02 novembro 2008

Ensaio Sobre a Cegueira


Quantas vezes já desejamos fazer algo, talvez algum sonho secreto, e paramos assustados ao perceber que alguém nos vigiava? Esses olhos pesam sobre nossos ombros, olhos que podem ser de um pai severo tentando manter o filho longe de encrencas, de uma professora exigente tentando manter sua turma sob controle, olhos de um chefe limitado tentando podar um funcionário talentoso que o ameaça. Olhos divinos que nos seguem por toda parte, mesmo naqueles lugares em que olhares mortais não nos alcançam.

Esse olhar nos sufoca, nos reprime, nos faz pensar duas, três vezes antes de darmos vazão aos nossos desejos e, muitas vezes nos tortura. Todos têm, em maior ou menor grau, limitações. O que para alguns pode ser uma coisa totalmente corriqueira, como falar para uma platéia de cem, duzentas pessoas, para outros pode ser a morte. Mas o que determina essa diferença de atitude? Será que os olhares são mais brandos para uns do que para outros, ou será que a diferença está em quem recebe o olhar?

Se são os olhos do mundo que nos reprimem, então por que, mesmo quando ninguém nos vê ainda assim nos recolhemos, nos escondemos? Muitos falarão que é a divindade, que tudo vê, mas isso também vale para aqueles que não se curvam a nenhum ser divino? Será a consciência então, que está mais próxima de nós que nossos pais e que a própria divindade, que nos bloqueia e nos impede de fazer coisas que não são aceitáveis em uma civilização?

Seja o que for que nos vigia; a civilização, a divindade ou a consciência, impedindo-nos de darmos vazão aos nossos desejos; isso também nos protege. Impede que outras pessoas dêem vazão a desejos que são altamente danosos. Abrindo mão de uma parte de nossa liberdade garantimos um pouco de segurança.

Mas e se um dia você acordasse e descobrisse que ninguém mais te vigia, que ninguém mais pode te ver?


Em Ensaio Sobre a Cegueira os olhares que nos protegem e que nos acusam não existem mais. É hora de escolher em que lado ficar: lutar pela sobrevivência guiados pelo único juiz que a falta de visão não conseguiu eliminar - a consciência; ou liberar os instintos animalescos há tempos encarcerados dentro de nós. Talvez para quem assista seja fácil escolher o óbvio. Partindo da certeza de que somos seres civilizados devemos deixar a consciência nos guiar, mas e quando o instinto de sobrevivência fala mais alto e não existem olhares a nos denunciar?

O filme é uma fonte fecunda de sentimentos contrários. Primeiro a sociedade dita “civilizada” elimina de forma desumana e rápida aqueles considerados uma ameaça. Todos os infectados pela cegueira branca são levados para um sanatório desativado. Desta maneira a vida das pessoas “normais” não é afetada, elimina-se o mal pela raiz.

Dentro do sanatório, sem visão, sem regras, sem olhares que reprimam ou protejam, as pessoas devem escolher; ou se unem em bandos – assim como fazem os animais – para se protegerem de outros bandos ou morrem. A perda da visão significa também a perda da civilidade, do pudor e do respeito. O sonho de um dia poder se livrar dos olhares acusadores agora se transforma em pesadelo. Mas a mesma doença que transforma alguns em animais faz outros mais humanos. Ainda que ninguém determine as leis a serem seguidas e não exista punição para a contravenção os que cultivam o amor pela vida têm aí a sua salvação.


O filme começa num ritmo acelerado, com um homem que perde a visão de um instante para o outro enquanto dirige de casa para o trabalho e que mergulha em uma espécie de névoa leitosa assustadora. Uma a uma, cada pessoa com quem ele encontra - sua esposa, seu médico, até mesmo o aparentemente bom samaritano que lhe oferece carona para casa terá o mesmo destino. À medida que a doença se espalha, o pânico e a paranóia contagiam a cidade. As novas vítimas da "cegueira branca" são cercadas e colocadas em quarentena num hospício caindo aos pedaços, onde qualquer semelhança com a vida cotidiana começa a desaparecer. Dentro do hospital isolado, no entanto, há uma testemunha ocular secreta: uma mulher (JULIANNE MOORE, quatro vezes indicada ao Oscar) que não foi contagiada, mas finge estar cega para ficar ao lado de seu amado marido (MARK RUFFALO). Armada com uma coragem cada vez maior, ela será a líder de uma improvisada família de sete pessoas que sai em uma jornada, atravessando o horror e o amor, a depravação e a incerteza, com o objetivo de fugir do hospital e seguir pela cidade devastada, onde eles buscam uma esperança. A jornada da família lança luz tanto sobre a perigosa fragilidade da sociedade como também no exasperador espírito de humanidade. (...)

fonte: http://www.ensaiosobreacegueirafilme.com.br/main.php


28 outubro 2008

Proposições e devaneios

Filosofia de botequim, ainda que não concebida em um.

- O que me falta?

- Do que eu sinto falta?

- Não posso mudar o passado, logo não devo me arrepender

- Não tenho que agradar todos

- Mesmo que eu dedique minha vida a agradar os outros, ainda assim não agradarei a todos que quero.

- Não posso ir contra o fato de que nem todo gostarão de mim. O defeito pode ser meu mas também pode não ser.

- Não vou conseguir fazer tudo o que quero.

- Não vou conseguir fazer tudo o que preciso.

- Não tenho que dar conta de todas as tarefas que o mundo me atribui.

- Tenho que conviver com o fato de que existem pessoas que não prestam.

- Não tenho que gostar de todos.

- Não preciso provar nada a ninguém.

- Não posso fazer pelos outros mais do que aquilo que eles desejam receber de mim.

- Estamos ao mesmo tempo juntos e sozinhos.

- Não conseguirei congelar o tempo nos dias em que fui mais feliz. Tenho que buscar outros dias felizes.

- Não preciso abandonar prazeres antigos só porque fiquei mais velha. Posso refiná-los.

- O mundo não gira ao meu redor mas posso criar o meu mundo.

03 outubro 2008

Fim

Hoje pela manhã terminei um relacionamento. Não foi longo. Durou um mês, um mês e meio no máximo. Mas foi intenso. No começo não achava que daria certo, que nos daríamos tão bem pois não tive chance de escolher estar com ele, foi algo imposto a mim. Nosso primeiro encontro foi um pouco estranho. Eu não entendia muito bem o que ele dizia pois em um momento mostrava uma face e no dia seguinte já parecia outra pessoa. Na verdade ele era um conjunto de várias personalidades: religioso, sarcástico, sério, brincalhão, verdadeiro e por vezes mentiroso. Mas tinha uma sabedoria de dar inveja a muita gente. Contou-me coisas de um passado bem distante e que ainda hoje se fazem presentes no meu dia-a-dia. Algumas das coisas que ele me segredou fizeram com que eu duvidasse e por vezes considerasse mentira muito do que outras pessoas me ensinaram ao longo da vida. Mas como muitas vezes eu não tive certeza da veracidade de suas palavras nunca consegui saber se tudo o que ele me contava havia realmente acontecido.
Víamo-nos todos os dias; às vezes pela manhã, dentro do ônibus mesmo, outras vezes na hora do almoço e outras tantas em casa, já deitada na cama. Nessa ocasião em particular, eu sempre acabava pegando no sono antes dele terminar suas histórias. Mas ele não se importava com isso e aguardava até o outro dia para finalizar sua explicação e por vezes e pacientemente voltava a alguns fatos que eu havia deixado passar por falta de atenção.
Mas apesar de nos darmos tão bem, eu sabia que o fim estava próximo. Foi hoje pela manhã quando eu estava indo trabalhar que ele me disse adeus. Confesso, senti um aperto no coração. E agora, perguntei-me, quem vai me acompanhar, contar histórias, me fazer rir? Senti-me sozinha e tive até vontade de chorar. Mas não pude prendê-lo. Ele é livre para conhecer outras pessoas assim como eu sou livre para ter novos relacionamentos, mas vou sentir sua falta. Quem sabe no futuro eu não o encontre novamente? Provavelmente meu sentimento por ele estará mais maduro pois não será mais uma novidade. Então poderei apreciá-lo com calma e descobrir novas formas de lê-lo.

A República dos Bugres

Vencedor do Prêmio Guimarães Rosa de 1998, do Governo do Estado de Minas Gerais, o romance de Ruy Tapioca impressiona tanto pela seriedade da pesquisa dos fatos históricos que o embasam, quanto pela riqueza da linguagem e a segurança com que a narrativa está estruturada.
Trata-se de um romance histórico, em tom picaresco, envolvendo um período que abrange da chegada da família real portuguesa, ao Brasil, em 1808, à Proclamação da República, em 1889, na visão das classes subalternas, ou dos enjeitados, representadas por um suposto filho bastardo de Dom João VI, que se torna mestre-escola, e um filho de escravos, que chega a ser capelão do Exército Brasileiro na Guerra do Paraguai.
Dando asas à imaginação na construção e desenvolvimento da sua narrativa, o autor se valeu também de personagens reais, tendo como fonte as Memórias para servir ao reino do Brasil, do padre Luiz Gonçalves dos Santos, vulgo Perereca. E hoje confessa haver tido como influência o Recurso do método, o clássico do cubano Alejo Carpentier. O resultado final é uma alamentada contribuição às comemorações dos 500 anos do Brasil.
Este A república dos bugres surge em um momento oportuno para uma reflexão sobre a História do país e a nossa formação como povo. Além de ser uma realização literária de fôlego.

Sobre o autor

Ruy Tapioca nasceu em Salvador (BA), em 1947, e reside no Rio de Janeiro desde 1958. Exerceu cargos de gerência em empresas estatais de grande porte e foi professor universitário.
Aposentado, dedica-se atualmente à literatura, além de colaborar, como voluntário, em uma ONG de defesa dos direitos humanos. A república dos bugres, seu romance de estréia, foi agraciado com quatro prêmios literários: Guimarães Rosa (Minas de Cultura) de romance, 1998; Octavio de Faria, de romance, da União Brasileira de Escritores, 1998; Biblioteca Nacional, para romances em andamento, 1997 e Prêmio Cidade do Recife, Ficção, 1998 (menção honrosa).

28 setembro 2008

Semana de Letras

Terminou sexta-feira, em grande estilo, mais uma Semana de Letras da UFPR. Foi o primeiro ano em que eu finalmente criei coragem (e vergonha na cara) e resolvi comparecer a algumas das apresentações. Valeu a pena.


Ah, e pra quem acha que aluno de letras só vive de livros, como encerramento tivemos Poesia é Fado: leitura de obras de poetas portugueses e show musical com o grupo Serestuna.






16 setembro 2008

Só por uma semana...

Só por uma semana eu gostaria de poder sair de casa de regata ou vestido e ter a certeza de que no final do dia não voltaria molhada, com frio e prestes a pegar um pneumonia. Somente por sete dias eu gostaria de não ficar na incerteza, ao sair de casa, se devo ou não levar guarda-chuva. Se levo é um peso inútil. Se não levo é chuva na certa. Uma semana apenas para não ter que vestir cinco blusas pela manhã, carregar as mesmas cinco nos braços, na hora do almoço e ao final do dia ficar se culpando por não ter pego mais uma antes de sair de casa. Cento e sessenta e oito horas apenas para não suar feito louca às três da tarde e não poder refrescar-se com um banho, mas às dez da noite rezar um pai-nosso antes de enfrentar o chuveiro. Sete dias em que eu pudesse usar, realmente, minhas roupas de primavera/verão sem ter que carregar a tira-colo um sobretudo outono/inverno. Uma mísera semana dormindo apenas com um lençol sem ficar soterrada sob quilos de edredons e cobertas.

Só por uma semana eu queria ser normal como o resto do país e não carregar um mini guarda-roupa na minha bolsa.

Mas não dá. Eu moro em Curitiba.

Previsão do Tempo para Curitiba/PR

Previsão para 5 dias
 
Qua, 17/09/08Qui, 18/09/08Sex, 19/09/08Sáb, 20/09/08Dom, 21/09/08
TempoMadrugada

nublado
Manhã

céu com muitas nuvens
Tarde

céu com muitas nuvens
Noite

céu com muitas nuvens
 

céu com muitas nuvens
 

céu com muitas nuvens
 

parcialm. nublado com pancadas de chuva e trovoadas à tarde
 

nublado com pancadas de chuva e trovoadas
TemperaturasMáx. 20º Mín. 8º
Máx. 22ºMín. 8º
Máx. 24ºMín. 9º
Máx. 24º Mín. 12º
Máx. 18ºMín. 13º
Ventosudeste / fraco a moderadonordeste / fraco a moderadonordeste / fraco a moderadonoroeste / moderado a fortesudoeste / moderado
Visibilidadereduzida pela manhãboareduzida pela manhãboareduzida pela manhã e à noite

(IM)PREVISÃO DO TEMPO PARA CURITIBA 

14 setembro 2008

Pequeno tesouro

Com a chegada da internet certos hábitos foram deixados para trás. Um deles é o de escrever cartas. Faz muito tempo que não sei o que é enviar ou receber cartas. Felizmente em minha casa tenho um tesouro bem guardado. Não é muito mas é meu. São cartas que recebi de amigos queridos...

Kátia

Para a minha amiga que adora ler.

Te considero uma amigona! Dou milhões de votos p/ que você seja muito feliz.

Gostaria muito que as coisas com você e o André estivessem bem. Achei 3 coisas na minha agenda aí resolvi escrever aqui p/ você:

"Você está sempre livre para mudar de idéia e escolher um futuro ou um passado diferentes."

"Não existe um problema que não ofereça uma dádiva para você. Você procura os problemas porque precisa das dádivas por eles oferecidas."

(do livro Ilusões - Richard Bach)

"A perda de nossas ilusões é a única perda da qual nunca nos recuperamos."

(Marie Luise de La Ramée)

Sabe antes de conhecer todas vocês 7, eu andava muito deprimida. Acho que naquelas alturas já devia ter enviado um anúncio aos classificados de algum jornal amigal. Mas felizmente encontrei vocês.

PROCURA-SE UM AMIGO

"Precisa saber falar e saber calar, sobretudo saber ouvir. Deve amar ao próximo e respeitar a dor que todos os passantes levam consigo. Procura-se um amigo para não se enlouquecer, para se contar o que se viu de belo e triste durante o dia, para se contar os anseios e as realizações, os sonhos e a realidade. Procura-se um amigo que diga que vale a pena viver, mas não porque a vida é bela, mas porque se tem um amigo. Procura-se um amigo para se parar de chorar. Para não se viver no passado em busca de memórias perdidas. Procura-se um amigo que bata nas costas sorrindo ou chorando, mas nos chame de amigo. Procura-se um amigo que creia em nós. Procura-se um amigo para se ter consciência de que ainda se vive. 

Procura-se um amigo simplesmente um amigo."

Obrigadão por tudo que você fez por mim e pela sua amizade.

Te adoro Ká,

De sua amiga Damaris

SENAI Mário Amato - Semana da Correspondência - dia 10/11/93


Damaris, eu é que agraceço, a você e a todas as outras meninas que me deram pequenos presentes disfarçados de papel de carta e envelope.

08 setembro 2008

Agora não falta mais nada

Eu vou trabalhar de ônibus, vou e volto da faculdade de ônibus também. Claro que às vezes suspiro e penso: ah... se eu tivesse um carro agora... Mas Curitiba está tão cheia de obras e sofreu um boom na venda de carros que muitas vezes é preferivel não ter um. Na verdade eu me acostumei a andar de busão. Com o passar dos anos você vai aprendendo a andar de coletivo e,
como o tempo que passo dentro de um não é tão longo, dá pra ir levando.

Eu ia levando até hoje quando o ônibus em que eu estava parou no terminal e eu vi, incrédula, um sujeito entrar no coletivo carregando no colo nada mais nada menos que uma galinha VIVA!

A bichinha estava confortavelmente instalada dentro da jaqueta do sujeito, só com a cabeça para fora, tipo aquelas mães que carregam seus filhos junto aos seus corpos, presos por um pano.  
Papai e bebê entraram tranquilamente, encostaram em um canto e desceram dois pontos depois como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. 

Eu já viajei com criança chorona, com bêbado, com vileiro que acha que todos devem ouvir as músicas que ele ouve,  com aborrecentes chatos pra caramba  e até com louca beijoqueira, mas com galinha foi a primeira vez.

05 setembro 2008

Probabilidades

IBOPE, Datafolha, Instituto Gallup? Você já foi entrevistado por algum deles? Conhece alguém que já foi? A resposta, na maioria das vezes é não. Em tempos de eleição, em que pipocam pesquisas em todos os cantos do país, a chance de você ser entrevistado deveria ser maior (e pra mim não vale pesquisa feita por telefone, tem que ser tete-a-tete) mas ninguém do IBOPE te para na rua para perguntar em quem você vai votar.

Assim era comigo, até hoje. Qual a probabilidade de, numa sexta-feira às  sete da manhã, a caminho do trabalho, num lugar  sem movimento, uma  entrevistadora do Datafolha te parar para uma pesquisa? Não sou dada à  calculos mas creio que esta probabilidade é pequena.

Agora me diga, qual a probabilidade de uma entrevistadora do Datafolha  encontrar alguém, numa sexta-feira às sete da manhã, a caminho do  trabalho, num lugar sem movimento, disposta a responder a pesquisa  mas  que não pode fazê-lo pois tem uma  irmã que  trabalha num instituto de pesquisa?

Pois é, na Mega Sena a gente não ganha.

31 agosto 2008

Quem disse que as mulheres são complicadas?

Recebi esta tirinha por email e infelizmente não sei a fonte.

Clique na imagem para vê-la melhor

Jurassic Park revisitado

Hum, acho que está na hora do jantar.

Atualmente durmo tão pouco e sempre estou tão cansada que não sonho e se sonho com algo, simplesmente não lembro de nada no dia seguinte.

De sexta para sábado eu sonhei, mas como tive que acordar cedo no sábado, não lembrei de nada na hora em que acordei. Somente à tarde as imagens do sonho vieram à minha mente. Não todas , mas uma boa parte delas.

Era noite, eu estava caminhando por uma calçada próxima à faculdade. De repente olhei para trás e vi... ...um dinossauro (hã?), mais precisamente um velociraptor. O pavor tomou conta do meu corpo.
(parênteses para explicar por que eu tinha razão em ficar apavorada. Imagine você voltando para casa depois de um dia de trabalho emendado em quatro cansativas aulas na faculdade. Tudo o que eu quero nesses momentos é chegar o quanto antes em casa. E vamos concordar que ter um dinossauro no meio do caminho poderia me fazer perder o ônibus. Saber um pouquinho as características do meu amigo dino também não era nada animador:

O velociráptor (Velociraptor mongoliensis, que significa "ladrão veloz") foi um dinossauro carnívoro e bípede que viveu durante o período Cretáceo. Media 1,5 metros de comprimento e pesava aproximadamente 20 quilogramas.Foi um grande predador que provavelmente caçava em bando. Era leve, rápido, possuía ótima visão e um cérebro bastante desenvolvido, além de um poderoso maxilar. Assim como o seu parente próximo, o dinonico, todo velociráptor possuía uma terrível garra retrátil em forma de foice no segundo dedo da pata, usada provavelmente para furar ou rasgar o ventre ou o pescoço da presa.

Dos males o menor. Pelo menos esse que encontrei não levou o resto da família.)

Voltando ao sonho...

Torci para que ele não me visse mas não teve jeito, ele começou a vir atrás de mim. Do outro lado da rua havia uma loja (não lembro que loja era mas quando você tem um monstro devorador atrás de você isso não tem muita importância) e sem pensar duas vezes corri para lá. Havia mais pessoas dentro da loja, tão apavoradas quanto eu. Fechamos as portas e ficamos rezando para que o bicho fosse embora mas que nada, parece que ele tinha realmente gostado de mim, e olha que eu nem sou tão simpática assim. Contrariando a característica de ser um animal rápido e fazendo jus a todos os monstros, psicopatas e assassinos dos filmes de suspense, o bichinho vinha bem devagarinho (já perceberam que o cara do mal sempre vai bem tranquilo atrás da sua vítima enquanto a pobre se acaba de correr?). Quanto mais o dino avançava mais nós íamos nos encolhendo na parte de trás da loja. Como ninguém queria virar jantar começamos a pensar nas rotas de fuga até que alguém disse que existia uma passagem secreta no quintal (por que não falou antes pô!). Era uma espécie de alçapão que dava para um túnel cavado no chão. O problema é que o tal túnel era muito velho, cheio de terra e parecia que desmoronaria a qualquer momento.
Ó duvida cruel, morrer soterrada ou virar jantar de um bicho que já foi extinto a milhões de anos?

Mas neste exato momento o meu celular tocou e eu nunca gostei tanto de ouvir o som irritante daquele alarme.

25 agosto 2008

Às vezes vale a pena acordar cedo


Uma das coisas que eu mais gosto...


...é quando as nuvens estão assim, esparramadas pelo céu.

Passeio no shopping

Hoje fez um bonito dia de sol. Após o almoço saí para dar uma volta. Moro bem pertinho de um shopping mas raramente vou até lá: é caro e muito cheio e não tem nada de extraordinário. Mas acho que só eu penso assim pois se você parar uns cinco minutos próximo à entrada do shopping vai ver uma fila de carros entrando no estacionamento e mais um monte de gente vindo a pé. Lá dentro você é obrigado a andar desviando das outras pessoas. Tem fila para ir ao banheiro e é capaz até de sair no tapa para conseguir uma mesa na praça de alimentação. Isso sem falar do cinema que, mesmo cobrando preços que eu considero abusivos, tem filas que serpenteam diante da bilheteria tudo porque "se eu não assistir o Batman na semana de estréia serei um ser humano inferior". E o que tem de tão legal para fazer lá dentro? Não sei, só se as pessoas que o frequentam acham legal ficar com um bom dinheiro a menos no bolso. Um ingresso para o cinema custa R$ 16,00, pipoca mais refrigerante também, um lanche não sai por menos de R$ 15,00(e ainda estou sendo modesta). Se você tiver filhos então... Que tal então comprar uma calça? R$ 200,00 na promoção. Uma blusinha? R$ 150,00. Fácil, fácil você torra uns R$ 100,00 só em uma voltinha. Aí eu penso: ou sou só eu que ganho muito mal ou tem gente economizando uns três meses de salário só para desfilar um Domingo pelo shopping dando pinta de dono da cocada preta.


15 agosto 2008

Why drums?

Why drums?

Estávamos em mais uma aula de Língua Inglesa Oral e essa era a pergunta que Larry King, em seu programa de entrevistas, fazia a Ringo Starr. A resposta era algo do tipo “porque eu sempre gostei de bateria” ou “porque eu gostava do barulho e de fazer barulho”, resumindo: porque sim.

Porque sim também seria a minha resposta caso alguém perguntasse: por que Letras? Claro que uma resposta aparentemente sem nenhuma fundamentação não satisfaz muita gente. Algumas questões possíveis poderiam ser: Você quer escrever um livro? Tem certeza de que você quer ser professora? Confessa, você escolheu este curso porque a concorrência no vestibular era menor né? Mas, isso dá dinheiro?

Aliás a questão do dinheiro é que impulsiona muitas decisões. Se tal carreira está em alta e com possibilidade de oferecer boas remunerações, pipocam por aí cursos e candidatos a futuros profissionais bem sucedidos. Nada contra ganhar dinheiro, é claro, mas nem sempre é possível conciliar um bom salário com a satisfação de trabalhar naquilo que você ama.

Ouvindo conversas aqui e ali sempre me deparo com a seguinte situação: fulano cursou a faculdade por quatro, cinco anos, fez das tripas coração para pagar a mensalidade caríssima, formou-se, pegou o diploma e não consegue emprego na área ou ainda, quando consegue, o valor de seu salário nem chega perto àquele anunciado como piso inicial da carreira no guia de profissões. Isso desanima qualquer mortal, ainda mais aquele que passou toda a graduação somente pensando no dia da formatura. Com certeza eu não quero demorar mais que o necessário para me formar mas ao invés de ficar somente pensando em o que eu vou fazer quando sair da faculdade, tento “curtir” os momentos que passo lá dentro. Claro que não é fácil trabalhar o dia todo e ainda encarar aulas até as dez da noite. Uma prática muito comum entre os membros da minha turma é, naqueles momentos em que o professor fala algo que para nós parece grego (e acreditem, muitas vezes é), nós nos olharmos com aquela cara de “Meu Deus! O que ele tá dizendo?”. São filósofos, escritores, pensadores, teorias e toneladas de livros que você deveria ter lido, ter conhecido.

Aí vem a crise existencial que no meu caso e dos meus mais caros colegas acontece pelo menos uma vez por semana. Você quer desaparecer, fazer uma fogueira para queimar aquela montanha imensa de xerox que guarda em casa e ficar trancado no seu quarto lendo Sabrina e ouvindo Alexandre Pires.

Mas existem recompensas. Ter aula com professores que já hoje e daqui alguns anos serão considerados os melhores (ou alguns dos) em suas áreas de atuação. Não se sentir perdido ao ouvir alguém citar a Poética de Aristóteles (ainda que tenha lido apenas um capítulo). Conhecer coisas que nem em seus sonhos mais delirantes pensou existirem e melhor ainda, perceber que fazem sentido. Sentir-se burro e esperto, culto e ignorante quase ao mesmo tempo e saber que não está só nesta dicotomia.

O que eu tenho agora é satisfação pessoal. Dinheiro (sem ele não sobrevivemos) é uma meta e tentarei direcionar minha carreira para atingi-la. Ainda acho ser possível. Quem sabe não me torno uma super especialista em alguma área da linguística, uma renomada crítica literária ou publico um best seller? Afinal, quando Ringo começou a tocar bateria ele só queria fazer barulho.



Neste fim de semana acontece no campus Botânico da UFPR a Feira de Profissões. Através de palestras os candidatos à uma vaga nas universidades podem ter uma idéia de como é o curso que escolheram além de visitar os estandes para esclarecer dúvidas com os alunos da graduação

01 agosto 2008

Menos diversão e mais trabalho

Minhas merecidas férias acabaram na última segunda-feira. No trabalho estou atrasada uns 3 dias na conclusão dos meus afazeres. É assim: só eu faço o que eu faço e não é porque sou tão super-ultra competente que ninguém mais pode fazê-lo mas sim porque simplesmente não temos funcionários suficientes. Entonces, tirei férias e o trabalho ficou quietinho, esperando meu retorno. O resultado disso é que farei hora extra amanhã (hunf!).

Na faculdade as aulas começaram em ritmo total, não dos alunos, é claro, mas sim dos professores. Já passaram cronogramas, datas de apresentação de trabalhos, ensaios e até a data das provas. Este semestre estou com a grade horária quase lotada de disciplinas, uma com o nome mais esquisito que a outra: Interculturalidade Franco-Brasileira, Teoria da Literatura e Teoria da História ou Tópicos Especiais da Tradução em que estudaremos o Tractatus Logico-Philosophicus do filósofo Ludwig Wittgenstein. Nem ousem me perguntar de que diabos trata esse livro e muito menos discutir comigo as teorias do Witt. Se eu sobreviver a essa disciplina, quem sabe no final do semestre? Um fato marcante da volta às aulas foi descobrir que simplesmente não temos mais banheiros na Reitoria pois todos estão em reforma e as privadas agora disputam lugar com os alunos nos corredores. Tá apertado pra fazer pipi? Vai ter que percorrer os onze andares do prédio atrás de um WC. Boa sorte!

15 julho 2008

Renato Russo - A Peça

De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei!
Que faço isso prá esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...
Vento no Litoral - Renato Russo
- Você ouvia muita Legião Urbana?
- Bem, na casa da minha tia eu tinha duas opções: Legião Urbana ou Vando. Escolhi a primeira.
E esta escolha de muitos anos (não tinha como ser diferente) levou-me até o Teatro Fernanda Montenegro no último domingo. Casa lotada dos mais diferentes tipos, levados até ali por qual motivo? Fãs da Legião, fãs do Renato ou fãs das letras tão marcantes? Não importa. Para quem esperava um amontoado de tietes até que esses foram discretos. A única manifestação mais acalorada foi de uma fã que, assim que Bruce Gomlevsky (que interpreta o músico) pisou no palco, soltou um sonoro "Renatooooooo", já confundindo criador e criatura. E como não confundir? Como não deixar-se levar pela músicas e principalmente pelas letras que tanto fizeram-se presentes no passado da maioria de nós?
No palco somente ele com suas roupas, seus óculos e sua dança inconfundíveis. No fundo a banda Arte Profana, separada de Renato por uma espécie de vitrine que mais do que a função de distanciar a banda e colocar o ator em primeiro plano serviu de tela para a projeção de imagens relacionadas a cada uma das passagens da vida do líder da Legião. Desde dos quinze anos de idade do futuro músico, época em que ele amargou dois anos preso a uma cadeira de rodas, passando pela sua primeira banda, o Aborto Elétrico até o sucesso com a Legião Urbana a descoberta da sua sexualidade, o nascimento do seu filho e sua morte prematura, todas as falas, choro e euforia do artista eram intercaladas pela apresentação de suas canções.
As músicas, que na sua maioria traziam-me de volta lembranças diversas, ali, naquele momento, costuradas uma a uma nas fases da vida de Renato, passaram a ter outro significado. Talvez até o verdadeiro ou o mais verdadeiro possível. Percebi então que uma mesma música toca diferentes pessoas de diferentes maneiras, mas não deixa nunca de transmitir algo, fosse esse algo a vontade inicial do artista ou não.
Infelizmente não fui a nenhum show da banda. Quando comecei a ouvi-la a maioria dos álbuns já havia sido lançada. Não vi Renato pessoalmente mas domingo, durante aquelas duas horas de peça, posso dizer que fiquei a menos de dois passos de Renato Russo.

02 julho 2008

Preciso de pilhas novas

Sabe aqueles brinquedos eletrônicos “importados” que antigamente dizíamos que eram made in Paraguay mas que hoje são todos (sem exceção) made in China? Cheios de luzinhas piscando, sons de diversos timbres e alturas e que corriam para lá e para cá? Eram tão requisitados pelas crianças que um dia iam ficando fraquinhos, fraquinhos (pilhas também made in China) com os movimentos cada vez mais lentos, o som cada vez mais slooooooooow até que um dia paravam de vez. Eu estou neste estágio. Está na hora de trocar as pilhas, recarregar a bateria. Preciso de férias urgente. Estou quase (esse quase é graças a uma professora que me deixou de final) livre da faculdade, já encerrei mais um semestre de aulas do curso de inglês mas continuo acordando todos os dias às 6 da manhã para ir trabalhar. Tenho um calendário em cima da mesa e nem dava tanta importância à ele mas, nas últimas semanas a vontade de que o dia 11/07/2008 às 16:59 horas chegue logo é tão grande que tenho, religiosamente, riscado do calendário os dia que já se foram. Mas não adianta, por mais que eu os elimine ainda falta uma boa quantidade de dias a serem enfrentados. Até que pela manhã consigo sobreviver com o pouco de energia que me resta. O pior é quando chega lá pelas quatro da tarde, meu dedos simplesmente se recusam a continuar digitando e muitas vezes minhas pálpebras resistem bravamente a permanecerem abertas. Um só pensamento vem à minha mente: dormir, dormir, dormir...

Não tem jeito. Levanto, estico braços e pernas, dou uma volta pela sala, bebo um gole d’água.
Volto para minha mesa e olho para o calendário louca para riscar mais um dia.

Personal Friend

Tempos atrás eu andei reclamando de falta de atenção, falta de companhia. Se eu tivesse conhecido o site desse sujeito antes, não teria perdido tempo reclamando da minha solidão.
Seus amigos não te procuram mais? Tem uma festa para ir mas está sem companhia? Está louca para dançar mas ninguém topa? Já existe a solução: contrate um Personal Friend e divirta-se. Falta de companhia, nunca mais!

01 julho 2008

WALL·E

este é para o Wally

Não existem mais habitantes na Terra. Seus moradores não conseguiram conviver com seu próprio lixo, embarcaram em um cruzeiro galáctico de luxo na estação espacial Axiom e agora viajam através do espaço. Entregaram-se a uma vida ociosa e passam dias e noites sentados em suas poltronas à beira da piscina.

Na Terra a paisagem é marrom. Os prédios das grandes cidades ainda resistem mas são facilmente alcançados pelas montanhas de lixo. Não existe mais água, não existem mais plantas. Só a areia cerca tudo.

No meio desta paisagem agreste está WALL·E (Waste Allocation Load Lifters - Earth Class – algo do tipo “Empilhadeira de Lixo de Uso Terrestre”), um robô programado para juntar todo o lixo abandonado pelos humanos. Diariamente ele segue sua diretriz: juntar, compactar e empilhar blocos e mais blocos de lixo.

Nada mais de humano restou, mas só aparentemente. Por uma ironia, as atitudes mais humanas vêm exatamente de uma máquina. WALL·E, após ficar trabalhando sozinho na Terra durante 700 anos, desenvolveu consciência e personalidade. É doce e inocente e sua única companhia naquele lugar é uma barata, simpática até, considerando que estamos falando de uma barata. Ao chegar em sua “casa”, o robô se distrai assistindo filmes antigos, colecionando quinquilharias e ouvindo música. Sua rotina é alterada no dia em que chega à Terra EVE, uma sonda que tem como missão rastrear o local à procura de uma forma vegetal, um sinal que indicaria aos humanos que a Terra se regenerou e já é hora de regressar.

WALL·E apaixona-se por EVE e tenta de tudo para chamar sua atenção. Ele até consegue arrancar uns minutos da atenção da sonda mas, ao encontrar uma planta, EVE “reseta” e fica à espera da nave que virá buscá-la. WALL·E não sabe o que está acontecendo e é a partir daí que vemos quanto humano o robô é. Ele faz de tudo para acordá-la. Desesperado não sabe o que está acontecendo com sua amada mas não a abandona, mesmo embaixo de chuva e raios até o dia em que a nave retorna e WALL·E deixa tudo para trás para acompanhá-la.


WALL·E é a nova animação da Disney/Pixar. Tem cenas engraçadas e situações divertidas mas por trás de toda a comédia existe um pano de fundo que nos leva à reflexão. Sentimentos como solidão, amor e doação estão lá para serem lidos nas entrelinhas. Não é mais um alerta sobre “o que acontecerá se não cuidarmos bem do nosso planeta”. Todos nós já sabemos disso e só não tomamos uma atitude porque talvez nos falte a sensibilidade que sobra em WALL·E. Em 2.700, ano em que se passa a história, o que havia sido previsto já aconteceu. Fomos expulsos da nossa própria casa pelo lixo que nós mesmos produzimos. Incapazes de fugir aos comandos de BEBA, COMA, COMPRE, CONSUMA fizemos de nosso lar um imenso aterro sanitário. Acostumados ao mundo dos descartáveis simplesmente jogamos fora um planeta inteiro.

Ao contrário das últimas animações que assisti, recheadas de personagens cômicos, falas engraçadas e piadas, na maioria das vezes, bem construídas, WALL·E quase não tem diálogos e as vozes dos personagens foram criadas eletronicamente, dispensando o trabalho dos dubladores. A evolução do enredo se dá quase totalmente através das situações vivenciadas pelo protagonista onde gestos, expressões e comportamentos valem mais que palavras. Talvez aí esteja o grande sucesso do robô empilhador de lixo. Através de seu comportamento consegue ser transmitir sentimentos que vão da felicidade à solidão.


Entre as muitas boas cenas de WALL·E a mais bonita é aquela em que, auxiliado por um extintor conta incêndio, ele dança com EVE pelo espaço. Um verdadeiro balé nas estrelas.

Site oficial: http://www.disney.com.br/cinema/walle/