Cada nova música e principalmente cada novo vídeo-clip, eram ansiosamente aguardados com a certeza de que o que seria mostrado nunca nos decepcionaria. Nunca nos decepcionava. O melhor de todos eles, o mais feio e mais belo que já vi dava-me um medo muito grande. Eu, criança, não gostava de ver monstros e mortos-vivos levantando dos túmulos. Mas eu, criança , não resistia à toda aquela beleza. Eu tinha que olhar. Olhava. Olhava e sentia um misto de medo e prazer (felizmente a risada tenebrosa estava somente no final).
Da cozinha minha mãe dizia: tinha que ver quando ele era criança, uma graça, e que voz! Eu, criança, não dava muita importância a isso: tempo bom é tempo presente.
Meses atrás assisti a um DVD com uma aparições dele criança e aí entendi o que minha mãe dizia. Tempo bom é tempo que transcende.
Daqui algum tempo, quando forem comemorados os dez ou vinte anos de sua morte, talvez meus filhos não entendam porque parei tudo o que estava fazendo para ficar em frente à TV assistindo a um menino dançar e cantar com seus irmãos. Mas se eles prestarem bem atenção irão compreender, assim como eu compreendi o que minha mãe sentia.

