21 agosto 2009

Ser consciente...

"Ser consciente é saber que posso ter tudo, mas conseguir viver com o essencial."
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"Being conscious is that I can have everything, but can live with the essential"

18 agosto 2009

Que moda é essa?


Hoje tem Esquadrão da Moda versão da tevê do Sílvio Santos para o programa What Not to Wear dos canais Discovery Home & Health e BBC. Eu, que já tinha um amor declarado pelas séries de tevê, descobri uma simpatia muito grande por reality shows, daqueles que passam no canal People & Arts e que as emissoras tupiniquins vivem reproduzindo (mas nada de BBB, please!). O Esquadrão é basicamente assim: alguém, sem nenhum estilo ou de estilo duvidoso ao se vestir, é "denunciado" por amigos e parentes e tem a chance de renovar seu guarda-roupa. Para isso conta com a ajuda de dois consultores de moda e de um cartão com um crédito de dez mil reais.

É incrivel ver como existem pessoas sem nenhum parâmetro na hora de vestir. Não que eu seja modelo de classe e estilo, muito pelo contrário (mas essa e essa aqui tem muito disso que me falta), mas provavelmente eu não sairia por aí vestindo um terninho cor de catchup descombinando com uma bota marrom e uma bolsa amarela.

Existem pessoas que são fissuradas em manter-se "na moda" desde sempre. É bom andar bem vestido, claro, mas há de se ter bom senso. Por exemplo, na última coleção daquele estilista super famoso a tendência são vestidos hiper curtos em um tecido que marca bem as curvas. Então a indústria começa a produzir toneladas e mais toneladas desse tipo de roupa. Para cada vitrine que você olha lá está o vestido pedindo para ser comprado e usado. Até aí tudo bem mas, aquele vestido lá do desfile e esse que está na vitrine foram feitos para um biotipo específico, o das *mulheres-cabide, aquelas em que qualquer coisa que vestirem fica bem. Geralmente são mulheres magras, altas e com busto, cintura e quadris que obedecem as rigorosas leis dos estilistas. Eles não foram feitos para quem tem 1,50 m de altura, está acima do peso ideal e tem uns pneuzinhos distribuídos em algumas partes do corpo. Mas esse vestido "está na moda" então, contrariando as leis da física e do bom senso você vai lá e compra.

As pessoas confundem muito a noção de moda com a de indústria da moda. O objetivo principal da indústria não é lhe fazer mais bonita, e sim vender mais roupas e aí não importa se esta ou aquela vai lhe cair bem, o importante é que você consuma sempre mais. Eu por exemplo uso muita calça jeans mas toda vez que vou comprar uma calça nova é um sacrifício. Primeiro porque, ao invés da roupa ser feita para se adequar ao meu corpo é o meu corpo que tem que dar um jeito de ficar bem dentro da peça (lembram da mulher cabide?) e segundo porque as vendedoras sempre querem me empurrar calças cheias de bordados, brilhos e outros badulaques. A justificativa? "Tá na moda agora." ou Tá vendendo bastante desse modelo." Ou seja, além de usar algo que não fica bem em mim ainda vou sair por aí igual aos outros.

Outro tormento é quando tenho que comprar um sapato. Eu não uso salto alto, não gosto de salto alto e para mim ele não é nem um pouco prático, principalmente morando em Curitiba (quem conhece as calçadas daqui sabe do que estou falando), mas a bendita loja só tem sapatos com salto altíssimo porque agora "estão usando".

E a necessidade que implantam em nós de que, a cada lançamento de coleção primavera/verão ou outono/inverno, temos a obrigação de renovar nossos guarda-roupas? Será que aquela bota ou aquela blusa que comprei no inverno passado está tão ultrapassada assim? No final todo esse apelo comercial acaba dando um nó na cabeça e compramos um pouco de cada coisa, mas essas coisas não combinam entre si e talvez por isso um dia você saia com uma blusa amarelo ovo de bolinhas roxas e uma saia verde. Aí você vai dizer que não tem dinheiro para comprar roupas bacanas. É, mas para comprar aquela bota amarela que "estava na moda" e que você só usou uma vez, dinheiro não foi o problema.

Eu não tive uma educação para a moda. Quando criança usava o que meus pais compravam para mim. Na adolescência usava o que todos os adolescentes usavam e posso dizer que fui do gótico ao grunge sem escalas (ah... mas na adolescência a gente pode). Agora tento ter bom senso e me vestir na medida do meu salário, das minhas medidas e principalmente do que gosto. Nem sempre acerto e devo confessar que tenho uma preguiça imensa de ir de loja em loja para comprar uma roupa, mas às vezes é inevitável. E como não tenho um personal stylist tenho que treinar meu bom gosto porque às vezes aquele vestido maravilhoso que você olha pela vitrine esteja lá só para ser olhado.


* nada contra as mulheres que vestem bem qualquer roupa, talvez um pouco de inveja, afinal por que tudo tem que ficar bem nelas?

29 julho 2009

O Clube do Filme

Hoje consegui terminar mais um livro daqueles que tenho na estante a espera de leitura : O clube do filme de David Gilmore. Este livro foi uma indicação do professor Paulo Venturelli (quando uma pessoa trabalha a anos com leitura e tem uma biblioteca com 16 mil livros, sua indicação merece um pouco de atenção).

O livro conta a história de David Gilmore, um crítico de cinema desempregado que, diante do fracasso escolare do filho adolescente Jesse, toma uma decisão surpreendente: o filho poderia largar a escola, ficar sem fazer absolutamente nada desde que assistisse com o pai a três filmes por semana. Esta seria toda a educação que ele teria.

Essa foi uma atitude ao mesmo tempo corajosa e irresponsável. Como o fato aconteceu em Toronto, no Canadá não sei se lá a educação é vista e transmitida da mesma forma que é aqui, no Brasil, mas, para um jovem de 15 anos repleto de saúde simplesmente detestar ir à escola, creio que lá também deve existir aquela sucessão de fórmulas que você decora para uma prova e depois nunca mais usa.

A maioria das pessoas acharia esta atitude uma loucura principalmente porque a idéia de educação está totalmente colada à idéia de escola como se somente lá, entre aquelas paredes, pudéssemos receber educação (em muitos casos é somente lá que temos um pouco de educação, mas longe de ser o suficiente). Ontem mesmo discutíamos em aula se o ensino de gramática é realmente necessário. Quanto do que você decorou nas aulas de português realmente foi útil depois da prova? Quanto de tudo aquilo que diziam os livros didáticos você ainda lembra? E não é somente em relação à gramática que isso acontece. Matemática, geografia, química, física, boa parte do que "aprendemos" não fará diferença para nossa educação.

David fez uma aposta alta, se tivesse sucesso poderia estreitar sua relação com o filho em uma época difícil, a adolescência, tempo em que o que a maioria dos jovens quer é manter uma distância segura dos pais, além de oferecer algo mais do que a mentalização repetitiva dos bancos escolares.

Mas, se nada desse certo só lhe restaria um filho jovem e fracassado e toda a culpa por este fracasso seria atribuída ao pai.

Quantos pais teriam a mesma coragem e quantos deles estariam dispostos e se sentiriam capazes de assumir, sozinhos, a educação dos próprios filhos?

"Lembro minha última entrevista com David Cronenberg, durante a qual comentei, com um pouco de melancolia, que educar filhos era uma sequência de despedidas, um adeus após o outro – às fraldas, aos agasalhos de neve, depois às próprias crianças. ‘Eles passam a vida partindo’, eu falei, e Cronenberg, que também tem filhos adultos, me interrompeu: ‘Sim, mas será que eles realmente partem?’"

28 julho 2009

Chove chuva, chove sem parar...


Existem pessoas que adoram calor, outras preferem o frio e até algumas que gostam de ficar olhando a chuva. Um pouco de cada coisa eu acho bom, nem muito quente, nem muito cinza e com um pouquinho de chuva que faz bem para as plantas.


Quando era criança tinha uma relação saudável com os diferentes climas. Uma manhã de sol era boa para brincar até cansar, mas calor demais não caía bem.


Não era bom ir para escola em um dia chuvoso, ainda mais porque, por cima do meu uniforme da escola, minha mãe me obrigava a usar uma roupa velha que impedisse a chuva de molhar meu uniforme vermelho. Isso sem falar no guarda-chuva, na capa de chuva e nas botas plásticas. Mas tudo era recompensado quando, ao chegar em casa eu tomava um banho quentinho e minha mãe ma servia um chocolate quente. Não existia momento mais aconchegante.


Quando lembro do frio eu lembro das tardes de sábado em que eu vestia um agasalho de moletom e ia visitar algum parente que morava na vizinhança. É claro que nem todas as tardes de sábado eram geladas mas esse friozinho gostoso ficou marcado na minha memória. O frio de São Paulo realmente não se comparava ao de outras regiões, mas uma coisa que não podia faltar era a garoa.


Mas o que me levou a este clima de nostalgia? O simples fato de eu ter entrado de férias, viajado, voltado a trabalhar e o tempo em Curitiba ter permanecido o mesmo: chuvoso, frio e nublado, desafiando o bom humor de quase todos que aqui vivem. O sol está parecendo até aquele tio distante que você encontra somente algumas vezes por ano num almoço de família.


Tempo cinza não tem graça nenhuma.

26 junho 2009

M.J.

Quantos anos eu devia ter, oito, nove? Na sala de aula, em frente ao quadro branco e aproveitando que a professora não estava, alguns meninos tentavam andar na lua. Impossível. Só ele conseguia fazer aquilo com tamanha perfeição. Cada novo detalhe adotado virava sua marca, uma extensão de sua própria pessoa. O gesto feito com o chapéu, inclinando a cabeça para frente escondendo e revelando o rosto, a mão envolta na luva prateada dançando pelo ar, os pés indo de lado para o outro, incansáveis, e o passo, aquele passo, inimitável.

Cada nova música e principalmente cada novo vídeo-clip, eram ansiosamente aguardados com a certeza de que o que seria mostrado nunca nos decepcionaria. Nunca nos decepcionava. O melhor de todos eles, o mais feio e mais belo que já vi dava-me um medo muito grande. Eu, criança, não gostava de ver monstros e mortos-vivos levantando dos túmulos. Mas eu, criança , não resistia à toda aquela beleza. Eu tinha que olhar. Olhava. Olhava e sentia um misto de medo e prazer (felizmente a risada tenebrosa estava somente no final).

Da cozinha minha mãe dizia: tinha que ver quando ele era criança, uma graça, e que voz! Eu, criança, não dava muita importância a isso: tempo bom é tempo presente.

Meses atrás assisti a um DVD com uma aparições dele criança e aí entendi o que minha mãe dizia. Tempo bom é tempo que transcende.

Daqui algum tempo, quando forem comemorados os dez ou vinte anos de sua morte, talvez meus filhos não entendam porque parei tudo o que estava fazendo para ficar em frente à TV assistindo a um menino dançar e cantar com seus irmãos. Mas se eles prestarem bem atenção irão compreender, assim como eu compreendi o que minha mãe sentia.

17 fevereiro 2009

Caindo fora da folia



Eu devia ter uns cinco ou seis anos. Meu tio sentado na soleira da porta e eu, em pé atrás dele, vasculhando sua imensa cabeleira black power tentando livrá-la de alguns punhados de confete ali  depositados. Essa é a lembrança mais antiga que tenho sobre o carnaval. Nunca fui a um baile ou a um desfile e posso garantir com quase cem por cento de certeza que vocês nunca me verão vestida em um abadá correndo atrás de um trio elétrico. Quando criança eu tinha uma pontinha de vontade de participar de um baile, mas não por causa da dança ou das marchinhas, o que eu queria mesmo era me fantasiar de odalisca. Mas eu cresci e a vontade de sair por aí como uma nova versão de Jeanne é o gênio ficou para trás. Não vou dizer que odeio carnaval pois estaria mentindo: eu adoro ficar do sábado até a quarta-feira de cinzas à toa, sem ter que me preocupar com trabalho ou escola, mas minha simpatia por esta festa pagã vai só até aí. Tenho pena daquelas pessoas que, como eu, não simpatizam com a data mas moram em zonas críticas como Rio de Janeiro, Salvador ou Recife. Eu fui agraciada com o privilégio de morar em Curitiba (a capital ecológica onde tudo pode acontecer, menos o carnaval). Aqui não tem trio elétrico ou bloco carnavalesco. A cidade fica tão silenciosa que dá pra ouvir até os pássaros. Embora reze a lenda que em algum lugar no centro da cidade, nas noites de carnaval aconteçam desfiles de escolas de samba, nunca conheci alguém que tenha desfilado ou pelo menos assistido a um desses desfiles. Até ano passado essa história de que os moradores de Curitiba não gostam de carnaval era um tipo de lenda urbana, mas isso foi mais que comprovado com uma pesquisa divulgada esta semana: 

"Quem já desconfiava que curitibano não gosta de carnaval agora pode ter certeza. Sondagem do instituto Paraná Pesquisas confirma o que até agora era uma lenda urbana. De acordo com a pesquisa, 66,62% dos curitibanos não gostam de Carnaval contra apenas 33,38% que afirmam gostar da festa pagã. A mesma sondagem revela que ao contrário do que parece, 68,28% das pessoas que moram em Curitiba costumam passar o feriado da folia na cidade, contra 31,72%, que costumam viajar."


Fonte: http://www.bemparana.com.br  em 16/02/2009

Então se você não aguenta mais a batucada, a bagunça e os trios elétricos tocadores de axé e procura um lugar calmo para um retiro espiritual venha para Curitiba!



07 fevereiro 2009

para Francisco

De desencontros e encontros o amor nasceu. Desse amor um fruto cresceu. Da dor da perda  e da felicidade da chegada a ideia de transmitir aquele amor tomou forma, primeiro em um blog e agora em um livro. para Francisco, livro de Cristiana Guerra, lançado ano passado e baseado em seu blog para Francisco, é delicadamente emocionante.

Muitos ao assistirem um filme torcem para que tudo acabe com "...e viveram felizes para sempre" e se decepcionam ao constatar que alguns roteiristas não são fãs de contos de fadas: o casal não fica junto no final, aquela pessoa não retorna e alguém muito querido morre. Nessa hora queremos sentar na cadeira do diretor, gritar um sonoro "corta" e regravar a cena com um final feliz. Tive essa vontade ao ler para Francisco. Já acompanhava o blog a algum tempo mas fiz questão de comprar o livro. 

Após algumas idas e vindas Cris e Guilherme ficam juntos, ela engravida e dois meses antes do filho nascer Gui tem morte súbita. Cris decide então, através de "cartas", apresentar ao filho o pai que ele não pode conhecer. Mas Cris é generosa e também apresenta aos leitores um ser humano maravilhoso. No início da leitura pode haver revolta: "por que ele teve que partir tão cedo, por que naquela hora, por quê?" Essa pergunta talvez permaneça durante toda a leitura, mas, à medida ela avança, vai surgindo uma alegria, um contentamento por ver que o que Cris faz em seus textos não é lamentar a perda e assim agradecer a oportunidade ser amada, ontem e hoje, e de por em prática a capacidade de continuar amando, mesmo que de maneiras diferentes.

Ao ver as fotos, ler os emails trocados e as pequenas narrativas do dia-a-dia em que paira sempre um ar amoroso, vemos que os roteiristas têm razão: o fim da história não tem que ser "felizes para sempre". É preciso ser "felizes hoje, agora". Guilherme sabia disso, Cris aprendeu e agora nos ensina.


"A vida segue rápida e emocionante, o perigo é enorme, mas a paisagem compensa." (para Francisco)

Meme literário

Meme super atrasado. Desculpe Camila.


1. Livro/Autor(a) que marcou sua infância: uma edição infantil ilustrada de Alice no País das Maravilhas. Nem sabia ler mas já sabia a história de cor. Depois disso, ainda na infância, li a versão traduzida do original. 

2. Livro/Autor(a) que marcou sua adolescência: Vale das Vertentes de Giselda Laporta Nicolelis e muitos, muitos outros nesta linha juvenil. Sou uma aluna de letras que não nasceu lendo os clássicos. Mas não posso deixar de dizer que li Vidas Secas do Graciliano Ramos e simplesmente me apaixonei pela história. E é claro Agatha Christie, creio que li quase todos os seus livros.

3. Autor(a) que mais admira: Machado de Assis, Ruy Tapioca.

4. Autor(a) contemporâneo: Milton HatoumKalled Housseni, apesar da tristeza e raiva que dá do que acontece nas histórias, Luiz Vilela, por conseguir escrever (e bem) uma novela inteira só com diálogos, e Ruy Tapioca pelo  excelente República dos Bugres.

5. Leu e não gostou: Molecagem de Luiz Claudio Cardoso, é um livro infanto-juvenil que li na adolescência. Antes de lê-lo tinha a certeza de que nenhum livro era totalmente ruim, todos tinham alguma coisa boa a acrescentar. Me enganei.

6. Lê e relê: Gosto de reler alguns livros mas atualmente não estou nem conseguindo ler a primeira vez.

7. Manias: Não ter coragem de me desfazer dos meus livros. Por mim eles nunca sairão do meu lado. Outra: penso mil vezes antes do gastar dinheito com roupa, perfume, sapato e até com comida (quando é mais cara), mas não penso duas vezes antes de comprar um livro que eu queira.

21 janeiro 2009

Donde

Este aqui saiu daqui.



Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida. Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: "Eu também, eu também." Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar.

Sabedoria pré-adolescente

Era uma conversa corriqueira em que minha mãe brincava com meu irmão dizendo: "Não quero saber de cunhada tão cedo pois você é muito novo para casar." Eis que de um canto da sala surge o seguinte diálogo:

meu filho: "Mas tem é que casar cedo mesmo."

eu: "Por quê?"

meu filho: "Porque se alguém casa tarde e depois de dez anos se separa já vai estar *muito velho para casar novamente. Agora, se você casar bem cedo quando se separar ainda vai estar novo e será mais fácil casar de novo."


* na verdade aqui ele usou a palavra "acabado" ao invés de "muito velho". Qual imagem as crianças têm de pessoas com mais de quarenta?

15 janeiro 2009

O filho eterno

Livro comprado, autógrafo devidamente registrado mas nada de conseguir chegar à última página. Confesso que minha capacidade de leitura já foi bem melhor. Mas enfim cheguei ao fim de O Filho Eterno de Cristovão Tezza, ganhador, entre outros prêmios, do Jabuti na categoria melhor romance.

A história de um pai e seu filho com síndrome de Down. Talvez apenas por essa minúscula descrição poderia-se pensar em uma historia de doação, coragem e amor incondicional. Tomará um choque quem assim pensar. Temos um pai sem nome e seu filho Felipe, um filho incompleto, um filho que não satisfaz a idéia de filho criada pelo pai, e esse pai claramente se recusa a aceitar um filho pela metade.  Mas será que o correto, ou antes,  será uma reação humana normal um pai aceitar pacificamente que seu filho nunca será aquilo que todos os filhos devem ser? O filho nunca crescerá, será uma eterna criança, sempre dependente em algum aspecto. Qual pai ou mãe não sonha com um filho perfeito, que nasça forte e se desenvolva bem? Pensar o contrario disso é hipocrisia, afinal o importante não é nascer com saúde? Definitivamente para o pai de Felipe, aquela criança que ele carrega nos braços não condiz com a idéia de "nascer com saúde". Mas a criança alí está e precisa ser cuidada. O pai passa a aplicar no filho algumas terapias para que ele se desenvolva e lá no íntimo sonha que as repetidas sessões criem uma criança normal. Isso não vai acontecer, o pai sabe, mas a aceitação dessa realidade que será "eterna" leva tempo. Entre as lembranças de sua juventude e o inconformismo com sua medíocre vida presente o homem vai abandonando a ideia de criar um filho perfeito e transforma-se no pai que Felipe precisa. 

Esta é uma historia de doação, coragem e amor incondicional, mas não nos moldes folhetinescos e é aí que ela se faz tão verdadeira. 

31 dezembro 2008

Ano Novo

Pois é, o  Ano Novo taí e as pessoas correm fazer listas e promessas para a nova etapa que se inicia. É claro que tudo é válido para que se possa viver um ano melhor, mas não devemos esquecer que este novo ano deve partir de dentro de nós, que nós é que devemos nos renovar e realmente acreditar que quem faz o regime dar certo, quem consegue parar de fumar, consegue um aumento de salário ou encontra um novo amor não é 2009 e sim nós mesmos.

Façamos então um Feliz Ano Novo!

10 dezembro 2008

Dia triste

Hoje é um dia triste. O pai de uma amiga muito querida faleceu. Não gosto de falar sobre tristezas pois já bastam as que meus olhos vêem e as que carrego dentro de mim, mas essa notícia, assim, de repente, me fez ficar com um peso no peito. Não há a coisa certa a dizer nesta hora, a perda de alguém amado cessa toda linguagem possível. Isso não é uma homenagem, não é um consolo, são só poucas palavras para dizer que hoje senti o verdadeiro significado de compartilhar a dor alheia.

04 dezembro 2008

Meme quatro coisas sobre mim

Meme encaminhado pela Anita por email que a Cami respondeu no blog e eu responderei aqui:


Quatro lugares em que vivi:

- Santo André
- Curitiba
- Araras
- Curitiba again

Programas de TV que eu assistia quando criança:

- Sítio do Pica-Pau Amarelo (morria de medo da Cuca)
- Bambalalão - o melhor programa infantil de todos os tempos
- Rá-Tim-Bum
- Show da Xuxa - pois é...

Programas de Tv que assisto:

- CQC

Formas diferentes que me chamam:

- Ká
- Kátia Re
- Mãe
- Amor (às vezes amorzinho podendo chegar a um sonoro "monstro")

Quatro pessoas que me mandam emails quase todos os dias:

- Camila
- Amália
- Cris
- Anita

Quatro comidas favoritas:

- Pizza do Baba Salim
- Salmão
- Yakisoba
- Quibe crú + coalhada + pão sírio

Quatro lugares que eu desejaria estar agora:

- São Paulo
- Dublin
- Na cama dormindo
- Senai em 1992

Quatro amigos que creio que responderão:

- Há vagas
- Há vagas
- Há vagas
- Há vagas

Desejo que este ano (2009) eu possa:

- Ir melhor na faculdade
- Sentir menos sono
- Passar mais tempo com o filhote
- Jantar em lugares legais

Quem quiser responder sinta-se à vontade. Só deixe um recado para eu poder dar um olhada.

16 novembro 2008

Não faltava mais nada


Um belo dia dividi meu espaço no ônibus com uma galinha (aquelas que têm penas e botam ovos) e escrevi um post dizendo que agora não falta mais nada. Engano meu. Às vezes eu esqueço que moro em Curitiba, a capital ecológica onde tudo pode acontecer. No centro da cidade temos o famoso calçadão onde podemos encontrar: palhaços tentando vender bonequinhos feitos de balão (para alegria das crianças e desespero dos pais), ciganas querendo ler sua sorte (!?), grupos musicais, duplas sertanejas, dançarinos de tango, estátuas vivas, pastores evangélicos gritando em megafones tentando converter os transeuntes, "poetas" tentando te empurrar um livrinho muito do vagabundo de autoria própria, pedintes e desocupados em geral. Não bastasse essa rica fauna esta semana estava indo para faculdade quando olhei para o lado e vi um homem levando um rato em uma coleira. Pisquei, balancei a cabeça e olhei de novo. Sim, era um rato em uma coleira, e era de verdade! Era tipo um hamister, só que um pouco mais desenvolvido.

Não, não vou falar que agora não falta mais nada. Sabe-se lá o que encontrarei amanhã.

ps.: Ah! Também já vi uma mulher segurando uma faca enorme e correndo atrás de um cara em pleno calçadão.


Imagem: finissimo.com.br

12 novembro 2008

A um passo

Estou a um passo. O simples movimento de levar um pé a frente do outro e pronto, o passo está dado. Mas é tão difícil. Dar este passo significa entrar no desconhecido, deixar a segurança para trás e lançar-me numa aventura que não sei onde vai chegar. Olho para os lados e vejo as pessoas simplesmente atirando-se para frente. Não consigo descobrir se o que elas têm é menos medo ou mais coragem do que eu. Esta é a última semana de uma moça aqui do trabalho. Quando ela me disse que ia sair, logo pensei “deve ter encontrado um emprego melhor e principalmente estável, afinal, ela não é mais da turma dos vinte e tantos e além disso tem dois filhos para criar”. Mas não, ela não encontrou um “emprego estável” pelo menos para os padrões de hoje. Ela e o marido vão mudar de estado, vão viver na praia às custas de um negócio próprio. Que maravilha eu pensei, e que coragem! Maldita coragem que me falta, sempre me faltou. Sabe pessoas com os dois pés atrás? Eu sou uma delas em muitas situações.


Meus avós paternos nasceram no Ceará, casaram por lá e mesmo antes do primeiro filho nascer desceram o mapa com destino à São Paulo. Só tinham um ao outro. Parece pouco mas foi o suficiente para construir uma casa e dar uma vida decente a três filhos. Meus avós maternos também, tinham a mesma coragem e o dobro de filhos. Após uma geada que destruiu a lavoura de café, deixaram para trás a enxada e subiram o mapa até São Paulo. Minha mãe, com dezoito anos, e com um irmão mais novo a tiracolo foi na frente e sem conhecer ninguém conseguiu emprego e uma casa para a família morar. Meus avós deram-me, através de seus genes, muitas das minhas características (menos os olhos azuis do meu avô paterno, droga!), mas cadê o gene da coragem? Será que houve algum problema na hora da divisão celular e, ao invés de um par de genes da coragem e outro do medo eu fiquei com dois pares de genes do medo?


Ontem estava lendo o blog da Larissa. – esta é uma pessoa de coragem, e de vontade – e aproveitei para assistir dois vídeos do Youtube que ela postou no lá. O primeiro é uma versão inglesa do programa Ídolos (eu acho) que mostrava a seleção dos candidatos a cantores. Sobe no palco um gordinho, dentes tortos e cara de bobo, e fica de frente para três jurados sisudos com uma platéia ao fundo. Perguntam o que ele vai cantar, uma ópera responde ele. Os jurados fazem cara de interrogação. Quando o rapaz abre a boca não há como não se emocionar, e olha que eu não tenho ouvido acostumado a esse tipo de música. Ele é aplaudido de pé. Ele deu um passo. O outro vídeo é sobre uma avó que cuida do neto de dezesseis anos que tem paralisia cerebral. O rapaz não anda e mal movimenta os braços e a cabeça. Sozinha a avó arruma o neto, o coloca na cadeira de rodas e vai até o ponto de ônibus. Quando chega o ônibus ela pega o garoto no colo (ele deve ter o peso de um adulto) sobe as escadas e o coloca no banco, desce e pega a cadeira de rodas. Na hora de desembarcar é a mesma coisa. Tudo isso para levá-lo até a clínica em que ele faz tratamento, pois seu maior sonho é vê-lo andar. O vídeo está em espanhol, mas não é preciso entender a língua para saber que esta doce abuelita deu centenas de passos.


Às vezes parece tão difícil para um bebê dar seu primeiro passo. Ele tem medo, duvida que vá conseguir, tenta ficar em pé mas cai. Tenta novamente e, meio desequilibrado, dá seu primeiro passo. Depois disso não pára mais, é só uma questão de tempo para que queira conquistar o mundo.


E após todos esses anos aqui estou eu, indecisa, com medo de seguir em frente porque, diferente da minha primeira vez, agora não há ninguém do outro lado da sala me esperando de braços abertos.

02 novembro 2008

Ensaio Sobre a Cegueira


Quantas vezes já desejamos fazer algo, talvez algum sonho secreto, e paramos assustados ao perceber que alguém nos vigiava? Esses olhos pesam sobre nossos ombros, olhos que podem ser de um pai severo tentando manter o filho longe de encrencas, de uma professora exigente tentando manter sua turma sob controle, olhos de um chefe limitado tentando podar um funcionário talentoso que o ameaça. Olhos divinos que nos seguem por toda parte, mesmo naqueles lugares em que olhares mortais não nos alcançam.

Esse olhar nos sufoca, nos reprime, nos faz pensar duas, três vezes antes de darmos vazão aos nossos desejos e, muitas vezes nos tortura. Todos têm, em maior ou menor grau, limitações. O que para alguns pode ser uma coisa totalmente corriqueira, como falar para uma platéia de cem, duzentas pessoas, para outros pode ser a morte. Mas o que determina essa diferença de atitude? Será que os olhares são mais brandos para uns do que para outros, ou será que a diferença está em quem recebe o olhar?

Se são os olhos do mundo que nos reprimem, então por que, mesmo quando ninguém nos vê ainda assim nos recolhemos, nos escondemos? Muitos falarão que é a divindade, que tudo vê, mas isso também vale para aqueles que não se curvam a nenhum ser divino? Será a consciência então, que está mais próxima de nós que nossos pais e que a própria divindade, que nos bloqueia e nos impede de fazer coisas que não são aceitáveis em uma civilização?

Seja o que for que nos vigia; a civilização, a divindade ou a consciência, impedindo-nos de darmos vazão aos nossos desejos; isso também nos protege. Impede que outras pessoas dêem vazão a desejos que são altamente danosos. Abrindo mão de uma parte de nossa liberdade garantimos um pouco de segurança.

Mas e se um dia você acordasse e descobrisse que ninguém mais te vigia, que ninguém mais pode te ver?


Em Ensaio Sobre a Cegueira os olhares que nos protegem e que nos acusam não existem mais. É hora de escolher em que lado ficar: lutar pela sobrevivência guiados pelo único juiz que a falta de visão não conseguiu eliminar - a consciência; ou liberar os instintos animalescos há tempos encarcerados dentro de nós. Talvez para quem assista seja fácil escolher o óbvio. Partindo da certeza de que somos seres civilizados devemos deixar a consciência nos guiar, mas e quando o instinto de sobrevivência fala mais alto e não existem olhares a nos denunciar?

O filme é uma fonte fecunda de sentimentos contrários. Primeiro a sociedade dita “civilizada” elimina de forma desumana e rápida aqueles considerados uma ameaça. Todos os infectados pela cegueira branca são levados para um sanatório desativado. Desta maneira a vida das pessoas “normais” não é afetada, elimina-se o mal pela raiz.

Dentro do sanatório, sem visão, sem regras, sem olhares que reprimam ou protejam, as pessoas devem escolher; ou se unem em bandos – assim como fazem os animais – para se protegerem de outros bandos ou morrem. A perda da visão significa também a perda da civilidade, do pudor e do respeito. O sonho de um dia poder se livrar dos olhares acusadores agora se transforma em pesadelo. Mas a mesma doença que transforma alguns em animais faz outros mais humanos. Ainda que ninguém determine as leis a serem seguidas e não exista punição para a contravenção os que cultivam o amor pela vida têm aí a sua salvação.


O filme começa num ritmo acelerado, com um homem que perde a visão de um instante para o outro enquanto dirige de casa para o trabalho e que mergulha em uma espécie de névoa leitosa assustadora. Uma a uma, cada pessoa com quem ele encontra - sua esposa, seu médico, até mesmo o aparentemente bom samaritano que lhe oferece carona para casa terá o mesmo destino. À medida que a doença se espalha, o pânico e a paranóia contagiam a cidade. As novas vítimas da "cegueira branca" são cercadas e colocadas em quarentena num hospício caindo aos pedaços, onde qualquer semelhança com a vida cotidiana começa a desaparecer. Dentro do hospital isolado, no entanto, há uma testemunha ocular secreta: uma mulher (JULIANNE MOORE, quatro vezes indicada ao Oscar) que não foi contagiada, mas finge estar cega para ficar ao lado de seu amado marido (MARK RUFFALO). Armada com uma coragem cada vez maior, ela será a líder de uma improvisada família de sete pessoas que sai em uma jornada, atravessando o horror e o amor, a depravação e a incerteza, com o objetivo de fugir do hospital e seguir pela cidade devastada, onde eles buscam uma esperança. A jornada da família lança luz tanto sobre a perigosa fragilidade da sociedade como também no exasperador espírito de humanidade. (...)

fonte: http://www.ensaiosobreacegueirafilme.com.br/main.php


28 outubro 2008

Proposições e devaneios

Filosofia de botequim, ainda que não concebida em um.

- O que me falta?

- Do que eu sinto falta?

- Não posso mudar o passado, logo não devo me arrepender

- Não tenho que agradar todos

- Mesmo que eu dedique minha vida a agradar os outros, ainda assim não agradarei a todos que quero.

- Não posso ir contra o fato de que nem todo gostarão de mim. O defeito pode ser meu mas também pode não ser.

- Não vou conseguir fazer tudo o que quero.

- Não vou conseguir fazer tudo o que preciso.

- Não tenho que dar conta de todas as tarefas que o mundo me atribui.

- Tenho que conviver com o fato de que existem pessoas que não prestam.

- Não tenho que gostar de todos.

- Não preciso provar nada a ninguém.

- Não posso fazer pelos outros mais do que aquilo que eles desejam receber de mim.

- Estamos ao mesmo tempo juntos e sozinhos.

- Não conseguirei congelar o tempo nos dias em que fui mais feliz. Tenho que buscar outros dias felizes.

- Não preciso abandonar prazeres antigos só porque fiquei mais velha. Posso refiná-los.

- O mundo não gira ao meu redor mas posso criar o meu mundo.

03 outubro 2008

Fim

Hoje pela manhã terminei um relacionamento. Não foi longo. Durou um mês, um mês e meio no máximo. Mas foi intenso. No começo não achava que daria certo, que nos daríamos tão bem pois não tive chance de escolher estar com ele, foi algo imposto a mim. Nosso primeiro encontro foi um pouco estranho. Eu não entendia muito bem o que ele dizia pois em um momento mostrava uma face e no dia seguinte já parecia outra pessoa. Na verdade ele era um conjunto de várias personalidades: religioso, sarcástico, sério, brincalhão, verdadeiro e por vezes mentiroso. Mas tinha uma sabedoria de dar inveja a muita gente. Contou-me coisas de um passado bem distante e que ainda hoje se fazem presentes no meu dia-a-dia. Algumas das coisas que ele me segredou fizeram com que eu duvidasse e por vezes considerasse mentira muito do que outras pessoas me ensinaram ao longo da vida. Mas como muitas vezes eu não tive certeza da veracidade de suas palavras nunca consegui saber se tudo o que ele me contava havia realmente acontecido.
Víamo-nos todos os dias; às vezes pela manhã, dentro do ônibus mesmo, outras vezes na hora do almoço e outras tantas em casa, já deitada na cama. Nessa ocasião em particular, eu sempre acabava pegando no sono antes dele terminar suas histórias. Mas ele não se importava com isso e aguardava até o outro dia para finalizar sua explicação e por vezes e pacientemente voltava a alguns fatos que eu havia deixado passar por falta de atenção.
Mas apesar de nos darmos tão bem, eu sabia que o fim estava próximo. Foi hoje pela manhã quando eu estava indo trabalhar que ele me disse adeus. Confesso, senti um aperto no coração. E agora, perguntei-me, quem vai me acompanhar, contar histórias, me fazer rir? Senti-me sozinha e tive até vontade de chorar. Mas não pude prendê-lo. Ele é livre para conhecer outras pessoas assim como eu sou livre para ter novos relacionamentos, mas vou sentir sua falta. Quem sabe no futuro eu não o encontre novamente? Provavelmente meu sentimento por ele estará mais maduro pois não será mais uma novidade. Então poderei apreciá-lo com calma e descobrir novas formas de lê-lo.

A República dos Bugres

Vencedor do Prêmio Guimarães Rosa de 1998, do Governo do Estado de Minas Gerais, o romance de Ruy Tapioca impressiona tanto pela seriedade da pesquisa dos fatos históricos que o embasam, quanto pela riqueza da linguagem e a segurança com que a narrativa está estruturada.
Trata-se de um romance histórico, em tom picaresco, envolvendo um período que abrange da chegada da família real portuguesa, ao Brasil, em 1808, à Proclamação da República, em 1889, na visão das classes subalternas, ou dos enjeitados, representadas por um suposto filho bastardo de Dom João VI, que se torna mestre-escola, e um filho de escravos, que chega a ser capelão do Exército Brasileiro na Guerra do Paraguai.
Dando asas à imaginação na construção e desenvolvimento da sua narrativa, o autor se valeu também de personagens reais, tendo como fonte as Memórias para servir ao reino do Brasil, do padre Luiz Gonçalves dos Santos, vulgo Perereca. E hoje confessa haver tido como influência o Recurso do método, o clássico do cubano Alejo Carpentier. O resultado final é uma alamentada contribuição às comemorações dos 500 anos do Brasil.
Este A república dos bugres surge em um momento oportuno para uma reflexão sobre a História do país e a nossa formação como povo. Além de ser uma realização literária de fôlego.

Sobre o autor

Ruy Tapioca nasceu em Salvador (BA), em 1947, e reside no Rio de Janeiro desde 1958. Exerceu cargos de gerência em empresas estatais de grande porte e foi professor universitário.
Aposentado, dedica-se atualmente à literatura, além de colaborar, como voluntário, em uma ONG de defesa dos direitos humanos. A república dos bugres, seu romance de estréia, foi agraciado com quatro prêmios literários: Guimarães Rosa (Minas de Cultura) de romance, 1998; Octavio de Faria, de romance, da União Brasileira de Escritores, 1998; Biblioteca Nacional, para romances em andamento, 1997 e Prêmio Cidade do Recife, Ficção, 1998 (menção honrosa).

28 setembro 2008

Semana de Letras

Terminou sexta-feira, em grande estilo, mais uma Semana de Letras da UFPR. Foi o primeiro ano em que eu finalmente criei coragem (e vergonha na cara) e resolvi comparecer a algumas das apresentações. Valeu a pena.


Ah, e pra quem acha que aluno de letras só vive de livros, como encerramento tivemos Poesia é Fado: leitura de obras de poetas portugueses e show musical com o grupo Serestuna.