09 fevereiro 2008

Momento Madame


No meu aniversário do ano passado eu ganhei do meu namorado um vale para um Banho de Furô e uma sessão de Shiatsu. Na verdade eu esperava uma bolsa, um óculos, um perfume, chocolate talvez, mas não um vale como aquele. Pensei: o que vou fazer com isso? Não gosto de salões de beleza, não sou fã de lojas de cosméticos, e não aprecio clínicas de estética. Gosto de me arrumar sim mas não gosto de ter que fazer as mãos e ficar falando de novela, das últimas fofocas dos ricos e famosos ou de ver um bando de peruas desfilando na minha frente. Fora o dinheiro que é gasto em tudo isso. Mas como esse é um mal necessário eu faço um esforço de vez em quando. O presente era válido por um ano e o tempo foi passando, passando e eu finalmente marquei minha sessão (também tive uma ajuda do meu namorado que disse que se eu não usasse o presente do ano passado, não ganharia presente esse ano).

Liguei para o lugar e marquei um horário: quinta-feira, 31 de janeiro, 15:00. A sorte estava lançada. Logo após marcar, recebi uma ligação da Vivenda Águas Cristalinas (é esse o lugar) para responder um pequeno questionário que seria usado para preparar meu banho. A moça me perguntou idade, peso, altura, cor do cabelo, tipo de pele, estado emocional, etc. Então, no dia marcado, lá fui eu para meu banho de furô. Ao chegar fui recebida por uma moça bem simpática que me mostrou o meu “quarto”(não é um quarto de verdade pois tem uma banheira mas também não posso chamar de banheiro então fica sendo quarto mesmo). Eu fiquei nesse aqui:

Em japonês, Furô significa banheira. O banho de imersão é uma prática milenar japonesa e está longe de representar o simples ato de lavar o corpo com água, pois trata-se de um verdadeiro ritual de purificação. O Banho de Furô é utilizado terapeuticamente e combate o stress físico, mental e emocional.

A banheira estava bem cheia e a água bem quentinha e lá fiquei eu por meia hora, pensando na vida, no que eu estava fazendo ali e que, no final das contas, até que não era tão ruim.

Depois de meia hora uma moça bateu na porta e pediu que eu me preparasse para a sessão de shiatsu. Saí da banheira, me enxuguei e coloquei o roupão (imenso). Entrou então uma japonesa de nome Teresa (ela é massoterapeuta) e começou o shiatsu, primeiro de bruços e depois de barriga para cima . É muito bom pois a massagem relaxa todo o corpo. Quase dormi. Tinham alguns pontos do meu corpo onde ela fazia uma pressão a mais e até uns dois dias depois esses pontos estavam doloridos. Foi exatamente uma hora de shiatsu. No final até que eu gostei do meu presente e para quem gosta dessas técnicas alternativas, eu recomendo.



O Shiatsu (shi = dedo, atsu = pressão) consiste em uma técnica de massagem milenar oriental para manter o equilíbrio entre o corpo e a mente. O Shiatsu é uma das ramificações da MTC (Medicina Tradicional Chinesa) e trabalha com a pressão dos dedos (parecido com uma massagem) em cima dos canais de energia do corpo (meridianos), equilibrando assim sua energia vital. Segundo os orientais, existe no organismo uma energia vital dividida entre forças opostas complementares (Yin, Yang). Essa massagem, procura equilibrá-las, trazendo uma sensação de bem estar ao corpo. A técnica consiste numa compressão suave em vários pontos dos meridianos (caminhos de energia que percorrem o corpo ). Os toques estimulam ou sedam a energia acumulada, melhorando o funcionamento dos órgãos de acordo com a necessidade da pessoa. O Shiatsu é extremamente recomendado para problemas de coluna, estresse, insônia, problemas de deficiência funcional de órgãos, como problemas de rim, problemas com evacuação e até mesmo uma simples queimação de estômago, problemas psicossomáticos como depressão, baixa auto-estima, e uma infinidade de outros males. O Shiatsu é uma terapia preventiva, mas também pode ser usado como terapia complementar em certos tratamentos clínicos.
Fotos e dados retirados do site http://www.furoyugyo.com.br/ antigo endereço da Vivenda Águas Cristalinas

30 janeiro 2008

Bolo, brigadeiro e cia.

Flickr - Galeria de Rebaa
Hoje é aniversário da minha irmã. Minha mãe fez um bolo e nós cantamos parabéns pra você, nesta data querida... Mas só nós aqui de casa. Hoje não temos mais as festas que tínhamos antigamente com direito a balões, brigadeiros e língua de sogra. Bons tempos aqueles. Todo ano tinha festa. Eu, particularmente não gosto muito de festas e gosto menos ainda quando é a minha festa. Nunca gostei pois quando criança eu era tímida elevada à nona potência (hoje já sou elevada ao cubo) e a pior hora para mim era justamente o auge da festa: “a hora do parabéns”. Sentia-me mal com as luzes apagadas, aquela vela acesa debaixo do meu nariz e todos batendo palmas, cantando e olhando pra mim com aqueles olhos vidrados (se bem que os olhares vidrados estavam bem mais direcionados aos doces do que a mim). Não gostava e ainda não gosto de ser o centro das atenções e na sua festa de aniversário você não tem como fugir disso. Mas tudo tem seu lado bom. Eu adorava os preparativos para a festa. Enrolar (e comer) brigadeiro, beijinho, cajuzinho, embrulhar as balas de coco naqueles papéis coloridos, encher os balões e espalhá-los pela sala. E o bolo? Como era bom lamber a tigela do recheio... O dia depois da festa também era compensador. Sempre sobrava brigadeiro, o meu docinho predileto, e bolo e eu podia comer sossegada, esticando um pouquinho mais aquele clima de festa.

Flickr - Galeria de Paco CT

Os aniversários de hoje podem ser diferentes dos de antigamente, mas uma coisa não mudou: tem um pratinho de bolo me esperando lá na geladeira.

22 janeiro 2008

O caso da Bala Soft

Ao lerem esse título muitos irão lembrar-se, primeiro com saudade e nostalgia e logo em seguida com horror e desespero, dessa famosa guloseima. Quando abríamos um pacotinho de balas Soft tínhamos a mesma sensação de um pirata que abre o baú do tesouro: aquelas jóias, digo, balas tão coloridas ofuscavam nossa visão, entorpeciam nossos sentidos e só pensávamos em uma coisa: degustá-las, uma após a outra, até o fim do pacote. Mas aquelas balas traziam com elas um perigo mortal. Seu formato anatômico fora desenvolvido especialmente para um encaixe perfeito na traquéia das vítimas. Lembro que sempre que ia chupar uma bala meus pais diziam: cuidado para não engolir. Tá, tudo bem demonstrar preocupação mas, diante do perigo iminente, não seria mais sensato parar de comprar as balas e assim afastar definitivamente a ameaça de sufocamento seguido de morte? Eu consegui escapar ilesa por muito tempo. Algumas vezes, estando a bala bem lisa e escorregadia em minha boca, ela sorrateiramente deslisava em direção a minha garganta mas eu sempre conseguia evitar o pior. Na verdade eu tinha medo pois ela era realmente muito escorregadia e sempre chupava com atenção redobrada. Mas o gosto da bala era tão bom que lá estava eu novamente com uma na boca. E depois de algum tempo fui me acostumando com o formato das balas e já sabia controlá-las muito bem. Infelizmente é quando você se sente mais confiante que os acidentes acontecem. Era uma bela tarde de sol (na verdade não lembro se era uma bela tarde de sol, mas assim fica mais poético) e eu brincava na sala da casa do meu avô. Minha mãe e minha avó também estavam lá (hoje tenho quase certeza que elas foram enviadas por Deus para estarem no lugar certo, na hora certa). Como sempre eu chupava uma bala Soft, ela era vermelha, sabor morango. De repente, numa fração de segundo, a bala escorregou goela abaixo. Primeiro foi o susto, em seguida o desespero. Minha mãe e minha avó perceberam o que estava acontecendo e começaram a tentar me desengasgar dando tapinhas nas minhas costas e mandando que eu cuspisse a bala. Não adiantou. Eu estava ficando sem ar e de repente o mundo ficou de ponta cabeça. Estaria eu desmaiando ou morrendo? Não. Num ato de desespero minha mãe me agarrou pelos tornozelos, segurou bem firme para que eu ficasse suspensa no ar de ponta cabeça e começou a me chacoalhar para cima e para abaixo. Após alguns segundos vendo o tapete ficar perto e longe, perto e longe, perto e longe, a bala finalmente saiu da minha garganta e caiu no chão. Foi a minha última experiência com aquelas balas.
Fico pensando se quem criou esta bala não pensou um dia em utilizá-la como arma de guerra.

18 janeiro 2008

I Am Legend



Ontem assisti à pré-estréia do filme I Am Legend com Will Smith no papel principal. Mas antes de tecer meus comentários a respeito do filme tenho que falar em como consegui assistir a esta pré-estréia.

Tarde de quinta-feira, recebo uma mensagem do meu namorado convidando-me para assistir à pré-estreia de I Am Legend - de graça pois ele havia ganho um convite que dava direito a um par de ingressos. Opa! Assistir a um filme em primeira mão e sem pagar nem um centavo é coisa que ninguém deixa passar. O filme começava às 21:30, então jantamos primeiro e lá por umas nove horas fomos dar uma olhada no movimento do cinema. Pensávamos (pobres mortais) que não haveria muita gente, mas qual não foi a surpresa ao ver que, faltando meia hora para o início da sessão, já havia se formado uma fila considerável. Lá fomos nós, pacientemente, esperar meia hora na fila. Pouco depois liberaram a entrada e a sala de cinema começou a encher, encher e encher. Todos os lugares já estavam ocupados, até aqueles acentos da primeira fila onde ninguém gosta de sentar, mas não parava de entrar gente. Ah! Todos que foram assistir ao filme tinham o convite e uma parte desses convites fora ditribuído por uma estação de rádio. Tinha carrinho de pipoca e refrigerante dentro da sala do cinema, teve sorteio de brinde da rádio, tinha gente já se ajeitando na escada mesmo pois não tinha mais poltrona, mas continuava a chegar gente. Os "organizadores" do evento viram que era bunda demais para pouca poltrona e resolveram liberar também uma outra sala para a exibição. E assim, após um atraso de meia hora, pude assistir ao filme.

Dica: cuidado com promoções de rádio e com pessoas generosas que lhe oferecem convites para cinema.

Ok, vamos ao filme.

Ele segue a linha Armagedon e Independence Day mas desta vez a ameaça de extinção não vem do espaço. Ao "descobrirem" a cura definitiva para o câncer, os cientistas na verdade condenam toda a raça humana à destruição através de um vírus modificado geneticamente e que é transmitido pelo ar. Muito mais próximo da realidade do que a invasão por marcianos já que todos nós somos testemunhas do que as ações humanas podem causar na natureza.

Você pode pensar "ah, essa história do mocinho que salva toda a humanidade eu já estou cansado de ver". Pode até ser, mas para mim, que não costumo ser fã de filmes catástrofes, a história é muito boa. Talvez o sucesso do filme deva-se à sua primeira meia hora. Você tem apenas uma idéia do que aconteceu e sente-se tão sozinho e perdido quanto o coronel Neville. O clima de suspense também é bastante intenso tanto que a todo momento tinha pelo menos uma pessoa pulando na poltrona no cinema. Não posso deixar de falar da fiel companheira de Neville, a simpática e dócil cadela Samantha (Sam para os íntimos). A relação entre ela e o coronel deixa o clima de tensão do filme um pouquinho mais suave e quando você se dá conta já está apaixonado pela Sam.

Robert Neville (Will Smith) is a brilliant scientist, but even he could not contain the terrible virus that was unstoppable, incurable...and manmade. Somehow immune, Neville is now the last human survivor in what is left of New York City...and maybe the world. But he is not alone. He is surrounded by “the Infected” - victims of the plague who have mutated into carnivorous beings who can only exist in the dark and who will devour or infect anyone or anything in their path. For three years, Neville has spent his days scavenging for food and supplies and faithfully sending out radio messages, desperate to find any other survivors who might be out there. All the while, the Infected lurk in the shadows, watching Neville’s every move, waiting for him to make a fatal mistake. Perhaps mankind’s last, best hope, Neville is driven by only one remaining mission: to find a way to reverse the effects of the virus using his own immune blood. But his blood is also what The Infected hunt, and Neville knows he is outnumbered and quickly running out of time.

16 janeiro 2008

O dia em que roubaram meu trono

"Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!... "

Casimiro de Abreu

Se eu fosse escrever um poema sobre a minha infância, ao invés de "Meus oito anos" eu o chamaria de "Meus seis anos". Por quê? Pelo simples fato de que até os meus seis anos eu era a criança da casa, a dona da bola, a única soberana que reinava deslumbrante naquele reino chamado Lar. Tudo era meu: bandejas de Danoninho, barras de chocolate, pacotinhos de Cheetos... Tudo era para mim: brinquedos, mimos, passeios, festinhas de aniversário... Depois dos meus seis anos vieram meus irmãos e meus primos para pôr em risco o meu trono. Muitos devem estar pensando "nossa, que menina mais egoísta!", mas aqueles que são primogênitos concordarão comigo. O mundo nunca mais é o mesmo após o nascimento do seu primeiro, segundo, terceiro irmão. Não que isso seja ruim. É sempre bom ter irmãos, alguém com quem brincar e principalmente brigar. É sempre bom ter companhia. O problema é que, ao contrário dos filhos que se multiplicam, o danoninho e o chocolate não. Não existe mais o meu, agora tudo é nosso e será assim até a idade adulta. Minha mãe vive falando que quando a minha irmã nasceu eu fazia questão de não chegar perto. Não era por maldade (eu acho), nas eu tinha que defender meu território e mostrar àquele bebê com cara de joelho quem é que dava as ordens alí. A verdade é que, por mais que você faça birra e manha, um dia vai ter que se acostumar a dividir suas coisas e (tentar) viver em harmonia.

Os anos passaram, nasceu também meu irmão e acho que conseguimos superar nossas crises infantis. Atualmente só brigamos por coisas sérias como quem vai usar o computador ou comer a última fatia de bolo.

ps.: Para que não fiquem pensando mal de mim, esclareço que amo meus irmãos. Isso é só um desabafo pois a história do Danoninho me marcou profundamente.
Irmãzinha, não fique brava pela "cara de joelho" pois você era o joelho mais lindo do berçário.

15 janeiro 2008

Viagem animada

Poucas vezes andei de trem quando morava em São Paulo mas todas elas foram bem divertidas. Essa "diversão" era garantida pelos vendedores ambulantes que passeavam de vagão em vagão oferecendo seus produtos àquela distinta clientela. De chicletes à caixa de ferramentas, para comprar o que você queria não era nem preciso descer do trem. Está com fome? Lá vem o vendedor de salgadinhos. Muito calor? Que tal uma cerveja geladinha? Entediado com a viagem? Basta comprar um minigame para passar o tempo. Além de vendedores eles eram também equilibristas. Achava incrível como eles conseguiam trafegar de vagão em vagão carregando uma caixa de isopor cheia de latinhas de refrigerante sem segurar em nada e sem cair, só acompanhando o balanço do trem. Uma das viagens mais marcantes aconteceu num sábado de manhã. Peguei o trem na estação e eis que no canto do vagão, cercada por algumas pessoas estava uma dupla sertaneja, tudo bem que era uma dupla desconhecida - pelo menos para mim - mas não deixava de ser uma dupla sertaneja. De violão em punho e voz quase afinada os cantores alegravam a viagem cantando modas de viola. Juro que na hora não conseguia acreditar no que meus olhos viam e meus ouvidos ouviam mas era tudo verdade pois, no final do show, houve até aplausos.


Aqui em Curitiba nós não temos trem mas temos ônibus biarticulado. Confesso que já estava cansada de ver sempre as mesmas figuras:


-um cara que se recuperou do vício vendendo canetas para a instituição que trata de dependentes químicos.

- um deficiente auditivo vendendo aquelas cartelinhas com a linguagem de sinais.

- um homem com a foto de uma criança doente pedindo doações para ajudar na cirurgia.

- uma mulher de muletas (embora possa andar sem elas) pedindo doações para outra criança.

- a Maria Louca (ela é uma figura tão peculiar que merece uma post só para ela, então para quem ficou curioso, aguardem).


Mas Domingo tive uma surpresa. Peguei o ônibus para ir até o centro da cidade e no meio do caminho surgiram três peruanos para alegrar a viagem. Com uma flauta, um bandolim e um pandeiro começaram a tocar e cantar "la verdadera música de los andes". Eu adorei. Os outros passageiros também mas, como estamos em Curitiba, a maioria continuou fazendo cara de sério. Além da música, outra qualidade daquele trio era o equilíbrio e olha que os ônibus daqui chacoalham bem mais que os trens de São Paulo. Ao final da apresentação aplausos e uma "pequena contribuição para os artistas".

13 janeiro 2008

Sansara


A idéia original era que fosse Salem, mas para ser Salem teria que ser menino e com pêlos pretos (sabe gato preto de sexta-feira 13?) mas ao invés disso apareceu uma pequenina bola peluda com pêlo rajado e lindos olhos azuis. E menina. Como resistir àquele charme que têm todos os filhotes peludos? Ela tinha apenas dois meses quando veio morar aqui em casa. Será que aquele pinguinho de gente saberia defender-se de nossas duas cachorras?



Apesar de serem dóceis, Penélope e Cindy, seguindo a tradição canina, detestam gatos. Pois bem, Sansara teria que ser monitorada 24 horas por dia o que diga-se de passagem, não é uma tarefa difícil quando você adora gatinhos peludos e fica todo bobo só de ver eles bocejarem ou correrem atrás de um novelo de lã. As cachorras, é claro, não gostaram nada da idéia de terem mais uma moradora na casa, ainda mais sendo uma felina. Sempre que viam uma brecha corriam para cima da gatinha. No começo ficamos preocupados com essas tentativas de assassinato mas logo vimos que não era necessário. Primeiro porque a Sansara corria mais que elas e podia alcançar lugares altos e segundo porque, mesmo que ela fosse encurralada, ela tinha muitas garrinhas afiadas que poderiam defendê-la. A primeira a fazer o teste foi a Cindy. Encurralou a gatinha e saiu chorando após levar um arranhão no focinho. Foi necessária somente uma vez para que ela compreendesse que era melhor ser amiga da gatinha. Penélope, por sua vez, parece que nada aprendeu com o acidente da companheira e não sossegou enquanto não levou também um arranhão. Pronto, em pouco tempo Sansara havia conquistado seu espaço na casa e era comum ver as três brincando juntas.



Ela é a única que tem permissão para entrar em casa e faz isso pulando a janela ou miando na porta até alguém abrir. Se estamos distraídos ou ocupados, ela se aproveita da situação e tira longos cochilos em uma das camas mesmo sabendo que depois de descoberta levará uma bela bronca. Ela não é uma gata que gosta de ficar vadiando por aí. Prefere tirar longos cochilos num canto sossegado da casa mas, quando desaparece, podem apostar que está aprontando algo como brigar com algum gato na rua ou caçar passarinhos (pelas minhas contas ela já abateu uns quatro). Apesar desse seu lado serial killer ela é uma gatinha muito carinhosa e está sempre disposta a ganhar um cafuné. Posso dizer que a Sansara não só conquistou um lugar na casa como também um lugar em nossos corações.

12 janeiro 2008

Meu nome não é Johnny


“O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos (...)” Marguerite Yourcenar



Deixando o romance de lado, ontem fui assistir ao filme Meu nome não é Johnny. Filme brasileiro com Selton Mello no papel de João Estrella. Difícil de acreditar que uma pessoa mergulhada no vício e no tráfico de drogas possa reabilitar-se. Mas João Guilherme Estrella está aí para provar que isso é possível. Selton Mello tem uma ótima atuação e faz o público tanto rir como quase chorar.



Ele tinha tudo. Menos limite. João Guilherme Estrella era um típico jovem da classe média, que viveu intensamente sua juventude. Inteligente e simpático, era adorado pelos pais e popular entre os amigos. Com espírito aventureiro e boêmio, mergulhou em todas as loucuras permitidas. E também nas não permitidas. No início dos anos 90, se tornou o rei do tráfico de drogas da zona sul do Rio de Janeiro.
Investigado pela polícia, foi preso e seu nome chegou às capas dos jornais. Em vez de festas, passou a freqüentar o banco dos réus. Sua história revela sonhos e dramas comuns à toda juventude.
"Meu nome não é Johnny" é baseado em uma história real.


Fonte: http://www.meunomenaoejohnnyfilme.com.br/

06 janeiro 2008

P.S. I Love You


Minha primeira opção, quando vou aos cinemas, não são os romances. Antes vêm os desenhos, comédias, aventuras, dramas, comédias românticas e então...romances. Mas fiquei com vontade de assistir este filme, talvez porque não seja um romance clichê uma vez que o mocinho passa a maior parte de filme morto (não, não é um remake de Ghost). Fala do amor entre duas pessoas? Sim! Mas fala também de estar sozinho, de sentir-se sozinho e de enxergar que, mesmo sozinhos temos que continuar vivendo.


"Holly Kennedy (Hilary Swank) is beautiful, smart and married to the love of her life - a passionate, funny and impetuous Irishman named Gerry (Gerard Butler). So when Gerry's life is taken by a illness, it takes the life out of Holly. The only one who can help her is the person who is no longer there. Nobody knows Holly better than Gerry. So it's a good thing he planned ahead.


Before he died, Gerry wrote Holly a series of letters that will guide her not only through her grief but in rediscovering herself. The first message arrives on Holly's 30th birthday in the form of a cake and,to her otter shock, a tape recording from Gerry, who proceeds to order her to get out and "celebrate herself". In the weeks and months that follow, more letters from Gerry are delivered in surprising ways, each sending her on a new adventure and each signing off in the same way: P.S. I Love You.


Holly's mother (Kate Bates) and best friends, Denise (Lisa Kudrow) and Sharon (Gina Gershon), begin to worry that Gerry's letters are keeping Holly tied to the past, but, in fact, each letter is pushing her further into a new future.


With Gerry's word as her guide, Holly embarks on a touching, exciting and offen hilarious journey of rediscovery in a story about marriage, friendship and how a love so strong can turn the finality of death into a new beginning for life."



Fonte: http://psiloveyoumovie.warnerbros.com/

12 dezembro 2007

Ansiedade?


A minha ansiedade aumenta na medida em que tenho menos tempo OU meu tempo torna-se mais escasso na medida em que fico mais ansiosa? Na verdade não importa se Tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho. Sempre fui ansiosa ou, falando de outro jeito, nunca tive paciência de esperar. Talvez essa minha impaciência tenha começado junto com as viagens de férias que fazia à casa de meus avós. Eram seis horas dentro do ônibus (tá, comparado àqueles que viajam de São Paulo ao Ceará isso é fichinha) e isso para uma criança de uns 4 anos que passava mal e vomitava a viagem toda, era um martírio. Martírio esse compartilhado com meus pais, é claro. Primeiro agüentavam as minhas incessantes perguntas : Estamos longe? Já estamos chegando? Falta quanto?, e depois, bem, se vocês tiverem um filho que passe mal em viagens saberão do que estou falando.

Também nunca tive paciência para trabalhos manuais. Eu queria ver a coisa pronta e não ter que fazer com calma até ficar pronto. Por isso nunca cheguei ao fim de uma escultura de papel machê, nunca consegui passar do estágio da correntinha no crochê e nunca cozinhei bem. Esperar 45 minutos para assar um bolo era demais para mim. Teve um tempo em que eu vivia em função do que iria acontecer a seguir. Por exemplo, tinha uma festa para ir no sábado e hoje ainda era terça, o que acontecia? Ficava pensando na festa a semana toda. Para as crianças isso não é tão prejudicial assim pois na infância o tempo demora bem mais a passar. O problema é quanto nos tornamos adultos, e pior ainda, adultos na era digital.

Como hoje tudo acontece mais rápido, tendemos a acelerar cada vez mais nossas vidas. Antes você escrevia uma carta, colocava-a dentro de um envelope, grudava um selo (um tipo de adesivo colorido que servia para provar que você estava pagando pela postagem) e dirijia-se até a caixa do correio (um grande receptáculo amarelo geralmente de plástico ou policarbonato com uma fenda na frente por onde eram colocados os envelopes). Essa carta então levava uns dois ou três dias para chegar ao seu destino se você morasse razoavelmente perto do destinatário. E a resposta? Bom, demorava uma semana, uma semana e meia mas sempre chegava. Hoje é assim: “Mas eu te mandei esse e-mail há 5 minutos! Por que você ainda não respondeu?”

Com essa super aceleração da comunicação e das relações acabamos querendo fazer mais coisas do que realmente conseguimos. Com isso surge o outro lado da moeda, a procastinação*. Por ser tudo bem mais fácil e mais rápido e por termos muito mais coisas a fazer acabamos negligenciando nossas tarefas, sejam elas profissionais ou pessoais. É tão simples emitir uma declaração pela internet ou enviar aquela mensagem, por que não deixamos para depois, e depois, e depois? O problema é que esse depois vira vício. Temos meios muito eficientes para desempenhar nossas tarefas mas por eles serem assim, tão eficientes, acabamos deixando tudo para mais tarde. Quando nos damos conta está tudo em cima da hora.

Seria a solução, tanto da ansiedade quanto da procastinação, a desaceleração? Acho que sim. Se pisamos no freio e vivemos uma coisa de cada vez conseguimos controlar a ansiedade. Se controlamos a ansiedade e damos atenção àquilo que estamos vivendo agora, diminuímos os nossos atrasos constantes. Mas não é fácil desacelerar em mundo onde todos querem tudo para ontem.


* deixar para amanhã, postergar.
Foto: Flickr - Álbum de Tataughina

11 dezembro 2007

A Alma Imoral


Assistido por mais de 50 mil pessoas, A Alma Imoral é uma adaptação de Clarice Niskier para o teatro do livro homônimo do rabino Nilton Bonder. Com humor fino e delicadeza, a atriz e dramaturga – vencedora do Prêmio Shell 2007, melhor atriz – coloca em cena as reflexões do rabino sobre o certo e o errado, a obediência e a desobediência, as fidelidades e as traições através de histórias e parábolas judaicas. A partir de narrativas ancestrais, Clarice leva o espectador a percorrer o caminho defendido pelo rabino, de que é preciso transgredir para evoluir. Segundo o pensamento de Nilton Bonder, “não existe tradição sem traição, duas palavras de escrita e fonética tão semelhantes em nossa língua quanto o são interligadas em seu significado mais profundo". É a partir desta idéia que a Alma Imoral propõe uma nova forma de olhar. Um olhar que pressupõe o entendimento de que toda moeda tem o seu reverso, que os opostos são absolutamente necessários, que a obsessão pela fidelidade e tradições inviabiliza a possibilidade de novos caminhos.



Teatro da Caixa – Rua Conselheiro Laurindo, 280 tel 2118 5111
www.caixacultural.com.br classificação 18 anos

APRESENTAÇÕES:
7, 8, 9, 14, 15 e 16 de dezembro – sexta e sábado 21h – domingo 19h

Fonte : Divulgação Caixa Cultural
Fotos: site da peça

Por indicação de um colega assisti à peça no último sábado. Muitas das coisas que vi e ouvi lá estão ainda na minha cabeça (ou seria na minha alma?) mas passá-las para o papel não é tarefa fácil portanto recomendo que assistam. Mas mais que uma peça a ser assistida, ela é uma peça para ser sentida. Sei que prometi a uma pessoa que escreveria minhas impressões sobre ela mas como disse, não é tarefa fácil. O texto veio de encontro com algumas coisas que eu já tinha em mente e lançou mais algumas dúvidas. O que é certo? O certo é o correto? Será que estou conduzindo minha vida da maneira que ela deve ser conduzida? Ainda não sei as respostas (nem sei ainda todas as perguntas!) mas sei que essa peça mexeu comigo e provavelmente com boa parte daqueles que estavam no teatro, cada um a sua maneira.

Estava ouvindo agora a música feita para A Alma Imoral e ela me levou de volta àquele clima intimista, desafiador mas ao mesmo tempo aconchegante. A vontade de repetir a dose no próximo fim de semana é bem grande.

Gostei bastante do texto, então comprei também o livro.

Não há tradição sem traição. Não há traição sem tradição.

22 novembro 2007

Mentiras

Recebi esta mensagem por email. Normalmente leio as mensagens que me enviam e deleto, não tenho paciência de ficar repassando. Mas esta mensagem casou com muitas coisas que penso e achei uma coisa legal de compartilhar (pelo menos com as mulheres). É uma crônica da escritora e colunista Danuza Leão. Não sei quando nem onde foi publicada mas vale a pena ser lida.

"Quantas mentiras nos contaram; foram tantas, que a gente bem cedo começa a acreditar e, ainda por cima, a se achar culpada por ser burra, incompetente e sem condições de fazer da vida uma sucessão de vitórias e felicidades.

Uma das mentiras:

É a que nós, mulheres, podemos conciliar perfeitamente as funções de mãe, esposa, companheira e amante, e ainda por cima ter uma carreira profissional brilhante .

É muito simples: não podemos.

Não podemos. Quando você se dedica de corpo e alma a seu filho recém-nascido, que na hora certa de mamar dorme e que à noite, quando devia estar dormindo, chora com fome, não consegue estar bem sexy quando o marido chega, para cumprir um dos papéis considerados obrigatórios na trajetória de uma mulher moderna: a de amante .

Aliás, nem a de companheira. Quem vai conseguir trocar uma idéia sobre a poluição da Baía de Guanabara se saiu do trabalho e passou no supermercado rapidinho para comprar uma massa e um molho já pronto para resolver o jantar, e ainda por cima está deprimida porque não teve tempo de fazer uma escova?

Mas as revistas femininas estão aí, querendo convencer as mulheres - e os maridos - de que um peixinho com ervas no forno com uma batatinha cozida al dente, acompanhado por uma salada e um vinhozinho branco é facílimo de fazer - sem esquecer as flores e as velas acesas, claro, e com isso o casamento continuar tendo aquele toque de glamour fun-da-men-tal para que dure por muitos e muitos anos.

Ah, quanta mentira!

Outra grande, diz respeito à mulher que trabalha; não à que faz de conta que trabalha, mas à que trabalha mesmo. No começo, ela até tenta se vestir no capricho, usar sapato de salto e estar sempre maquiada; mas cedo se vão as ilusões. Entre em qualquer local de trabalho pelas 4 da tarde e vai ver um bando de mulheres maltratadas, com o cabelo horrendo, a cara lavada, e sem um pingo do glamour - aquele - das executivas da Madison.

Dizem que o trabalho enobrece, o que pode até ser verdade. Mas ele também envelhece, destrói e enruga a pele, e quando se percebe a guerra já está perdida.

Não adianta: uma mulher glamourosa e pronta a fazer todos os charmes - aqueles que enlouquecem os homens - precisa, fundamentalmente, de duas coisas: tempo e dinheiro.

Tempo para hidratar os cabelos, lembrar de tomar seus 37 radicais livres, tempo para ir à hidroginástica, para ter uma massagista tailandesa e um acupunturista que a relaxe; tempo para fazer musculação, alongamento, comprar uma sandália nova para o verão, fazer as unhas, depilação; e dinheiro para tudo isso e ainda para pagar uma excelente empregada - o que também custa dinheiro.

É muito interessante a imagem da mulher que depois do expediente vai ao toalete - um toalete cuja luz é insuportavelmente branca e fria, retoca a maquiagem, coloca os brincos, põe a meia preta que está na bolsa desde de manhã e vai, alegremente, para uma happy hour.

Aliás, se as empresas trocassem a iluminação de seus elevadores e de seus banheiros por lâmpadas âmbar, os índices de produtividade iriam ao infinito; não há auto-estima feminina que resista quando elas se olham nos espelhos desses recintos.

Felizes são as mulheres que têm cinco minutos - só cinco - para decidir a roupa que vão usar no trabalho. Na luta contra o relógio, o uniforme termina sendo preto ou bege para que tudo combine sem que um só minuto seja perdido.

Mas tem as outras, com filhos já crescidos. Essas, quando chegam em casa, têm que conversar com as crianças, perguntar como foi o dia na escola, procurar entender por que elas estão agressivas, por que o rendimento escolar está baixo.

E ainda tem as outras que, com ou sem filhos, ainda têm um namorado que apronta, e sem o qual elas acham que não conseguem viver .
Segundo um conhecedor da alma humana, só existem três coisas sem as quais não se pode viver: ar, água e pão.

Convenhamos que é difícil ser uma mulher de verdade; impossível, eu diria.
Parabéns para quem consegue fingir tudo isso.... "

Danuza Leão

21 novembro 2007

Quanto vale ou é por quilo?

Ontem, Dia da Consciência Negra, assisti ao filme "Quanto vale ou é por quilo?".




Foto retirada do site oficial do filme

O filme é uma livre adaptação do conto "Pai contra Mãe" de Machado de Assis, entremeado com pequenas crônicas de Nireu Cavalcanti sobre a escravidão, extraída dos autos do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e se passa em duas linhas temporais: no século XVIII com a escravidão explícita e o comércio de escravos e nos tempos atuais com a exclusão social e seu sinônimo velado.

A escravidão existiu por que os brancos realmente achavam os negros seres inferiores que só serviam para desempenhar as tarefas mais pesadas?

Não. A escravidão existiu porque também já existiam pessoas sem caráter e o dinheiro falava mais alto. Alguma diferença com os dias atuais? Pessoas sem caráter continuam existindo e aumentaram, na mesma proporção em que aumentou a população do Brasil. O dinheiro fala mais alto que nunca. Quem são os escravos de hoje? É só olhar ao redor, ou quem sabe no espelho.




Foto retirada do site oficial do filme

20 novembro 2007

Like a fish out of water


Para aqueles que como eu não suportam frescura, choradeira e reclamação é melhor parar a leitura por aqui pois aí vem o Momento Diarinho (até os mais duros corações passam por isso).

Desde que me conheço por gente existem momentos em que me sinto totalmente fora d´água. Nunca fui de falar muito. Provavelmente quando eu era criança muitos deviam achar que eu era muda. Mas como de criança tudo se perdôa, consegui sobreviver sem muitos traumas. Tinha as minhas amiguinhas na escola, brincávamos juntas, ficávamos de mal para o resto de nossas vidas e cinco minutos depois já fazíamos as pazes. Eu era feliz! Muda mas feliz.

Quando eu tinha dez anos e ia passar da quarta para a quinta série, meus pais cometeram aquilo que para uma criança é o pior dos pesadelos: eles mudaram de cidade. Basta dizer que eu fui um dia para a aula e nos três seguintes fiquei em casa, de cama, devido a uma crise de bronquite de fundo emocional. Se fiquei amiga de umas duas meninas foi muito. O restante da sala me odiava. Pelo menos eu descobri a leitura. Passava a hora do recreio inteira enfiada na biblioteca. Eu era infeliz! Nerd e infeliz.

Esse tormento durou um ano. No ano seguinte nós mudamos de casa (só de casa, desta vez continuei na mesma cidade) e eu de escola. Para mim não fazia muita diferença mudar de um lugar onde todos me odiavam para outro onde não notavam a minha existência. Até que desta vez foi um pouco melhor. Conheci uma menina chamada Kellen que tornou-se uma grande companheira e no condomínio onde eu morava todos se conheciam e eu passava as tardes me divertindo. Eu era feliz! Em parte feliz.

Após três anos e meio eu estava na metade da oitava série e adivinhem o que aconteceu? Mudança. Voltamos para São Paulo. Uma coisa ruim é ser transferida de uma escola para outra e iniciar o ano letivo com um monte de gente que você não conhece. Já uma tragédia é quando você é transferido de uma escola para outra na metade do ano. Chorei, chorei e chorei quando fui fazer a matrícula na nova escola e bati o pé dizendo que não voltaria a estudar. Preferia trabalhar a colocar meus pés naquela escola. Enfim, como pré-adolescente não tem vontade própria tive que freqüentar as aulas. O meu consolo é que seriam menos de seis meses. Eu era infeliz! Conformada e infeliz.

No ano seguinte estava eu em uma nova escola. Desta vez não foi por causa de nenhuma mudança. Eu já estava no segundo-grau (atual ensino médio) e entrei em uma escola técnica. Tinha aulas das 7:15 da manhã até as 4:15 da tarde. Pode parecer muito cansativo para alguns mas para mim era o paraíso. Hoje olho para trás e digo com certeza que foi a melhor época da minha vida. As amizades que fiz lá, e que não foram poucas, estarão para sempre guardadas no meu coração e na minha memória. Eu era feliz! Extremamente feliz!

Terminado o curso cada um teve que seguir seu rumo e o meu, por motivo de força maior, foi uma breve escala no interior de São Paulo (onde o peixinho aqui quase morreu de tanto ficar fora d´água) e depois para Curitiba. Foram sete anos com notícias esporádicas e até sem nenhuma notícia dos meus queridos amigos que ficaram lá longe. Teve uma época em que eu me sentia tão sozinha e com tanta saudade que eu chegava a sonhar com a turma toda. Quando acordava sentia uma sensação de vazio imensa. Fiz algumas amizades onde trabalhei, com uma pelo menos tenho contato de tempos em tempos. Onde trabalho atualmente tenho aquelas pessoas queridas também, que sentam junto para dar risada

Alguns anos se passaram do dia em que eu terminei meu curso técnico até o dia em que eu voltei a ter aulas, desta vez na faculdade. Novamente, não conheço muita gente. Continuo não falando muito e isso por vezes é mal interpretado. O que eu tenho raiva às vezes é de quem pega no meu pé por esta característica. Por que não vão encher o saco de quem fala demais? (ops! nível de agressividade subindo) Acho que posso dizer que tenho amigos no mundo acadêmico (só para ficar mais chique), pelo menos eu os considero assim. Mas continuo sentindo-me um peixinho numa bacia rasa. Talvez falte cuidado da minha parte, mais dedicação. Como qualquer outra relação humana a amizade deve ser cuidada, deve ter atenção. Eu poderia dizer que isso não é fácil nos dias de hoje e todo aquele papo que envolve mais tecnologia e menos tempo, mas isso não vai diminuir o vazio que sinto. Vontade de compartilhar segredos, de dar conselhos inúteis e rir de coisas bobas. Quero falar, quero gritar que me sinto sozinha, que preciso de companhia, que muitas vezes sinto meu coração apertado mas meu pedido de ajuda morre na garganta. E continuo muda.


13 novembro 2007

Horóscopo



Não sei vocês mas eu nunca dei trela para aquela coisa que vem publicada nos jornais e principalmente nas revistas femininas: o tal de Horóscopo. Será que ainda hoje existe alguém que não sai de casa sem antes ficar sabendo o que os astros lhe reservam? Lembro que quando era criança e minha mãe ouvia aqueles programas da rádio AM sempre tinha o horóscopo do dia. Entrava então a voz de uma mulher junto com uma musiquinha de fundo para dizer num tom meio misterioso o que a amiga capricorniana devia ou não fazer naquele dia. Que cor de calcinha usar, o que comer, quem evitar, se devia ou não jogar no bicho, etc. O engraçado é que aquela "previsão" servia para todas as pessoas daquele signo. Agora imaginem quantas pessoas do mesmo signo existem? Tem também aquelas previsões que não dizem nada com nada. Olha o que o meu horóscopo de hoje me diz:


"Um ideal que inspire, um conhecimento ou viagem que lhe transforme e regras que devem ser transcendidas, eis algumas das manifestações da atual energia astrológica. Ela sinaliza aos piscianos que é tempo de conscientização e de transformação."


Disse tudo e não disse nada. O bom é que assim eu não posso chamar a astróloga (não sei se é esse o nome que se dá a quem escreve horóscopos) de mentirosa. Veja quantas possibilidades ela me deu. E quem é que não precisa de conscientização e transformação? No final, se nada disso se cumprir (?), a culpa vai ser minha que não segui o conselho dos astros.
Hoje recebi um email com algo semelhante a um horóscopo só que ao invés do signo você tem suas características reveladas através do dia do seu nascimento.




Dia 26 – Dia da Justiça


- A justiça na sua mais pura expressão, a perseverança e a moderação são as principais características do nativo deste dia. Tem, também, grande capacidade de discernimento, competência e organização, jamais desistindo dos seus objetivos e ideais, mesmo em algumas ocasiões parecendo indeciso, não sabendo muito bem o que quer.

Então meu erro já começa agora. Se esse dia é o dia da justiça estou fazendo o curso errado. Deveria fazer Direito. Organização definitivamente não é meu forte. Mas concordo que sou indecisa.

- Tem personalidade marcante e certo ar de superioridade, que com certeza lhe garantem certas inimizades e algumas perturbações. Quando é contrariado, torna-se agressivo e mal humorado.

Ar de superioridade? Não, sou tímida e míope e até hoje não ataquei ninguém.

- O nativo deste dia é normalmente um ser solitário, de certa forma incompreendido, parecendo frio e calculista; na realidade, é uma extraordinária alma humana, sempre pronto a ajudar os fracos, os amigos e aqueles que necessitam de ajuda humanitária.

Concordo com o ser solitário e incompreendido mas frio e calculista nem tanto, hahahahaha (risada malígna). Gosto de ajudar os outros, tanto que já comprei uma caneta da Casa de Recuperação Manassés mas não sou tão extraordinária assim pois não contribui com o Criança Esperança.

- Nasceu para mandar. É muito organizado, justo, de aspecto intelectual, com grande cultura e senso de responsabilidade. É também elegante no vestir e despreza o modernismo, preferindo o convencional.

Nasci para mandar? Alguém precisa contar isso para o meu chefe. Organizada de novo? Já disse que não. O aspecto intelectual é por causa do óculos. Elegância é antes de tudo uma questão financeira então, estou devendo neste aspecto.

- Frustrações e decepções podem lhe causar problemas biliares, dores de cabeça, reumatismo e problemas de circulação sanguínea.

Estava demorando para aparecer a parte ruim.

09 novembro 2007

Transitares

Está acontecendo esta semana em Curitiba a Curitiba Literária – o festival da literatura. Acontecem shows, peças de teatro, leitura de poemas, debates, entrevistas e feira do livro. Tudo voltado para a literatura. Como esta semana ainda não apareci na faculdade (e olha que hoje já é sexta- feira) aproveitei para participar de algumas coisas. Uma delas foi o Paiol Literário com o escritor Luiz Vilela. A outra aconteceu ontem no Sesc da Esquina: Transitares, mesa-redonda com os escritores e compositores Tony Bellotto, Arnaldo Antunes e Kledir Ramil.

O que é Transitares? Segundo o programa “este encontro propõe o debate da escrita como ponte entre a produção e a composição musical e o diálogo possível entre os dois universos.”

Embora não tenha lido ainda nenhum livro do Tony Bellotto ou do Arnaldo Antunes e nenhuma crônica do Kledir (àqueles que se perguntam quem é esse Kledir, eu respondo : o nome Kleiton e Kledir lhes diz algo?) resolvi comparecer afinal como fã dos Titãs, não é sempre que teria a oportunidade de vê-los de perto (e de graça).

Cada um falou sobre música, literatura, escrita, composição e como artes distintas como música e literatura podem se misturar e apresentar bons resultados. Já que os três convidados são escritores e compositores falou-se muito da possibilidade de poder transitar entre uma arte e outra. Um romance pode ser adaptado para o cinema, um poema pode se transformar em música e a letra de uma canção pode também ser ao mesmo tempo uma poesia.

Apesar de ser recorrente a adaptação de livros para o cinema, um filme dificilmente (para não dizer nunca) conseguirá transmitir tudo aquilo que a obra original transmite ou fará isso de forma diferente. Um filme é feito de imagens, sons, movimento e cores, ele já é entregue assim. Já num livro você é quem cria todos esses itens e pode percebê-los de formas distintas.

Bellotto disse que quando compõe, quando cria uma letra para uma música, pode até estar fazendo isso sozinho mas faz pensando no grupo, na coletividade: qual é a hora para a bateria, em que parte da canção ficaria melhor um solo de guitarra. E o retorno dessa criação é imediata pois em um show é possível ver e sentir a reação do público. Porém a escrita é um exercício solitário, é apenas o autor e suas idéias e o retorno desse trabalho pode ser bem lento.

Arnaldo Antunes sempre trabalhou paralelamente com a música e a literatura. Para ele artes plásticas, música, literatura e cinema são artes distintas mas que podem sim se misturar desde que seja uma mistura bem feita. Uma poesia, por exemplo, pode virar uma canção desde que essa transição entre uma arte e outra seja feita com competência.

Por tudo que ouvi, tanto no Transitares quanto no Paiol Literário, valeu a pena perder algumas aulas. Posso até já ter aprendido algumas dessas coisas durante as aulas mas ver e ouvir esses assuntos “direto da fonte” me deu uma nova visão do que são essas artes, em especial a literatura. Recomendo a todos que quando tiverem oportunidade semelhante, aproveitem.

07 novembro 2007

Paiol Literário

No último post (e lá se vão alguns meses) eu comentei sobre o jornal literário Rascunho e sobre o Paiol Literário. Ontem eu tive a oportunidade de ir até o teatro Paiol e conhecer de perto o escritor Luiz Vilela. Na verdade fui descobrir a existência de Vilela este ano quando tive que fazer um trabalho de Teoria da Literatura para a faculdade e o tema era o Modo Dramático. Traduzindo: em teoria da literatura estudamos os vários recursos usados pelo autor para escrever um livro. Ele pode narrar a história em terceira pessoa, pode criar um narrador protagonista (como o Bentinho em Dom Casmurro), pode fazer a história ser contada por mais de um personagem e muitas outras formas. Entender o modo dramático é bem simples, basta lembrar das peças de teatro onde a história se conta predominantemente através dos diálogos. O difícil é achar uma obra de ficção, que não seja uma peça mas que seja quase toda em forma de diálogos. Para minha sorte existe o Luiz Vilela. Seus contos são recheados de diálogos e sua novela mais recente, Bóris e Dóris é toda construída em cima da conversa de um casal. Com esse livro e alguns outros contos de outros autores conseguimos (sim, porque não posso deixar de fora meu grupo de trabalho, ainda mais porque a Cris de vez em quando lê este blog) apresentar nosso trabalho e conseguir uma boa nota. Resumindo: eu não podia deixar de comparecer ao Paiol Literário desse mês.

Cheguei lá por volta das sete e quarenta da noite e como o início estava marcado para as oito horas, achei que eu estava no horário. Mas como não estamos em Londres, a palestra começou após as oito e vinte. Parte desse atraso (não sei é assim sempre) foi causado pela equipe de TV que iria filmar o evento. A produtora procurava por voluntários que estivessem dispostos a ler trechos de contos do autor (sem cachê, é claro, tudo pela arte) enquanto eram filmados. Não sei se vocês já foram ao Paiol mas ele é um teatro no mínimo “aconchegante”, mas sem deixar de ser charmoso. Ele é quase uma mini arena onde a platéia se distribui em volta do pequeno palco. E era um tal de iluminação pra cá, câmera pra lá e microfone na lapela que eu não via a hora da “entrevista” começar.

Entra então o convidado da noite, tranqüilo, sossegado, mineiro. Falou sobre como e porque começou a escrever. Contou que desde sempre se viu rodeado de livros, tantos que até no galinheiro tinha alguns. Fez sua estréia aos treze anos de idade e não parou mais. Quando criança gostava de inventar histórias com seus brinquedos. Depois de grande continua brincando, só que de inventar livros. Lembrou com carinho de um professor que teve e que o motivou a continuar escrevendo quando ainda estava no colégio. Disse que uma das técnicas que usa ( se é que eu posso chamar assim) é a de ler em voz alta tudo o que escreve para ver se está bom. Outra é que quando escreve um conto e começa a ler e reler muito e a achar que não está bom o suficiente joga-o numa gaveta e espera o tempo passar. Vilela também falou sobre seu novo livro intitulado Redenção que será lançado no ano que vem. Mas não falou só sobre literatura. Contou também um pouco sobre sua cidade: Ituiutaba que apesar de ter recebido durante muito tempo o título de “uma cidadezinha do interior de Minas”, hoje já é igual a qualquer “cidade grande”. Reclamou da violência que lá existe, tráfico de drogas, roubos, como há em outros lugares.

Um ponto a meu favor foi que descobri que os grandes escritores também não conseguem ler tudo o que “deveriam” ler. Vilela conta que atualmente dedica-se a ler aqueles livros, muitos deles clássicos, que foram ficando para trás. Diz ele: “se eu não ler agora, não leio nunca mais”. Ufa! Não sou só eu que leio menos do que deveria/gostaria. Também falou sobre a situação que temos hoje: muita informação para pouco tempo disponível. Um dos momentos engraçados foi quando Vilela revelou que chega a desconfiar que os livros copulam à noite pois não para de aparecer livro em sua casa.

Assistir a esta palestra me deu vontade de escrever. Acho que porque Vilela fala de um jeito tão gostoso da arte de escrever...Mas isso não quer dizer que não exija trabalho e dedicação. Não sei por que mas sempre tive a idéia de que o livro simplesmente “nasce”. Um belo dia o escritor está sossegado, então tem uma revelação e a história simplesmente se materializa. Tudo bem que isso pode acontecer porém ele me mostrou que por trás do livro pronto e editado existe um grande trabalho. É claro que eu não poderia perder a oportunidade de sair de lá com meu livro autografado. Espero que seja o primeiro de muitos. Para terminar a noite o entrevistador agradeceu a presença de todos e disse : “Peço agora que Vilela se despeça com algumas palavras.” E Vilela: “Boa noite”.

05 agosto 2007

Rascunho


"O jornal literário Rascunho foi criado em Curitiba, em abril de 2000, pelo seu editor, o jornalista Rogério Pereira. Nacionalmente reconhecido pela qualidade de seu conteúdo e pelas polêmicas que fomenta entre escritores, críticos literários e consumidores de literatura, o jornal é distribuído para todo o Brasil, alcançando aproximadamente 12 mil leitores
No Rascunho, cerca de 200 colaboradores de várias regiões do país e do exterior já publicaram resenhas, entrevistas, ensaios, artigos, contos ou poemas. Entre seus colunistas fixos, estão autores como Nelson de Oliveira, Fernando Monteiro e José Castello. Vários outros já lançaram trabalhos inéditos no Rascunho – entre eles, Dalton Trevisan, Affonso Romano de Sant’Anna, Luiz Vilela, Lygia Fagundes Telles, Luiz Ruffato, Ivan Junqueira e Miguel Sanches Neto. O veículo tem 32 páginas, divididas em quatro cadernos, e é publicado em edições mensais."




Para aqueles que têm interesse em conhecer o Rascunho, ele é distribuído gratuitamente na Biblioteca Pública do Paraná.


O jornal literário Rascunho com o apoio do Sesi Paraná e da Fundação Cultural de Curitiba organiza e promove o projeto Paiol Literário. A idéia do projeto é trazer todo mês um autor brasileiro para um bate-papo com o público. Os encontros acontecem, é claro, no Teatro Paiol, em Curitiba. A programação para este segundo semestre já está disponível no site do Rascunho. Dentre os muitos nomes que farão parte do projeto, o mais esperado, para mim, é o escritor Luiz Vilela que estará no Paiol no dia 06 de novembro. Os encontros começam sempre às 20:00 e a entrada é gratuita.

Greenpeace


"Quando a última àrvore tiver caído,
quando o último rio tiver secado,
quando o último peixe for pescado,
vocês vão entender que dinheiro não
se come."

03 agosto 2007

Harry Potter e a Ordem da Fênix


Continuando minha saga pelas salas de cinema finalmente pude assistir Harry Potter e a Ordem da Fênix. A história dispensa apresentações. Quem não sabe quem é Harry Potter? Deixemos uma coisa bem clara: meus ouvidos se fecham para qualquer manifestação contrária tanto ao filme quanto aos livros porque eu simplesmente adoro o Harry tanto que uma das minhas mais recentes aquisições foi uma edição especial com os 4 DVDs dos filmes do Harry Potter. E também não me perguntem por quê. Eu simplesmente adoro a história e sou bem feliz assim. Não lembro quando foi a primeira vez que ouvi falar sobre o menino bruxo que sobreviveu mas lembro que A Pedra Filosofal já fazia sucesso. Na verdade vi os dois primeiros filmes para depois começar a ler os livros. Acho que os anos vão passar e eu vou continuar lendo e viajando com as histórias. Tá, tudo bem, eu sempre tive uma queda pelo "mundo mágico", digamos assim e ler todas aquelas histórias faz com que eu realize mentalmente muitos sonhos de infância. Bom, acho que já deu pra saber minha opinião sobre o filme. Pra quem for assistir, bom divertimento.

24 julho 2007

A menina que roubava livros


Antigamente, quando eu tinha mais tempo e não era tão exigente (ou nada exigente), eu lia muito, muito mesmo. Infelizmente o trabalho, a faculdade, a internet, entre outros, foram fazendo com que eu lesse menos. Não sei dizer se isso é de todo ruim pois, tendo menos tempo para ler eu acabo lendo melhor, dando mais valor à história que está passando na frente dos meu olhos, traduzida na forma de palavras. Foi assim com O caçador de pipas, tinha que lê-lo por obrigação mas não foi sacrifício nenhum acompanhar a vida daqueles dois meninos nas ruas de Cabul. A história é tocante e isso virou, de certa forma, um pré requisito para mim. Só quero ler livros que me transmitam um significado maior, que ultrapasse as barreiras das suas páginas. Achei que levaria algum tempo até encontrar um livro que me emocionasse como O caçador de pipas até que li A menina que roubava livros. A história é verdadeira, nada de contos de fada, nada de reviravoltas mirabolantes, é simplesmente uma ótima história que consegue cativar quem a lê. Se olharmos a história de Liesel, a corajosa menina alemã, como um todo, veremos que ela não é nem um pouco feliz, na verdade é trágica mas é isso que a faz especial. Numa Alemanha dominada pelo nazismo onde todos temem o dia de amanhã, a menina se permite viver. Liesel mostra o que todos nós estamos cansados de saber: viva o dia do hoje, ele pode ser bom, ser ruim mas é o dia de hoje e tudo o que você vai carregar dele são suas lembranças, o cheiro de tinta misturado com cigarro e o som de um acordeon.

20 julho 2007

Passeios - Bosque Alemão




Oratório de Bach - réplica de uma igreja presbiteriana de estilo neogótico que existiu no bairro do Seminário- que abriga uma sala de concertos.



Interior do Oratório - sala de concertos.



Caminho dos Contos - uma trilha no interior do bosque que conduz o visitante à outra extremidade no ponto mais baixo do terreno.






No meio do percurso, que conta a história de "João e Maria" dos irmãos Grimm através de painéis de azulejo, situa-se uma biblioteca denominada Casa da Bruxa (ou Casa de Contos), que é um espaço reservado para desenvolver o interesse pela leitura no público infantil. Diariamente, dezenas de crianças visitam o espaço e participam da "Hora do Conto", onde bruxas e fadas fazem uma leitura teatralizada de contos infantis.




A Bruxa em sua intimidade.





O Gato da Bruxa




Ao final da trilha, chega-se ao pórtico que reconstitui o frontão da Casa Milla que, construída no início do século na Rua Barão do Serro Azul, representa um dos principais exemplares da arquitetura da imigração alemã. A varanda utilizada na réplica é a original.



A paisagem.

Fotos: by warghost.

Fonte: http://www.curitiba.pr.gov.br/Servicos/MeioAmbiente/areas_verdes/parques_bosques/bosque_alemao.htm

19 julho 2007

Maratona de filmes

Julho, frio, férias escolares e um monte de filme lançado quase ao mesmo tempo. Vejamos, SE eu não trabalhasse o dia todo, SE o cinema não fosse tão caro e SE as salas de cinema não estivessem tão cheias acho que minha vida seria um pouquinho mais fácil. Enfim, apesar de todos os obstáculos, consegui bater ponto em alguns dos principais lançamentos:




Homem-aranha 3 - também pode ser chamado de "O dia em que o Peter Parker assumiu seu lado EMO".








Piratas do Caribe - No Fim do Mundo - Tá certo que o Orlando Bloom é bonito mas eu escolheria o Capitão Jack Sparrow (suspiros).










Shrek Terceiro - Dispensa comentários. Quem imaginou que um Ogro poderia ser tão, tão, tão Ogro e divertido?






O Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado - Um surfista ET que quer destruir a Terra. Sem preconceitos pessoal! Não tiveram infância?


Ufa! E não acaba aqui. Domingo que vem tem mais.

03 julho 2007

War of the Worlds


Como estou de férias da faculdade, ontem à noite resolvi assistir a um filme. Minhas opções : X – Men 3, Super Man ou Guerra dos Mundos. Eu jáhavia assistido aos dois primeiros (filmes de super-heróis para quem tem filho são programas certos. O próximo da lista será O Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado) então restou Guerra dos Mundos (War of the Worlds –EUA 2005). Devo confessar que nunca tinha ouvido falar desse filme, ou se ouvi, não lembro.
O filme é dirigido por Steven Spielberg e tem Tom Cruise no papel principal. Ray Ferrier (Tom Cruise) é um homem divorciado que trabalha nas docas. Ele não se sente à vontade no papel de pai, mas precisa cuidar de seus filhos, Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning), quando eles lhe fazem uma de suas raras visitas. Pouco após eles chegarem Ray presencia um evento que mudará para sempre sua vida: o surgimento de uma gigantesca máquina de guerra, que emerge do chão e incinera tudo o que encontra. Trata-se do primeiro golpe de um devastador ataque alienígena à Terra, que faz com que Ray pegue seus filhos e tente protegê-los, levando-os o mais longe possível das armas extra-terrestres.
Tá bom, eu confesso, fiquei com medo. Mas também, só de imaginar uma máquina daquelas indo atrás de você para te pulverizar com um laser, quem não ficaria? Pensando bem, se fosse para ficar depois perambulando sem rumo, sem comida, sozinha e correndo o risco de ser atacada por um louco qualquer, acho que eu preferiria ser pulverizada. O laser era tão potente que em um segundo não existia mais nada. Uma das piores partes é quando o pai e os dois filhos estão tentando chegar até Boston de carro. Detalhe: o carro em que eles estão é o único que funciona pois os tais alienígenas conseguiram fazer com que tudo parasse. Quando as pessoas que estão tentando fugir a pé, todas já perturbadas com tudo o que está acontecendo, veêm o carro, partem para cima deles e eles são arrancados à força, quer dizer, menos a Rachel, a filha, que parece estar com o traseiro pregado no banco e não pula para fora do carro. Aliás lembrando dela, ô menininha que grita! Tudo bem que a situação não era das melhores mas será que precisava gritar tanto?
Mas o que chamou minha atenção para esta história foi o que eu descobri hoje de manhã consultando o Oráculo. Este filme é uma adaptação do livro A Guerra dos Mundos escrito por Herbert George Wells. Esta história também foi usada por Orson Welles em seu programa de rádio. Às oito horas da noite de dia das bruxas, em 30 de outubro de 1938, Orson Welles começou a transmitir uma dramatização de "A Guerra dos Mundos" de H.G. Wells pela estação de rádio CBS. Por uma hora, ingênuos trechos de música seriam interrompidos por flashes realísticos de radialistas cada vez mais desesperados à medida que iam descobrindo e relatando que explosões em Marte e meteoritos caindo na Terra eram na verdade uma invasão alienígena em pleno curso capaz de vaporizar nossas melhores defesas com 'raios de calor'. Sete mil homens marcharam contra uma única máquina de guerra marciana, pouco mais de uma centena de sobreviventes sobraram na trágica batalha em Grovers Mill, Nova Jérsei. O nosso mundo estava sendo aniquilado, e essa era a travessura de Halloween de Welles.
E o que esta travessura causou? Milhares de pessoas que sintonizaram um pouco depois do início do programa não ficaram sabendo que tudo não passava de dramatização e entraram e desespero acreditando que realmente a terra estava sendo atacada por marcianos. Eram pessoas fugindo para lugar nenhum, lotando as estradas ou então se escondendo em celeiros. Algumas mais corajosas pegavam em armas e saíam à caça dos marcianos. Às nove horas o programa terminava e Welles confortava o público assegurando que o mundo não havia acabado e que tudo havia sido uma brincadeira de Halloween. "... Nós não podíamos ensaboar suas janelas e roubar os portões de seus jardins até o amanhecer ... então fizemos o melhor que podíamos. Aniquilamos o mundo frente a seus ouvidos ...". Quem acreditou na brincadeira ficou indignado e houve pressão para que Welles fosse punido.
Será que hoje também agiríamos da mesma forma? Naquela época o meio de comunicação mais difundido era o rádio e não existia transmissão via satélite nem internet. As pessoas desavisadas ouviam uma parte da história e saíam gritando para os vizinhos que a Terra estava sendo invadida. Eles acreditavam, talvez porque não existisse a Rede Globo (só para citar a principal) e seus BBB’s para nos mostrar que tudo pode ser manipulado e nem o Fotoshop para nos provar que nem tudo que você vê é verdade. Embora hoje pareça ser mais difícil cair numa esparrela dessas, pelo número de informação a que temos acesso, duvido que se você ouvisse o William Bonner anunciando no Jornal Nacional que a terra está sendo invadida você não estocaria o máximo de comida que pudesse e faria barricadas em frente à sua casa.

18 junho 2007

Festa Junina


Se tem uma coisa que eu nunca deixarei de gostar é de Festa Junina. Desde que me conheço por gente esta sempre foi a minha festa predileta. Lembro que na escola todo ano tinha ensaio para a quadrilha e eu sempre estava lá. O problema era conseguir um par, sim porque quando os meninos ainda estavam lá entre os seus seis a oito anos participavam numa boa dos ensaios, mas quando chegavam lá nos nove ou dez anos os "homenzinhos" achavam que já eram grandes o suficiente para se submeterem a esse tipo de coisa. Tirando esse pequeno problema da busca pelo par perfeito, o resto era só festa. Parecia que os ensaios para o grande dia duravam meses e meses (claro que na minha percepção de criança, onde tudo vai passando mais preguiçosamente).
O meu vestido a minha mãe é que se encarregava de fazer.Ter mãe costureira às vezes é um problema porque eu queria mesmo era comprar um vestido (não que os vestidos feitos pela minha mãe não fivassem bonitos) mas ela nunca concordava. Como o mês de Junho é um mês de frio e eu sofria de bronquite o meu vestido era de flanela para que eu não passasse frio e não ficasse doente. Sabe aqueles chapéus de palha cheios de rendinhas e fitas e que têm até trancinha postiça? Pois é, nunca usei um daqueles. Minha mãe achava que ficava mais bonito se eu fizesse as tranças no meu próprio cabelo (que era bem comprido) e colocasse uma fita ou uma flor para enfeitá-lo e assim eu nunca tive a oportunidade de usar o tal chapéu.
Outra coisa que tinha era a venda de votos e a arrecadação de prendas. Levar prendas para a escola significava esvaziar a despensa da sua casa e torcer para sua mãe não perceber. A venda de votos era a parte menos divertida pois teoricamente você teria que pegar um bloquinho com uns cinquenta votos e sair de porta em porta fazendo um olhar de cachorro que caiu da mudança para amolecer o coração dos seus vizinhos e convencê-los a comprar um voto seu. Eu, é claro, nunca fiz isso (se eu fosse sobreviver como vendedora, morreria de fome). Os meus maiores compradores eram meu avô, que sempre comprava alguns votos pra me ajudar, e meu pai, que era quem arcava com o prejuízo quase todo. Lembro que quando estava no pré o menino e a menina que vendessem mais votos seriam o noivo e a noiva e qual é a menina de seis anos de idade que não gostaria de vestir um vestido de noiva todo esvoaçante? Entre os meninos logo apareceu um (por sinal meu amigo) que saiu na frente com a venda dos votos. Já estava definido o noivo. Entre as meninas a disputa ficou entre mim e uma amiguinha minha que morava na mesma rua que eu. Nós ficamos empatadas na venda dos votos. Para resolver o empasse a nossa professora chamou a mim e a minha amiga junto com nossas mães para decidir quem seria a noiva. E qual a maneira mais racional e justa para definir a vencedora? Par ou ímpar! Pois é, nossas mães tiraram par ou ímpar e eu perdi. Como prêmio de consolação eu fiquei com o papel da sogra. É claro que eu preferia ter sido a noiva, centro das atenções, vestir aquele lindo vestido branco todo vaporoso, ter todos os olhares voltados para mim... paciência. Mesmo assim foi muito bom. A nossa professora até montou um teatrinho com umas falas para eu representar bem meu papel de sogra na hora do casamento. Teve até passeio de charrete nos arredores da escola. Mas a dança era a parte que eu mais gostava. Engraçado que é comum as crianças menores chorarem e ficarem com medo ou vergonha de dançar, mas eu não. Sempre adorei dançar quadrilha. Outra parte muito importante da festa eram as barracas de brincadeiras, principalmente a da pescaria que era a minha preferida. Lembro que durante um bom tempo, na rua onde morava, tinha quermesse. Mal começava a festa lá íamos eu e meu pai para a barraca da pescaria. Eu voltava feliz da vida de lá e ele voltava carregado de quinquilharia. Ah! Não posso esquecer dos quitutes juninos: bolo de fubá, pé de moleque, cachorro quente, pipoca, quentão, maçã do amor e aí vai...Ai que coisa mais boa!

17 junho 2007

Jantar de sábado (também pode ser chamado de pecado da gula).

Sábado jantei no Pamphylia Ristorante (para você habitante deste estranho mundo chamado Curitiba, o restaurante fica na Avenida Batel). É um lugar bem frequentado tanto que tive que aguardar alguns minutos para desocupar uma mesa. O lugar é bem aconchegante e o serviço é muito bom. No cardápio : lasanhas, canelones, calzones, espaguetes, risotos, carnes, saladas, sopas... Eu comi um bife à parmegiana gigante (mas calma, não comi sozinha) acompanhado de um fetuccini (acho que é assim, ah...vocês sabem, macarrão de um formato específico). A entrada foi uma salada de folhas verdes, tomate e cenoura ralada com um molho muito bom. Vinho para acompanhar.

Depois de empanturrar a pança com tudo isso ainda tive a audácia de olhar o cardápio para escolher uma sobremesa e eis que me deparo com a palavra : profiterolis.








E é claro que não resisti e pedi o tal do profiterolis. Eis a prova do crime:


Mas o que é isso vocês vão me perguntar? Um cogumelo gigante sofrendo alguma reação química? Um disco voador danificado após uma colisão? Não!!! É o tal do profiterolis (não me perguntem por que o nome está no plural se ele é um só). Tá, pra ficar mais fácil vou tentar descrevê-lo: é uma massa doce assada, igual massa de carolina recheada (se você não sabe o que é uma carolina imagine uma bomba de chocolate, só que redonda), mas uma carolina gigante. Daí a massa é cortada ao meio e é recheada com uma mega bola de sorvete e pra completar é derramada muita, mas muita calda de chocolate por cima disso tudo. Pra eu continuar vivendo normalmente é melhor não pensar quantas mil calorias um profiterolis desse pode ter. Avaliação: muito bom!

O outro exagero gastronômico foi esse aqui:

Sorvete com morangos flambados. Mas calma! Esse aí não era meu, era do meu fiel escudeiro(embora, devo confessar, provei um pouquinho dos morangos).

Detalhe: pelo menos na parte do restaurante onde eu estava só tinha casais. Seria dia dos namorados atrasado?

13 junho 2007

Nascer do sol...


11 junho 2007

Manhã de segunda

Com esse céu a minha manhã de segunda ficou até menos chata.

03 junho 2007

Almoço de Sábado


Como no sábado de manhã tenho aula (ninguém merece...mas é necessário), sempre almoço no centro pois minha barriga recusa-se a esperar que eu chegue em casa. Ontem almocei no Nona Giovanna e aí vai minha dica gastronômica: o Nona fica na Rua São Francisco (se você morar em Curitiba vai ficar bem mais fácil localizar o lugar), mesma rua do Jokers. É um restaurante bem simples e quase imperceptível se você passar muito rápido, mas é muito bom. O nome já dá uma pista do cardápio : massas - vários tipos de lasanha. Mas o que mais sai é o bife à parmegiana. Tem individual e pra duas pessoas e vem : um big bife à parmegiana bem macio, arroz, feijão, maionese, fritas e salada. Eu sempre peço o individual e dá pra duas pessoas tranquilamente (desde que o seu acompanhante não seja um morto de fome). Como eu já disse o restaurante é bem simples (o que eu acho muito bom pois não gosto de frescura), o atendimento é muito bom (tanto que às vezes falta lugar) e o preço é bem em conta - o almoço mais uma jarra de suco de laranja saiu por R$ 14,00.


Bom apetite!