir cedo para sua casa amanhã?
Eu: Não sei ainda. Por quê?
Ele: Você podia me ajudar a arrumar o apartamento.
Eu: Ah, não! Amanhã é feriado e eu quero descansar. E além do mais você está de férias, eu não. Quero aproveitar para descansar um pouco amanhã.
Ele: Tá certo, amanhã é feriado.
Eu: Isso!
Ele: Pode ser no final de semana então?


P.S.: Minha cara metade pede que eu esclareça aos meus leitores que, após este diálogo, ele caiu em si e prontificou-se a arrumar sozinho o apartamento e tentará conciliar a limpeza com os intervalos do Smallville.

05 maio 2008

Cochilo

Li certa vez em um livro que, dependendo do horário em que a pessoa nasce, existem, durante o dia certos horários ou melhor, partes do dia (que se não me falha a memória tinham a duração aproximada de duas horas cada) que podem deixá-la mais ou menos ativa ou favorecer esta ou aquela atividade específica. A explicação do livro pareceu-me complicada demais e como nem mesmo lembro seu nome, deixarei as explicações técnicas de lado. Mas um fato é certo, comigo acontece alguma coisa parecida. Existem horários do meu dia em que simplesmente eu deveria estar em casa dormindo ao invés de trabalhando e tentando me manter acordada. Parece que simplesmente meu nível de energia desce lá no pé. Um desses horários é depois do almoço. Sei que compartilho desta mesma situação com muitas e muitas pessoas e tenho certeza que certos estão os espanhóis em fazerem a siesta* todas as tardes. Hoje mesmo eu almocei e fui tentar ler um texto para a faculdade. Nada feito, quase dormi em cima da mesa. Para minha sorte, depois de uma hora de sonolência aguda voltei ao normal. Outro horário duro de encarar é lá pelas oito da noite. Se estiver na faculdade até que agüento bem (a não ser que o professor tenha aquela voz de cantiga de ninar) mas se estiver em casa, a situação complica. Quantas e quantas vezes eu resolvi descansar um pouco no sofá acordei às 10 da noite? Mas se eu conseguir me manter desperta neste horário, lá pelas nove aquela moleza já foi embora.

Agora um fato curioso é o seguinte: não consigo dormir até mais tarde. Mesmo que eu vá a uma festa e chegue em casa de madrugada dificilmente continuarei dormindo após as 9 da manhã. Mesmo quando era criança e podia dormir até tarde isso não acontecia. Seis horas da madrugada eu já estava de pé. Hoje não é tão fácil acordar tão cedo, mas mesmo assim não sofro para levantar às 6 (às vezes até antes) como tantas outras pessoas que conheço. Durante a manhã sinto-me muito mais disposta e por isso mesmo tento fazer a maioria das coisas durante este período. Acho que o livro devia ter um pouquinho de razão. Só não sei se os períodos em que me sinto mais ou menos disposta têm a ver com o horário em que nasci ou então com os hábitos que tive desde pequena. Mas de uma coisa eu tenho certeza, deveríamos instituir também aqui no Brasil nossa siesta.

Flickr Galeria de jose_miguel

*certo estava meu avô. Depois de aposentado continuou trabalhando como zelador em um prédio só que ele é que determinava a hora em que ia trabalhar. Lembro que ele vinha almoçar às 11:30 e ao meio dia ia tirar um cochilo. Depois de um pequeno cochilo de 2 horas e meia ele voltava ao trabalho totalmente disposto.