18 agosto 2010

Dia 3 - Destino: Buenos Aires - Medialunas, Casa Rosada e Galerias Pacífico


Para começar bem o dia e espantar o frio resolvemos tomar nosso café da manhã - o desayuno - no Frattempo - um restaurante-pizzaria que fica a meia quadra de distância de onde estávamos hospedados. 

Para quem for ficar na região da Pueyrredon, eu recomendo. A comida é muito boa e o atendimento também. Aproveitamos e pedimos uma das promoções de desayuno que estava estampada na porta: uma xícara de café com leite + um copo pequeno de suco de  laranja + três medialunas; tudo isso por 10 pesos (R$ 5,00). Se tem uma coisa que não se pode deixar de provar é a  medialuna, pode ser com ou sem recheio, não importa, coma quantas puder. A medialuna lembra um croissant só que é  deliciosamente doce e pode ser servida com ou sem recheio, fria ou tostada. Eu comi sem recheio, fria e também tostada  com recheio de queijo e presunto. Além do café-com-leite, do suco e das medialunas o garçon também nos trouxe um  pratinho com mini-churros açucarados. Uma delícia!



Saindo do restaurante aproveitamos para conhecer um pouco mais o bairro e fomos a pé até a El Ateneo Grand Splendid. Esta livraria está localizada onde antes era um velho cinema. O prédio foi reformado e hoje, se não me engano, ela é a segunda mais famosa livraria do mundo. Eu já considerava a Livraria Cultura do Conjunto Nacional uma coisa fora de série mas a El Ateneo roubou meu coração.


 Como estava ficando cada vez mais frio decidimos comprar mais blusas e fomos para o centro. Antes das compras, porém  tentamos visitar o prédio dos correios – uma construção gigantesca que ocupa uma quadra inteira – mas estava em  reforma. Então fomos andando até alcançar a Casa Rosada mas, como só abre para visitação nos fins de semana, ficamos  devendo uma visita para a dona Cristina. Seguimos pela Plaza de Mayo e chegamos até a Catedral Metropolitana. 

Casa Rosada

Plaza de Mayo

La Catedral Metropolitana

Dentro da Catedral
Saindo da Catedral rumamos para a famosa Calle Florida que se espalha por dez quarteirões exclusivos para pedestres. A Florida é uma das ruas comerciais mais movimentadas de Buenos Aires. Pense em uma rua do centro de São Paulo ou Rio de Janeiro e imagine a confusão: quiosques, ambulantes, apresentações de música, vendedores de show de tango e principalmente, muitos, mas muitos brasileiros. Para vocês terem uma ideia, até uma das moças que estava anunciando um show de tango era brasileira.

Saímos da confusão da Florida e caímos na aglomeração da Galerías Pacífico. Ela é chamada de galeria mas lembra muito mais um shopping com lojas de marcas famosas e praça de alimentação. Como já era tarde resolvemos almoçar por lá. Péssima idéia. Escolhemos um restaurante que servia basicamente carne - diversos tipos de corte - e, apesar da carne ser bem macia, a quantidade não satisfez e o preço era salgado.
Ainda na Galerias Pacífico fica o Centro Cultural Borges onde são realizadas exposições de fotografia, escultura e pintura bem como apresentações teatrais para adultos e crianças.

Como os preços não estavam muito convidativos fomos até as Lojas Falabella, uma espécie de loja de departamentos bem famosa por lá. Na própria Calle Florida há três filiais da loja, uma de produtos femininos, outra de produtos masculinos e a terceira somente com artigos de decoração. Arrematamos duas blusas de frio para os rapazes e como já passava das oito da noite pegamos o metrô e voltamos para o apartamento. 

Dica preciosa: Se você não quer tumulto e principalmente, não quer encontrar um monte de brasileiros fuja de lugares como a Calle Florida. Agora, se você curte uma muvuca, aquele é o lugar certo.

E o melhor e o pior do dia vai para...

Thumbs up  As medialunas da Frattempo.

Angry  O almoço nas Galerias Pacífico.


12 agosto 2010

Gripe



As postagens sobre minhas férias em Buenos Aires estão atrasadas devido ao início das aulas na faculdade (o semestre promete ser bem cansativo), ao frio que chegou em Curitiba sem ter dia certo para partir mas, principalmente, a uma gripe que resolveu aparecer de última hora.

Mas não se preocupem pois até o final da semana um post com o relato do Dia 3 estará no ar.
Até lá, muito agasalho e chá de limão.

04 agosto 2010

Destino: Buenos Aires - Dia 2: Metrô, Starbucks e outlets

Depois de uma boa noite de sono estávamos prontos para outra. Por mim acordaria cedo, tomaria café e já sairia para a rua, mas em BsAs as coisas acontecem em um ritmo diferente. Primeiro que o sol só dava as caras depois das sete e meia da manhã, as lojas só começam a abrir depois das dez e muitas atrações turísticas ficam fechadas de segunda e terça-feira. Outro detalhe importante era o frio e foi isso o que fez com que saíssemos de casa à procura de roupas de inverno. Aliás, nunca saia sem conferir na tv qual é a sensação térmica. As emissoras de tv de lá sempre estampam na tela a temperatura e a sensação térmica (identificada pela sigla ST). A partir da ST é que decidíamos o quanto de roupa vestiríamos naquele dia e a quantidade era sempre inversamente proporcional à temperatura.

Conferindo a ST na Crônica TV - quase oito da manhã e la térmica estava abaixo de zero
A região de outlets fica em Palermo, mas antes de chegar até lá fomos conhecer o Shopping Abasto e realizar uma pesquisa de preços.

"O maior shopping da cidade já foi um importante mercado municipal, de frutas de verduras, erguido no fim do século 19. Remodelado em 1934, ajudou a fazer florescer o tango. Gardel era um dos que frequentavam o lugar.(...) Há um monumento a ele em frente ao shopping. Entre outros detalhes, mantém as abóbodas e os grandes vãos livres. É lindo. (...)" - Guia O melhor de Buenos Aires - Editora Abril

As abóbodas do Shopping Abasto
Realmente o Abasto chama a atenção. Além da bela arquitetura possui 12 salas de cinema (espalhadas por 3 andares!), o Museo de los niños (um museu feito especialmente para as crianças) e uma loja da Starbucks. Como essa franquia ainda não chegou aqui em Curitiba é claro que fui lá conferir se o café é tão bom quanto a fama da marca. E não é que é bom mesmo! (detalhe: eu não gosto de café). 

Não era bem café mas valeu mesmo assim.
Já esse aqui era café mesmo.
Outra vantagem do Abasto é que existe uma saída do metrô que vai dar direto dentro do shopping. Aliás, andar de metrô (lá chamado de Subte) por BsAs é muito útil pois as estações ficam próximas a quase todas as atrações turísticas. As linhas são identificadas por cores e por letras e é possível fazer conexão entre uma linha e outra. Além disso é rápido - não ficamos esperando na estação por mais de cinco minutos - e barato, 1,10 pesos, menos de sessenta centavos de real! Na bilheteria é possível comprar bilhetes com 1, 2, 5 ou 10 passagens. E é claro que, como em qualquer outra grande cidade, é aconselhável evitar a hora do rush.

Filas no Subte na hora do "rush"

Subte - Estación Carlos Gardel

Deixando o Abasto pegamos o Subte e rumamos para Palermo. A região dos outlets fica concentrada basicamente ao redor do cruzamento da Calle Aguirre com a Calle Gurruchaga e ao longo da Avenida Córdoba. Estando lá é só escolher desde Puma e Nike passando por Brooksfield e La Coste até Christian Dior e Yves Saint Laurent. A lista de outlets tanto de marcas internacionais quanto nacionais é imensa e os preços são realmente mais em conta. 
Essa parte de Palermo pode ser tanto um paraíso de compras como pode transformar-se em perdição para os consumistas de plantão, especialmente aqueles que tem uma quedinha por roupas de grife. Mas se você sempre sonhou em ter uma roupa de determinada marca e nunca pode por falta de verba, lá é o lugar certo para realizar seu sonho de consumo. Mas veja bem, os preços das marcas famosas não são uma pechincha, para mim continuam caros, mas o que é caro-inatingível para você aqui no Brasil pode tornar-se um caro-mais-tolerável lá em BsAs.

Com apenas dez minutos de caminhada pela Córdoba percebemos que a região havia sido tomada por brasileiros atrás de ofertas. Nas ruas e nas lojas ouvíamos mais português do que castelhano. Comprovação de que realmente está todo mundo querendo aproveitar a valorização do real perante o peso.

Já estava começando a escurecer quando nos demos conta de que não havíamos passado por uma determinada loja (lembram do que eu falei sobre pessoas com quedinha por roupas de grife?) e começamos a procurar em algumas ruas mais afastadas. Como estava difícil de achar a tal loja fomos pedir informação. Pedimos ajuda para três pessoas diferentes e cada uma delas nos mandava para um lugar distinto. O relógio já marcava quase oito da noite quando decidimos parar de andar em círculos e, antes que fossêmos assaltados pois as ruas estavam ficando cada vez mais desertas, decidimos ir embora. 

Para o jantar saboreamos uma pizza deliciosa no Frattempo, a apenas meia quadra do apartamento, na Pueyrredon, 1907.

Uma das melhores pizzas que já comi.


Dica preciosa: se for aos outlets calce um sapato confortável e separe somente um dia (inteiro se possível) para isso, caso contrário você se empolga e acaba deixando outros passeios legais de lado.

E o melhor e o pior do dia vai para...

Thumbs up  A pizza da Frattempo.

Angry  Ficar feito barata tonta atrás de uma loja à noite correndo o risco de ser assaltado.

02 agosto 2010

Destino: Buenos Aires

Dia 1 - Filas, final da Copa do Mundo e comprovação da Lei de Murph

Onze de Julho, final da Copa do Mundo. Nosso itinerário era Curitiba - Porto Alegre - Buenos Aires. O voo saiu no horário previsto, 10:00 da manhã, e, se tudo corresse bem, chegaríamos no apartamento a tempo de assistir ao jogo. Como o horário previsto para chegada no aeroporto de Ezeiza era as 14:00 agendamos nossa chegada ao apartamento para as 15:30. Um funcionário da empresa que fez a locação do imóvel estaria nos aguardando no local para entregar as chaves e receber o valor do aluguel. Para facilitar as coisas também havia contratado um carro para nos levar do aeroporto até o apartamento. Como tínhamos horário marcado não podíamos perder tempo. Mas Murph é nosso amigo...

Já estávamos em Porto Alegre, dentro do avião, quando o comandante resolveu dar boas vindas aos passageiros e informar que, devido a um congestionamento no espaço aéreo do Uruguai (ou algo assim) teríamos que aguardar 40 minutos na pista até que a decolagem fosse autorizada. E o pior é nem dava para avisar a pessoa que estava nos aguardando em BsAs.
O avião pousou em Ezeiza com uns 40 ou 50 minutos de atraso, se fôssemos rápidos ainda daria para chegar   ao apartamento dentro do prazo. Mas todo esse pensamento positivo foi por água abaixo ao nos depararmos  com a fila na imigração, a fila para pegar a bagagem e a fila para sair da área de desembarque. Havíamos levado dólares para pagar o apartamento mas precisávamos de pesos para pagar o carro e eu ainda precisava dar um jeito de avisar que chegaríamos atrasados em BsAs. A primeira alternativa seria trocar os dólares por pesos na agência do Banco de La Nación que funciona dentro do aeroporto. Mas adivinhem se não tinha fila lá? A segunda alternativa era sacar pesos diretamente em um caixa eletrônico usando um cartão de débito que a moça do banco, aqui no Brasil, garantiu que estaria desbloqueado para saques. Mas ao invés de pesos o que recebemos foi uma mensagem informando que tal operação estava bloqueada. Resolvemos então ir até o balcão da locadora de veículos tentar fazer o pagamento em dólares mesmo. Felizmente eles aceitaram e ainda ligaram para o apartamento avisando que estávamos atrasados. Nisso apareceu um rapazote de nome Leandro que nos acompanhou até o carro. O engraçado foi que, depois de devidamente instalados no veículo e prontos para partir, o rapaz postou-se ao lado da porta do carro, olhando para meu namorado com a mão estendida - haviámos esquecido da propina (Não me entendam mal, lá "gorjeta" é chamada de "propina"). Para nossa sorte tínhamos alguns pesos dados como troco no free-shop.

Ufa! Finalmente estávamos a caminho. Enquanto olhava a paisagem, ouvia a narração da final da Copa do Mundo no rádio do carro abafada vez por outra pelo sotaque carregado do nosso chofer - o simpático Florentim - que nos dava dicas de passeios, informava qual era a rede de supermercado mais barateira e já avisava que a Recoleta era um bairro muito bonito, porém um pouco mais caro que os demais. 

Olha, pode até ser mais caro, mas que é bonito pra caramba, disso eu não tenho dúvidas. Ao entrarmos no bairro entendi porque muitas pessoas recomendam a Recoleta para hospedagem: as ruas e avenidas principais são largas e bem arborizadas, além de limpas; há pelo menos dois cafés em cada quarterão e as construções são um show à parte. Tem desde prédios grandes e modernos onde funcionam os chamados sanatórios (para nós hospitais) que mais parecem hotéis até construções bem antigas com a arquitetura bem datada, e muito bem conservadas. Mas, o que mais me chamou a atenção foram os prédios residenciais (na Recoleta quase não existem casas ou construções de um só nível) quase todos de seis a oito andares e todos, não importando se tivessem uma fachada larga ou uma bem limitada, têm pelo menos um balcão, o que dá um ar todo romântico ao local. E mesmo com a arquitetura das fachadas variando de prédio para prédio o fato das construções serem quase todas da mesma altura garante uma visão harmônica.

Avenida Pueyrredon com Peña - Recoleta


Quando dei por mim já estávamos em frente ao prédio onde iríamos "morar" pelos próximo dez dias. Combinamos com o senhor Florentin de ele vir nos pegar no dia do nosso retorno e caminhamos até a porta do edifício. Alí, ao lado da campainha, estava um bilhete endereçado a mim. O tal bilhete informava que Jorge - o funcionário da empresa que aluga os apartamentos - havia nos aguardado das 15:30 às 16:30 mas teve que ir a outro local atender outro check in e pedia que ligássemos para um determinado número de telefone a fim de remarcar um horário para a entrega das chaves. Sabe que horas eram? 16:35. Por apenas cinco minutos havíamos nos desencontrado. Resumindo: eu estava cansada, com fome e na rua.

Com os pesos que nos restavam compramos um chip para celular mais alguns créditos para ligar para o Jorge e... o celular não funcionou! (o maldito chip só foi ativado três horas depois). Também não tínhamos moedas para ligar do telefone público e quando eu estava quase perdendo as esperanças a simpática dona da banca de revistas que fica em frente ao prédio (beijo dona Marta!), e que estava acompanhando todo nosso drama, se apiedou da nossa situação (ou percebeu que poderíamos espantar seu clientes, sei lá) e nos emprestou seu celular. Ligação feita, dalí meia hora o Jorge estaria ali novamente. Resolvemos então gastar essa meia hora dentro de um café que ficava na mesma quadra, comendo medialunas e assistindo à final da Copa. 

Para encurtar esse longo post devo informar que tudo acabou bem e terminamos nosso Domingo comendo o chocolate comprado no free-shop e assistindo ao Homer Simpson (ou Homero como é conhecido por lá) na tevê a cabo.

Dica preciosa: mesmo que dê trabalho e que o câmbio não esteja favorável LEVE PESOS do Brasil e não confie que seu cartão vai funcionar no caixa eletrônico do aeroporto, em pleno Domingo. 

E o melhor e o pior do dia vai para...

Thumbs up  O primeiro contato com Buenos Aires; a simpatia do senhor Florentim e a ajuda da dona Marta.


Angry  Chegar em Buenos Aires sem nenhum peso.

31 julho 2010

Férias!

Finalmente, depois de alguns desencontros, consegui coordenar as minhas férias com as do meu namorado e do meu filho. Nada de encher o saco na casa de parentes ou "curtir uma praia" em Matinhos (quem mora em Curitiba me entenderá), desta vez as férias seriam com "efe" maiúsculo. O destino? Buenos Aires.

Como grande parte da viagem foi planejada através de dicas que li em blogs e sites de pessoas que moram ou já foram para lá, achei que seria legal eu também fazer o meu relato de viagem (não sei porque isso me lembrou aquelas redações: O que você fez nas suas férias?). Como ficamos em BsAs por dez dias vou elaborar um post para cada um dos dias contando tudo (ou quase) o que fizemos e o que vimos por lá.

Chegamos na cidade no dia 11 de julho mas a viagem já havia começado alguns meses antes com os preparativos...

Alguém me disse ou eu li em algum lugar que toda viagem começa na internet. Isso é verdade. Foi navegando pelos sites que defini dois ítens fundamentais: passagem e hospedagem. Uma ferramenta útil para pesquisar e comparar o valor de passagens aéreas é o site do Submarino Viagens. Você escreve lá para onde quer ir e as datas de saída e retorno e como resposta vem uma lista com os valores das passagens e das companhias aéreas que operam no trecho solicitado. O site faz até uma comparação de valores. Dá pra pedir também uma pesquisa combinando passagem mais hospedagem. A partir desses valores de referência já dá para  ter uma idéia de quanto vai custar a sua viagem. Não posso dizer se o serviço desse site é realmente bom pois acabei comprando as passagens direto da companhia aérea, por ter um valor um pouco menor que o anunciado pelo Submarino. 

Já para a hospedagem a pesquisa foi um pouco mais demorada. Após ler alguns guias e sites de viagem fugimos do óbvio e, ao invés de procurarmos um hotel no centro de BsAs, decidimos que ficaríamos hospedados no bairro da Recoleta. Alguns motivos para esta escolha estão aqui.

Bairro escolhido agora era a hora de ir atrás do melhor custo-benefício. Pensando com mente de muquirana procurei por algum aparthotel pois, se a grana ficasse curta, poderíamos sobreviver à base de miojo e pão com margarina e para isso uma minicozinha seria essencial. Já estava ficando cansada de pesquisar preços quando sem querer descobri este site, decididamente um achado. Para saber se o negócio era bom mesmo fiz mais algumas pesquisas e achei até um dossiê sobre o aluguel de apartamentos em BsAs. Então era só somar 1+1. Fazendo uma pesquisa rápida no Submarino encontrei hotéis com valores a partir de R$ 154,00 a diária para duas pessoas. Alugamos um apartamento na Recoleta e economizamos pelo menos a metade do valor que pagaríamos em um hotel. Ah, o apartamento escolhido foi esse aqui. E sim, as fotos e a descrição são fiéis à realidade. Eu recomendo muitíssimo o aluguel de um apartamento em BsAs se você for ficar pelo menos de 5 a 7 dias. No link que eu coloquei ali em cima (dossiê sobre aluguel de apartamento) existem várias opções de empresas que oferecem esse serviço. A escolha por uma delas ficará por conta do seu bolso e do seu gosto.

Passagens compradas e apartamento alugado, me restava esperar o grande dia.

                                                                      foto tirada daqui

17 fevereiro 2010

Beco


Poema do Beco - Manuel Bandeira



Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?

- O que eu vejo é o beco.




23 janeiro 2010

Na Natureza Selvagem

Busca pela essência da vida. Este é o tema principal do filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild), lançado em 2007 e dirigido por Sean Penn. O filme reproduz a história real de Chistopher McCandless (Emile Hirsch), jovem recém-formado que, contrariando a vontade dos pais, abre mão do curso de direito em Harvard, coloca uma mochila nas costas e, durante dois anos, viaja pelos estados da Dakota do Sul, Arizona e Califórnia.

Durante sua jornada Christopher muda seu nome para Alexander Supertramp e tem a oportunidade de conviver com pessoas diferentes daquelas a que estava habituado: um casal hippie, um fazendeiro e um senhor que lutou na guerra. De algum modo Christopher consegue provocar uma mudança na vida dessas pessoas e, em contrapartida, o relacionamento com essas personagens faz com que aumente nele o desejo de alcançar a sua essência fazendo com que ele, após dois anos vivendo como andarilho, parta para seu destino final: o Alasca selvagem. Neste distante estado americano Christopher se vê cercado de nada além de neve e tem como único companheiro seu diário de viagem, no qual registra seus fracassos, reflexões, descobertas e conquistas. Aos poucos ele vai eliminando qualquer resquício da sociedade à qual pertencia, e que não aceitava, e tenta integrar-se à natureza.

A busca pela essência, ou pelo sentido da vida, é um tema bastante explorado pela arte seja através da literatura, da música ou de filmes e, principalmente no cinema, o risco de um filme transformar-se em uma obra puramente motivacional é muito grande. No entanto, o diretor conseguiu tornar a história de um homem que seria considerado simplesmente um maluco em algo altamente reflexivo. O ser humano inúmeras vezes sente-se insatisfeito com a sociedade da qual faz parte, mas ainda assim precisa dela para sobreviver. Cria-se assim uma relação de negação e submissão. Uma vez que o poder da sociedade sobre o indivíduo é quase sempre maior que o poder do homem sobre ele mesmo, torna-se menos doloroso submeter-se à sociedade do que confrontá-la ou abandoná-la. Na Natureza Selvagem consegue despertar na mente do telespectador mais atento questionamentos e reflexões acerca do papel da sociedade e dos indivíduos dentro dela, que permanecem ativos por alguns dias após o contato com a história de Christopher. Não é um filme que se resolve com a exibição dos créditos. Pelo contrário, ele continua sendo reprisado dentro da mente de quem o assiste e esse é seu grande mérito.

22 janeiro 2010

Filosofia de restaurante a quilo


Quem trabalha fora o dia inteiro fatalmente terá que almoçar em um restaurante a quilo – os famosos self-service. Dos mais simples aos mais sofisticados todos são unânimes em um aspecto: a grande quantidade de opções. Em um só prato você poderá dispor lado a lado as culinárias brasileira, francesa, italiana, espanhola, árabe, chinesa, japonesa e ucraniana. É praticamente a volta ao mundo em menos de 20 garfadas. Por um lado isso é bom pois dá o poder de escolha: num dia podemos almoçar somente sushi e sashimi, já no outro é possível desenhar no prato um verdadeiro mapa múndi. Mas existe uma desvantagem. Imaginem a seguinte cena: a pessoa chega ao restaurante, pega seu prato e se coloca no início daquele interminável buffet, começa a andar e escolher quais tipos de comida farão parte do seu almoço. Pega um pouco disso, um pouco daquilo, uma salada, um pedaço de carne e acha que já é suficiente Mas, um pouco adiante há um pedaço de empadão de frango com uma aparência bem apetitosa e ainda uma farofa que merece ser degustada. Então, apesar de já ter no prato risoto, batatas assadas, bife à parmegiana e um pouquinho de talharim ao molho branco (só para provar), não será justo deixar o empadão e a farofa fora da festa e assim lá vão eles para a mesa. Isso sem falar na sobremesa. Só quando nos sentamos à mesa e encaramos nosso prato é que nos damos conta que exageramos, tanto na quantidade quanto na variedade.

A vida parece um longo e interminável buffet de restaurante a quilo. Com o passar do tempo mais e mais opções vão surgindo. De bandas de rock à roteiros de viagens, nada é pouco ou comedido; tudo é muito e grandioso. Acho que todos concordamos que a vida é curta e sendo assim deve ser bem aproveitada. O problema é que por ser “bem aproveitada” entende-se “fazer-tudo-ao-mesmo-tempo-agora”. Ler o máximo de livros que conseguir, assistir a todos os lançamentos de filmes nos cinemas mas sem esquecer dos clássicos, acompanhar todas as séries e novelas na tv, ir a todo e qualquer novo ou velho restaurante que recomendarem, viajar para todos os “100 lugares que você deve conhecer antes de morrer” (mesmo que você tenha apenas um mês de férias por ano), comparecer a todos os aniversários sem esquecer dos presentes, fazer cursos de fotografia, teatro, artesanato, culinária, floricultura, maquiagem definitiva e etiqueta social, ter aulas de kung-fu, natação, boxe, piano, bandolin, equitação e trabalhos manuais sem esquecer de reservar meia hora por dia para a meditação. E todas essas coisas são apenas os acompanhamentos pois ainda há o arroz com feijão: trabalho, família, amigos, amores e desamores.

Quando crianças somos apresentados a este grande banquete mas ainda não nos servimos sozinhos. Sempre há um adulto ajudando a escolher e, na maioria das vezes, decidindo qual o melhor alimento. Mas, à medida que nos tornamos independentes, as escolhas ficam por nossa conta.

O problema é que somos gulosos, comemos com os olhos, queremos provar de tudo. Fazemos tal mistura em nosso prato que no final não conseguimos identificar o gosto de nenhum alimento. A vida torna-se uma verdadeira bagunça. Iniciamos várias coisas mas não conseguimos continuar com todas elas. Umas porque não são tão gostosas como pensávamos e outras porque tornaram-se indigestas. No final ficamos com um prato cheio de sobras.

Mas como resistir ao pecado da gula?

Tudo é uma questão de escolha. Ao invés de seguir uma dieta recheada de festas, comida e bebida por que não optar por uma mais ligth? Você não vai morrer se ficar sem comer brigadeiro. A satisfação de iniciar e terminar um projeto e vê-lo bem feito é bem maior do que estar em vários outros mas não conseguir chegar ao fim da metade deles.

Tem dias que tudo o que quero é comer um bom feijão com arroz e ovo frito.


*foto Flickr - Galeria de Qlis

21 agosto 2009

Ser consciente...

"Ser consciente é saber que posso ter tudo, mas conseguir viver com o essencial."
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"Being conscious is that I can have everything, but can live with the essential"

18 agosto 2009

Que moda é essa?


Hoje tem Esquadrão da Moda versão da tevê do Sílvio Santos para o programa What Not to Wear dos canais Discovery Home & Health e BBC. Eu, que já tinha um amor declarado pelas séries de tevê, descobri uma simpatia muito grande por reality shows, daqueles que passam no canal People & Arts e que as emissoras tupiniquins vivem reproduzindo (mas nada de BBB, please!). O Esquadrão é basicamente assim: alguém, sem nenhum estilo ou de estilo duvidoso ao se vestir, é "denunciado" por amigos e parentes e tem a chance de renovar seu guarda-roupa. Para isso conta com a ajuda de dois consultores de moda e de um cartão com um crédito de dez mil reais.

É incrivel ver como existem pessoas sem nenhum parâmetro na hora de vestir. Não que eu seja modelo de classe e estilo, muito pelo contrário (mas essa e essa aqui tem muito disso que me falta), mas provavelmente eu não sairia por aí vestindo um terninho cor de catchup descombinando com uma bota marrom e uma bolsa amarela.

Existem pessoas que são fissuradas em manter-se "na moda" desde sempre. É bom andar bem vestido, claro, mas há de se ter bom senso. Por exemplo, na última coleção daquele estilista super famoso a tendência são vestidos hiper curtos em um tecido que marca bem as curvas. Então a indústria começa a produzir toneladas e mais toneladas desse tipo de roupa. Para cada vitrine que você olha lá está o vestido pedindo para ser comprado e usado. Até aí tudo bem mas, aquele vestido lá do desfile e esse que está na vitrine foram feitos para um biotipo específico, o das *mulheres-cabide, aquelas em que qualquer coisa que vestirem fica bem. Geralmente são mulheres magras, altas e com busto, cintura e quadris que obedecem as rigorosas leis dos estilistas. Eles não foram feitos para quem tem 1,50 m de altura, está acima do peso ideal e tem uns pneuzinhos distribuídos em algumas partes do corpo. Mas esse vestido "está na moda" então, contrariando as leis da física e do bom senso você vai lá e compra.

As pessoas confundem muito a noção de moda com a de indústria da moda. O objetivo principal da indústria não é lhe fazer mais bonita, e sim vender mais roupas e aí não importa se esta ou aquela vai lhe cair bem, o importante é que você consuma sempre mais. Eu por exemplo uso muita calça jeans mas toda vez que vou comprar uma calça nova é um sacrifício. Primeiro porque, ao invés da roupa ser feita para se adequar ao meu corpo é o meu corpo que tem que dar um jeito de ficar bem dentro da peça (lembram da mulher cabide?) e segundo porque as vendedoras sempre querem me empurrar calças cheias de bordados, brilhos e outros badulaques. A justificativa? "Tá na moda agora." ou Tá vendendo bastante desse modelo." Ou seja, além de usar algo que não fica bem em mim ainda vou sair por aí igual aos outros.

Outro tormento é quando tenho que comprar um sapato. Eu não uso salto alto, não gosto de salto alto e para mim ele não é nem um pouco prático, principalmente morando em Curitiba (quem conhece as calçadas daqui sabe do que estou falando), mas a bendita loja só tem sapatos com salto altíssimo porque agora "estão usando".

E a necessidade que implantam em nós de que, a cada lançamento de coleção primavera/verão ou outono/inverno, temos a obrigação de renovar nossos guarda-roupas? Será que aquela bota ou aquela blusa que comprei no inverno passado está tão ultrapassada assim? No final todo esse apelo comercial acaba dando um nó na cabeça e compramos um pouco de cada coisa, mas essas coisas não combinam entre si e talvez por isso um dia você saia com uma blusa amarelo ovo de bolinhas roxas e uma saia verde. Aí você vai dizer que não tem dinheiro para comprar roupas bacanas. É, mas para comprar aquela bota amarela que "estava na moda" e que você só usou uma vez, dinheiro não foi o problema.

Eu não tive uma educação para a moda. Quando criança usava o que meus pais compravam para mim. Na adolescência usava o que todos os adolescentes usavam e posso dizer que fui do gótico ao grunge sem escalas (ah... mas na adolescência a gente pode). Agora tento ter bom senso e me vestir na medida do meu salário, das minhas medidas e principalmente do que gosto. Nem sempre acerto e devo confessar que tenho uma preguiça imensa de ir de loja em loja para comprar uma roupa, mas às vezes é inevitável. E como não tenho um personal stylist tenho que treinar meu bom gosto porque às vezes aquele vestido maravilhoso que você olha pela vitrine esteja lá só para ser olhado.


* nada contra as mulheres que vestem bem qualquer roupa, talvez um pouco de inveja, afinal por que tudo tem que ficar bem nelas?

29 julho 2009

O Clube do Filme

Hoje consegui terminar mais um livro daqueles que tenho na estante a espera de leitura : O clube do filme de David Gilmore. Este livro foi uma indicação do professor Paulo Venturelli (quando uma pessoa trabalha a anos com leitura e tem uma biblioteca com 16 mil livros, sua indicação merece um pouco de atenção).

O livro conta a história de David Gilmore, um crítico de cinema desempregado que, diante do fracasso escolare do filho adolescente Jesse, toma uma decisão surpreendente: o filho poderia largar a escola, ficar sem fazer absolutamente nada desde que assistisse com o pai a três filmes por semana. Esta seria toda a educação que ele teria.

Essa foi uma atitude ao mesmo tempo corajosa e irresponsável. Como o fato aconteceu em Toronto, no Canadá não sei se lá a educação é vista e transmitida da mesma forma que é aqui, no Brasil, mas, para um jovem de 15 anos repleto de saúde simplesmente detestar ir à escola, creio que lá também deve existir aquela sucessão de fórmulas que você decora para uma prova e depois nunca mais usa.

A maioria das pessoas acharia esta atitude uma loucura principalmente porque a idéia de educação está totalmente colada à idéia de escola como se somente lá, entre aquelas paredes, pudéssemos receber educação (em muitos casos é somente lá que temos um pouco de educação, mas longe de ser o suficiente). Ontem mesmo discutíamos em aula se o ensino de gramática é realmente necessário. Quanto do que você decorou nas aulas de português realmente foi útil depois da prova? Quanto de tudo aquilo que diziam os livros didáticos você ainda lembra? E não é somente em relação à gramática que isso acontece. Matemática, geografia, química, física, boa parte do que "aprendemos" não fará diferença para nossa educação.

David fez uma aposta alta, se tivesse sucesso poderia estreitar sua relação com o filho em uma época difícil, a adolescência, tempo em que o que a maioria dos jovens quer é manter uma distância segura dos pais, além de oferecer algo mais do que a mentalização repetitiva dos bancos escolares.

Mas, se nada desse certo só lhe restaria um filho jovem e fracassado e toda a culpa por este fracasso seria atribuída ao pai.

Quantos pais teriam a mesma coragem e quantos deles estariam dispostos e se sentiriam capazes de assumir, sozinhos, a educação dos próprios filhos?

"Lembro minha última entrevista com David Cronenberg, durante a qual comentei, com um pouco de melancolia, que educar filhos era uma sequência de despedidas, um adeus após o outro – às fraldas, aos agasalhos de neve, depois às próprias crianças. ‘Eles passam a vida partindo’, eu falei, e Cronenberg, que também tem filhos adultos, me interrompeu: ‘Sim, mas será que eles realmente partem?’"

28 julho 2009

Chove chuva, chove sem parar...


Existem pessoas que adoram calor, outras preferem o frio e até algumas que gostam de ficar olhando a chuva. Um pouco de cada coisa eu acho bom, nem muito quente, nem muito cinza e com um pouquinho de chuva que faz bem para as plantas.


Quando era criança tinha uma relação saudável com os diferentes climas. Uma manhã de sol era boa para brincar até cansar, mas calor demais não caía bem.


Não era bom ir para escola em um dia chuvoso, ainda mais porque, por cima do meu uniforme da escola, minha mãe me obrigava a usar uma roupa velha que impedisse a chuva de molhar meu uniforme vermelho. Isso sem falar no guarda-chuva, na capa de chuva e nas botas plásticas. Mas tudo era recompensado quando, ao chegar em casa eu tomava um banho quentinho e minha mãe ma servia um chocolate quente. Não existia momento mais aconchegante.


Quando lembro do frio eu lembro das tardes de sábado em que eu vestia um agasalho de moletom e ia visitar algum parente que morava na vizinhança. É claro que nem todas as tardes de sábado eram geladas mas esse friozinho gostoso ficou marcado na minha memória. O frio de São Paulo realmente não se comparava ao de outras regiões, mas uma coisa que não podia faltar era a garoa.


Mas o que me levou a este clima de nostalgia? O simples fato de eu ter entrado de férias, viajado, voltado a trabalhar e o tempo em Curitiba ter permanecido o mesmo: chuvoso, frio e nublado, desafiando o bom humor de quase todos que aqui vivem. O sol está parecendo até aquele tio distante que você encontra somente algumas vezes por ano num almoço de família.


Tempo cinza não tem graça nenhuma.

26 junho 2009

M.J.

Quantos anos eu devia ter, oito, nove? Na sala de aula, em frente ao quadro branco e aproveitando que a professora não estava, alguns meninos tentavam andar na lua. Impossível. Só ele conseguia fazer aquilo com tamanha perfeição. Cada novo detalhe adotado virava sua marca, uma extensão de sua própria pessoa. O gesto feito com o chapéu, inclinando a cabeça para frente escondendo e revelando o rosto, a mão envolta na luva prateada dançando pelo ar, os pés indo de lado para o outro, incansáveis, e o passo, aquele passo, inimitável.

Cada nova música e principalmente cada novo vídeo-clip, eram ansiosamente aguardados com a certeza de que o que seria mostrado nunca nos decepcionaria. Nunca nos decepcionava. O melhor de todos eles, o mais feio e mais belo que já vi dava-me um medo muito grande. Eu, criança, não gostava de ver monstros e mortos-vivos levantando dos túmulos. Mas eu, criança , não resistia à toda aquela beleza. Eu tinha que olhar. Olhava. Olhava e sentia um misto de medo e prazer (felizmente a risada tenebrosa estava somente no final).

Da cozinha minha mãe dizia: tinha que ver quando ele era criança, uma graça, e que voz! Eu, criança, não dava muita importância a isso: tempo bom é tempo presente.

Meses atrás assisti a um DVD com uma aparições dele criança e aí entendi o que minha mãe dizia. Tempo bom é tempo que transcende.

Daqui algum tempo, quando forem comemorados os dez ou vinte anos de sua morte, talvez meus filhos não entendam porque parei tudo o que estava fazendo para ficar em frente à TV assistindo a um menino dançar e cantar com seus irmãos. Mas se eles prestarem bem atenção irão compreender, assim como eu compreendi o que minha mãe sentia.

17 fevereiro 2009

Caindo fora da folia



Eu devia ter uns cinco ou seis anos. Meu tio sentado na soleira da porta e eu, em pé atrás dele, vasculhando sua imensa cabeleira black power tentando livrá-la de alguns punhados de confete ali  depositados. Essa é a lembrança mais antiga que tenho sobre o carnaval. Nunca fui a um baile ou a um desfile e posso garantir com quase cem por cento de certeza que vocês nunca me verão vestida em um abadá correndo atrás de um trio elétrico. Quando criança eu tinha uma pontinha de vontade de participar de um baile, mas não por causa da dança ou das marchinhas, o que eu queria mesmo era me fantasiar de odalisca. Mas eu cresci e a vontade de sair por aí como uma nova versão de Jeanne é o gênio ficou para trás. Não vou dizer que odeio carnaval pois estaria mentindo: eu adoro ficar do sábado até a quarta-feira de cinzas à toa, sem ter que me preocupar com trabalho ou escola, mas minha simpatia por esta festa pagã vai só até aí. Tenho pena daquelas pessoas que, como eu, não simpatizam com a data mas moram em zonas críticas como Rio de Janeiro, Salvador ou Recife. Eu fui agraciada com o privilégio de morar em Curitiba (a capital ecológica onde tudo pode acontecer, menos o carnaval). Aqui não tem trio elétrico ou bloco carnavalesco. A cidade fica tão silenciosa que dá pra ouvir até os pássaros. Embora reze a lenda que em algum lugar no centro da cidade, nas noites de carnaval aconteçam desfiles de escolas de samba, nunca conheci alguém que tenha desfilado ou pelo menos assistido a um desses desfiles. Até ano passado essa história de que os moradores de Curitiba não gostam de carnaval era um tipo de lenda urbana, mas isso foi mais que comprovado com uma pesquisa divulgada esta semana: 

"Quem já desconfiava que curitibano não gosta de carnaval agora pode ter certeza. Sondagem do instituto Paraná Pesquisas confirma o que até agora era uma lenda urbana. De acordo com a pesquisa, 66,62% dos curitibanos não gostam de Carnaval contra apenas 33,38% que afirmam gostar da festa pagã. A mesma sondagem revela que ao contrário do que parece, 68,28% das pessoas que moram em Curitiba costumam passar o feriado da folia na cidade, contra 31,72%, que costumam viajar."


Fonte: http://www.bemparana.com.br  em 16/02/2009

Então se você não aguenta mais a batucada, a bagunça e os trios elétricos tocadores de axé e procura um lugar calmo para um retiro espiritual venha para Curitiba!



07 fevereiro 2009

para Francisco

De desencontros e encontros o amor nasceu. Desse amor um fruto cresceu. Da dor da perda  e da felicidade da chegada a ideia de transmitir aquele amor tomou forma, primeiro em um blog e agora em um livro. para Francisco, livro de Cristiana Guerra, lançado ano passado e baseado em seu blog para Francisco, é delicadamente emocionante.

Muitos ao assistirem um filme torcem para que tudo acabe com "...e viveram felizes para sempre" e se decepcionam ao constatar que alguns roteiristas não são fãs de contos de fadas: o casal não fica junto no final, aquela pessoa não retorna e alguém muito querido morre. Nessa hora queremos sentar na cadeira do diretor, gritar um sonoro "corta" e regravar a cena com um final feliz. Tive essa vontade ao ler para Francisco. Já acompanhava o blog a algum tempo mas fiz questão de comprar o livro. 

Após algumas idas e vindas Cris e Guilherme ficam juntos, ela engravida e dois meses antes do filho nascer Gui tem morte súbita. Cris decide então, através de "cartas", apresentar ao filho o pai que ele não pode conhecer. Mas Cris é generosa e também apresenta aos leitores um ser humano maravilhoso. No início da leitura pode haver revolta: "por que ele teve que partir tão cedo, por que naquela hora, por quê?" Essa pergunta talvez permaneça durante toda a leitura, mas, à medida ela avança, vai surgindo uma alegria, um contentamento por ver que o que Cris faz em seus textos não é lamentar a perda e assim agradecer a oportunidade ser amada, ontem e hoje, e de por em prática a capacidade de continuar amando, mesmo que de maneiras diferentes.

Ao ver as fotos, ler os emails trocados e as pequenas narrativas do dia-a-dia em que paira sempre um ar amoroso, vemos que os roteiristas têm razão: o fim da história não tem que ser "felizes para sempre". É preciso ser "felizes hoje, agora". Guilherme sabia disso, Cris aprendeu e agora nos ensina.


"A vida segue rápida e emocionante, o perigo é enorme, mas a paisagem compensa." (para Francisco)

Meme literário

Meme super atrasado. Desculpe Camila.


1. Livro/Autor(a) que marcou sua infância: uma edição infantil ilustrada de Alice no País das Maravilhas. Nem sabia ler mas já sabia a história de cor. Depois disso, ainda na infância, li a versão traduzida do original. 

2. Livro/Autor(a) que marcou sua adolescência: Vale das Vertentes de Giselda Laporta Nicolelis e muitos, muitos outros nesta linha juvenil. Sou uma aluna de letras que não nasceu lendo os clássicos. Mas não posso deixar de dizer que li Vidas Secas do Graciliano Ramos e simplesmente me apaixonei pela história. E é claro Agatha Christie, creio que li quase todos os seus livros.

3. Autor(a) que mais admira: Machado de Assis, Ruy Tapioca.

4. Autor(a) contemporâneo: Milton HatoumKalled Housseni, apesar da tristeza e raiva que dá do que acontece nas histórias, Luiz Vilela, por conseguir escrever (e bem) uma novela inteira só com diálogos, e Ruy Tapioca pelo  excelente República dos Bugres.

5. Leu e não gostou: Molecagem de Luiz Claudio Cardoso, é um livro infanto-juvenil que li na adolescência. Antes de lê-lo tinha a certeza de que nenhum livro era totalmente ruim, todos tinham alguma coisa boa a acrescentar. Me enganei.

6. Lê e relê: Gosto de reler alguns livros mas atualmente não estou nem conseguindo ler a primeira vez.

7. Manias: Não ter coragem de me desfazer dos meus livros. Por mim eles nunca sairão do meu lado. Outra: penso mil vezes antes do gastar dinheito com roupa, perfume, sapato e até com comida (quando é mais cara), mas não penso duas vezes antes de comprar um livro que eu queira.

21 janeiro 2009

Donde

Este aqui saiu daqui.



Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida. Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: "Eu também, eu também." Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar.

Sabedoria pré-adolescente

Era uma conversa corriqueira em que minha mãe brincava com meu irmão dizendo: "Não quero saber de cunhada tão cedo pois você é muito novo para casar." Eis que de um canto da sala surge o seguinte diálogo:

meu filho: "Mas tem é que casar cedo mesmo."

eu: "Por quê?"

meu filho: "Porque se alguém casa tarde e depois de dez anos se separa já vai estar *muito velho para casar novamente. Agora, se você casar bem cedo quando se separar ainda vai estar novo e será mais fácil casar de novo."


* na verdade aqui ele usou a palavra "acabado" ao invés de "muito velho". Qual imagem as crianças têm de pessoas com mais de quarenta?

15 janeiro 2009

O filho eterno

Livro comprado, autógrafo devidamente registrado mas nada de conseguir chegar à última página. Confesso que minha capacidade de leitura já foi bem melhor. Mas enfim cheguei ao fim de O Filho Eterno de Cristovão Tezza, ganhador, entre outros prêmios, do Jabuti na categoria melhor romance.

A história de um pai e seu filho com síndrome de Down. Talvez apenas por essa minúscula descrição poderia-se pensar em uma historia de doação, coragem e amor incondicional. Tomará um choque quem assim pensar. Temos um pai sem nome e seu filho Felipe, um filho incompleto, um filho que não satisfaz a idéia de filho criada pelo pai, e esse pai claramente se recusa a aceitar um filho pela metade.  Mas será que o correto, ou antes,  será uma reação humana normal um pai aceitar pacificamente que seu filho nunca será aquilo que todos os filhos devem ser? O filho nunca crescerá, será uma eterna criança, sempre dependente em algum aspecto. Qual pai ou mãe não sonha com um filho perfeito, que nasça forte e se desenvolva bem? Pensar o contrario disso é hipocrisia, afinal o importante não é nascer com saúde? Definitivamente para o pai de Felipe, aquela criança que ele carrega nos braços não condiz com a idéia de "nascer com saúde". Mas a criança alí está e precisa ser cuidada. O pai passa a aplicar no filho algumas terapias para que ele se desenvolva e lá no íntimo sonha que as repetidas sessões criem uma criança normal. Isso não vai acontecer, o pai sabe, mas a aceitação dessa realidade que será "eterna" leva tempo. Entre as lembranças de sua juventude e o inconformismo com sua medíocre vida presente o homem vai abandonando a ideia de criar um filho perfeito e transforma-se no pai que Felipe precisa. 

Esta é uma historia de doação, coragem e amor incondicional, mas não nos moldes folhetinescos e é aí que ela se faz tão verdadeira. 

31 dezembro 2008

Ano Novo

Pois é, o  Ano Novo taí e as pessoas correm fazer listas e promessas para a nova etapa que se inicia. É claro que tudo é válido para que se possa viver um ano melhor, mas não devemos esquecer que este novo ano deve partir de dentro de nós, que nós é que devemos nos renovar e realmente acreditar que quem faz o regime dar certo, quem consegue parar de fumar, consegue um aumento de salário ou encontra um novo amor não é 2009 e sim nós mesmos.

Façamos então um Feliz Ano Novo!